Delação da JBS começa a ser negociada


Na sexta-feira, a Polícia Federal deflagrou a Operação Bullish, que levou coercitivamente 37 pessoas a depor. Entre eles, executivos do BNDES e da JBS. O objetivo é apurar se houve fraude no investimento do banco na empresa. No mínimo, foi um mau negócio: prejuízo de R$ 1,2 bilhão. E, na Piauí, Consuelo Dieguez detalha as desconfianças. Com o investimento na empresa, o BNDES lhe permitiu que crescesse rapidamente no período da crise internacional de 2008. Entraram em seus cofres R$ 10,63 bilhões de dinheiro público, o que a tornou a maior distribuidora de carnes do mundo. Mas, no setor, há incômodo. Ao botar todas as fichas em uma só companhia, o banco de investimento ignorou as de médio porte, concentrando o mercado brasileiro. “Para que precisávamos internacionalizar uma empresa de carne?”, se pergunta Sérgio Lazzarini, do Insper. Não há, ele argumenta, razão estratégica. O ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, argumenta que a política de ‘campeões nacionais’ replicava aqui a estratégia da Coreia do Sul nos anos 1980. Mas, lá, o incentivo foi para que a produção local se diversificasse e se sofisticasse. Aqui, este dinheiro foi para uma indústria de baixa tecnologia. O TCU questiona particularmente a compra, pela JBS, da americana Swift, realizada em apenas 22 dias e paga com recursos do BNDES. A pressa para a realização do negócio não se justifica, argumentam os técnicos do Tribunal de Contas. Mau investimento e estratégia ruim — resta saber se houve má fé. Em 2014, o frigorífico se tornou o maior doador de campanhas para todos os partidos — principalmente PT e PMDB. Coutinho e o presidente da JBS, Joesley Batista, não estavam no Brasil e ainda não se apresentaram para depor. Segundo o Painel, da Folha, o empresário está em sua casa nos EUA, com medo de ser preso, enquanto seus advogados negociam uma delação premiada.

O Brasil aderiu ao acordo de compartilhamento automático de informações financeiras da OCDE. Assim, a Receita Federal terá acesso aos dados do Fisco de 113 países — pode chegar a 253. A partir de 2018, remessas ilegais de dinheiro ficarão fáceis de rastrear, informa Lydia Medeiros. (Globo)

O juiz Sérgio Moro fixou prazos para alegações finais na ação em que o ex-presidente Lula é acusado de ter recebido R$ 3,7 milhões em propina por contratos entre a empreiteira OAS e a Petrobras. Os pagamentos teriam sido feitos através de um apartamento tríplex reformado no Guarujá e o armazenamento dos bens do petista. O Ministério Público terá sete dias úteis a partir de 25 de maio para últimas observações e, na sequência, a Petrobras terá mais dois dias para comentários. A defesa recebeu nove dias úteis que terminam em 20 de junho para suas considerações finais. É a partir desta data que Moro pode definir a sentença. Ele não tem prazo. No processo contra Eduardo Cunha, o juiz demorou três dias.

Após ouvir os novos depoimentos cobrados por advogados e seus pares, o ministro Herman Benjamin liberou novamente o processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. Caberá ao presidente do TSE, Gilmar Mendes, fixar data para retomada. Segundo Ricardo Noblat, Temer conta com cinco dos sete votos na Corte e não deve ser impugnado. (Globo)

Periga o juiz carioca Marcelo Bretas, responsável pelas prisões da Lava-Jato no Rio, ser promovido a desembargador. Se ocorrer, suas ações serão transferidas para outro magistrado. (Globo)

Planalto, Congresso e Supremo planejam adiar a decisão a respeito do foro privilegiado. Segundo Josias de Souza, o Senado aprovaria ainda este mês, em segundo turno, a emenda que extingue o foro especial e a encaminharia para a Câmara. Esta seria a senha para um dos ministros do STF pedir vistas do processo que pode suspender o foro pelo caminho da Justiça. Enquanto isso, na Câmara, a emenda seria devidamente enterrada. Para que o projeto dê certo, é importante que não vaze.

