Primeiros passos com o dotfiles da Campus Code

Faz pouco mais de dois anos que decidi utilizar sistemas operacionais Linux no meu dia a dia. A decisão surgiu de um recente entusiasmo por tecnologias open source, e pela sensação de que desenvolvedores encontravam em ambientes Linux, maior liberdade para customização do ambiente de trabalho, e ferramentas mais maduras. Essas sensações me levaram a crer que eu poderia ser mais produtivo utilizando plataformas Linux.

Eu demorei um pouco para encontrar a produtividade que eu estava procurando. Minhas customizações do sistema eram basicamente visuais, temas e icones. As ferramentas que eu utilizava eram praticamente as mesmas de quando eu ainda era um usuario Windows.

Foi durante meu treinamento na Campus Code que eu tive o meu primeiro vislumbre do que eu estava realmente procurando. Observando o Alan Batista e o João Almeida utilizando o Vim e o terminal eu percebi que havia algo diferente ali. Sempre foi tão complicado pra mim utilizar o Vim, e eles realizavam tarefas complexas de forma tão ágil e aparentemente simples. Logo eles me explicaram que aquilo era reflexo dos dotfiles da Campus em ação. Inserindo atalhos e novas funcionalidades as ferramentas padrões do sistema.

O que são dotfiles?

Mas afinal, o que é um dotfile? O termo dotfile tem origem nos arquivos de configurações de sistemas Unix-Like. No Ubuntu se você rodar o comando ls -a na pasta home do seu usuário, você vera alguns desse arquivos, como por exemplo o .aliases. Esses arquivos de configurações são utilizados tanto pelo sistema, quanto por programas. Normalmente são arquivos de texto simples, sempre com o nome do arquivo iniciando com um ponto. O ponto no inicio do arquivo indica que não se trata de um arquivo "normal", e por padrão ele é não exibido ao usuário.

Em resumo um dotfile é um arquivo de configuração onde você pode ajustar o comportamento do seu SO e programas. O usuário pode moldar o ambiente de trabalho de forma a atender suas necessidades e peculiaridades.

Logo quando se fala em dotfiles de alguem, estamos falando do conjunto de arquivos de configuração que essa pessoa construiu para moldar seu ambiente aos seus gostos e preferencias. Muitas pessoas publicam seus dotfiles em repositórios públicos. E muitos deles criam uma instalação automatizada para instalar programas e plugins necessários ao ambiente.

Campus Code Dotfiles

Os dotfiles da Campus estão disponibilizados no GitHub no link: https://github.com/campuscode/cc_dotfiles

No readme do projeto você verá que o cc_dotfiles foi baseado nos dotfiles do Yan Pritzker e nos da Thoughtbot. Lá você encontra o link para esses dois projetos.

O cc_dotfiles foi configurado para auxiliar no uso do terminal e do vim como ambiente para desenvolvimento, principalmente utilizando o Ruby como linguagem. Mas ele pode facilmente ser utilizado como base para criar outras configurações para suporte a outras linguagens e ferramentas.

Algumas das ferramentas que o cc_dotfiles utiliza para compor o ambiente:

Instalando o cc_dotfiles no Ubuntu

No readme do projeto temos o seguinte comando para executar a instalação automatizada: sh -c "'curl -fSs https://raw.githubusercontent.com/campuscode/cc_dotfiles/master/install.sh'" . Mas antes de executarmos esse comando é preciso suprir algumas dependencias do instalador.

Primeiro vamos atualizar o repositório do sistema com o comando:

sudo apt-get update

Agora precisamos instalar o curl para realizar o download do script de instalação:

sudo apt-get install curl

Após o curl instalado, precisamos do git para que o script seja capaz de clonar os arquivos do projeto. Rode então o comando de instalação:

sudo apt-get install git

A última dependencia da instalação é o Ruby. Os scripts utilizam uma Rake para executar passos da instalação. Para instalar o ruby execute:

sudo apt-get install ruby

Agora com as dependencias supridas podemos rodar o comando de instalação dos dotfiles:

sh -c "`curl -fSs https://raw.githubusercontent.com/campuscode/cc_dotfiles/master/install.sh`"

Após rodar esse comando o script de instalação será baixado e irá instalar as dependencias dos dotfiles. Uma delas é o rvm. Eventualmente pode ser requerida sua senha para executar a instalação do rvm.

Um outro passo da instalação do cc_dotfiles que pode requerer a interação do usuário é o processo de instalação de plugins no vim. É provável que aparece uma mensagem de erro relacionado a sintaxe de algum arquivo, basta apertar a tecla enter que o processo de instalação de plugins no vim irá proceguir.

O solarized é um tema de cores para o seu terminal. O script do cc_dotfiles executa o scrip para instalação do tema. O processo de instalação do solirazed é bem simples, primeiro ele te pergunta qual dos 3 temas disponiveis você quer aplicar. Depois pergunta qual o profile do terminal será aplicada as alterações.

Caso queira após a instalação inicial testar outros temas do solarized basta executar o comando:

~/.cc_dotfiles/gnome-terminal-colors-solarized/install.sh

O último passo da instalação do cc_dotfiles irá pedir sua senha de usuário para alterar seu shell padrão para o Zsh.

Visão geral das configurações

Dentro do arquivo ~/.aliases você vai encontrar vários atalhos para comandos do sistema e de programas como Ruby e Git. São atalhos para tornar, algumas das funções que você mais utiliza, mais simples e rápidas de se digitar.

O arquivo ~/.vim/settings/key_mappings.vim tem as teclas de atalho mapeadas para o uso do vim.

O arquivo ~/.vimrc possui algumas das configurações que definem o comportamento padrão do vim.

O arquivo ~/.vim/plugins.vim possui a lista de plugins instalados no vim.

Existem outros arquivos de configurações para o tmux, zsh, git e vim. Eu aconselho a com o tempo ir procurando entender o que cada arquivo, e cada configuração faz aos programas. Assim você começa a ser capaz de realizar suas próprias configurações, e assim pode ir montando seu próprio dotfiles.

No readme do projeto existem dois links para alguns dos atalhos do tmux e do vim. Os demais atalhos e comandos podem ser encontrados nas docs dos programas e plugins. E em alguns dos arquivos de configurações citados acima.

No pain no gain

Foi a frase que o Alan me disse quando falei que “Iria testar o dotfiles, mais se acha-se muito complicado, voltaria ao meu antigo ‘modus operandi’ “. O começo foi difícil de compreender como algumas coisas funcionavam. Mas com algum esforço e estudo, agora começo a ver alguns frutos desse esforço.

Pretendo voltar num futuro próximo para falarmos mais sobre alguns truques escondidos nos dotfiles da Campus, e em modos de você criar o seu próprio dotfiles utilizando o cc_dotifiles como base.


Originally published at gist.github.com.

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