Nas contas preliminares do Banco Central, a economia brasileira cresceu 1,12% no primeiro trimestre, puxada pela agricultura. O cenário ainda é inseguro: pelo índice, o IBC-Br, apesar de bons janeiro e fevereiro, em março houve queda. Mas a pior recessão documentada da história foi, enfim, interrompida. O dólar caiu para abaixo de R$ 3,10 e o risco-país desceu a menos de 200 pontos, o que não ocorria desde janeiro de 2015. (Globo)

Esta semana, a bancada ruralista pedirá ao presidente Temer que alivie a dívida do Funrural, a contribuição previdenciária paga pelos fazendeiros. No total, soma R$ 10 bilhões. Os prefeitos, por sua vez, querem renegociar a dívida que 600 municípios têm com o INSS. R$ 100 bilhões. Fazem parte, ambos, do lobby em troca de votos pela reforma da Previdência na Câmara.

Enquanto isso… caso fosse deputada, Marina Silva votaria a favor das reformas Trabalhista e da Previdência. “Mas trabalharia para corrigir as arbitrariedades que não são poucas no projeto do governo”, disse. Ela considera a regra de transição até a idade de 65 anos, para aposentadoria, draconiana. E acha que, em algumas negociações, os empregados ficam à mercê dos patrões. (Estadão)


Em uma conversa com o chanceler russo Sergei Lavrov, que ocorreu na quarta-feira passada, o presidente Donald Trump revelou a informação de que o Estado Islâmico tem planos de incluir bombas sofisticadas em notebooks e tablets. Os detalhes revelados por Trump, segundo pessoas da espionagem americana ouvidas pelo Washington Post, podem desmascarar o país que repassou os dados para a CIA. O presidente tem autoridade para divulgar o que deseja a quem quiser. Neste caso, pôs em risco a vida de fontes e a continuidade da cooperação. O receio é de que aumente a dificuldade de trabalho dos espiões americanos no Oriente Médio.

O presidente francês Emmanuel Macron indicou Édouard Philippe, da centro-direita, para o cargo de primeiro-ministro. Acena, assim, para uma coalizão do seu En Marche! com o partido Republicanos do ex-presidente Sarkozy. As eleições que definirão a composição do Parlamento ocorrem em 18 de junho. (Estadão)

Em tempo… Macron distribuiu pelas redes sociais um vídeo no qual convida cientistas e empresários americanos que trabalham com as mudanças climáticas, desiludidos com a guinada política do governo Trump, a se mudarem para a França. Garante que ampliará o orçamento para pesquisas.

Um dos principais repórteres mexicanos dedicados à cobertura do narcotráfico no país, Javier Valdez, foi morto a tiros quando seu carro foi interceptado no meio da rua, na cidade de Culiacán, durante a tarde de ontem. É o sexto jornalista assassinado pelo tráfico este ano.

Cultura

Em março, a Netflix criou a opção de pular a introdução aplicável a suas produções originais e a algumas séries de TV. Na semana passada, estendeu a ferramenta para alguns filmes — e então mexeu com o coração dos cinéfilos. Para o Guardian, pular o início de um filme macula a experiência do cinema. Sobretudo no caso de clássicos — pense no letreiro de Star Wars ou no close dos olhos de uma mulher com que Hitchcock abre Vertigo. “Uma coisa é clara: quando perdemos as sequências iniciais, estamos perdendo algo de valor artístico”, defende o jornal.

Em tempo: a defesa vem acompanhada de vídeos e compilações de algumas das inesquecíveis sequências iniciais do cinema.

Hackers fizeram “refém” o filme Piratas do Caribe: A vingança de Salazar. Ameaçam divulgar o longa, caso a Disney não atenda ao pedido de resgate. O estúdio, por sua vez, trabalha com o FBI e informa que não pretende pagar uma fortuna em bitcoins para os sequestradores. Enquanto isso, a data de estreia do filme nos cinemas se avizinha: está marcada para 25 de maio.

O cartaz do longa, aliás, surpreendeu: tem Paul McCartney caracterizado de pirata — e só. Pouco se sabia sobre sua participação no filme, fato que ele acabou por confirmar via Twitter.

O ex-Beatle não é o primeiro (nem o último) rock star a cair no cinema. O Guardian lista algumas participações de músicos em filmes. De Bruce Springsteen a Keith Richards — outro que apareceu em, quem diria, Piratas do Caribe.

O U2 foi a banda que mais vendeu ingressos para shows neste verão dos EUA. Os números absolutos não são anunciados, e sabe-se apenas que a turnê de The Joshua Tree, álbum dos irlandeses que completa 30 anos, é a mais popular do país. Ganhou de Ed Sheeran e Lady Gaga.

Aliás… a turnê, que estreou no domingo, tem pegada política. Bono não falou em Trump, mas lançou no palco: “Alguns de vocês pensam que o sonho morreu. Talvez esse sonho só esteja dizendo a vocês para acordarem”.

Viver

Uma mutação inédita no vírus da febre amarela poderia ser a explicação para o recente surto da doença, o maior já registrado no país. O sequenciamento genético do vírus, feito no Instituto Oswaldo Cruz, revelou oito mutações. Sete delas têm impacto na replicação do vírus, segundo a Folha. Neste ano, até agora, são 756 casos da doença e, no ano passado inteiro, sete.

Morreu ontem, aos 86 anos, o publicitário José Zaragoza, um dos fundadores da agência DPZ.

A primeira mulher fotografada por J.R. Duran para a Playboy, em 1980, é Eni Helena Novakoski. Saltou das páginas da revista para a pornochanchada (contabiliza 12 filmes) e, depois, para os palcos do SBT. Hoje, tem 58 anos e uma escola de inglês no Paraná. Em depoimento à Folha.


Mais de 5 milhões de africanos desembarcaram no Brasil para serem feitos de escravos — ou algo como a metade dos escravos das Américas, num período de quase 300 anos. Os dados são do Slave Voyages, um banco de dados internacional sobre a escravidão. O Nexo conta que, além das estatísticas (não tão raras na web) e de mapas interativos do tráfico no planeta, o site oferece até um banco de nomes que identifica 91.491 africanos trazidos a força no período.

O blog Época Esporte Clube publica série que analisa as finanças dos principais clubes de futebol brasileiros. Já foram avaliados Cotinthians, Fluminense, Bahia, Vasco, Cruzeiro, Coritiba e São Paulo.

O ex-ciclista Jonathan Vaughters, agora manager de uma equipe americana que compete no Tour de France, ouviu um “não” da Netflix quando foi pedir-lhe patrocínio para o time. A negativa ainda ecoa em sua memória e motiva sua defesa de que o ciclismo é o melhor esporte para se patrocinar no momento — mas as empresas estão perdendo este bonde.

Cotidiano Digital

A principal concorrente do Uber nos EUA, Lyft, fez um acordo com a Waymo, o braço de carros autônomos do Google. O plano é testar nas ruas a nova tecnologia. O acordo pode acelerar a migração da empresa para veículos sem motorista. Testes com estes carros já começaram no Uber, mas a empresa tem tido dificuldades. Na Lyft, espera-se que um salto acelerado para a nova geração tecnológica lhe dê imensa vantagem.

O massivo ataque hacker de sexta-feira rendeu apenas US$ 50 mil, segundo avaliação da consultoria Elliptic Enterprises, que monitora o fluxo da moeda digital Bitcoin pela rede. Mesmo que dispostos a pagar o resgate para recuperar os dados de seus computadores, avaliam os especialistas, a maioria das pessoas tem dificuldades de trabalhar com o dinheiro digital criptografado.

Cidades brasileiras vão ganhar domínio próprio. O NIC.br, entidade que gerencia os endereços da internet brasileira, abriu votação para escolher os domínios para cada uma das 46 cidades com mais de 500 mil habitantes. São Paulo, por exemplo, deve ser saopaulo.br ou sampa.br? rio.br deve ir para o Rio de Janeiro ou Rio Branco? A votação é aberta e qualquer um pode dar sua sugestão.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Meio’s story.