Delação que pode abalar Temer na mesa de Fachin


A delação que o doleiro Lúcio Funaro fechou com o Ministério Público chegou à mesa do ministro Edson Fachin. Ele deve homologar (ou não) o acordo para que tenha validade. Funaro detalhou como operava dinheiro para o PMDB da Câmara — grupo que, liderado pelo presidente Michel Temer, incluía Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha. (Estadão)

Segundo Kennedy Alencar, Fachin deve ser rápido na homologação. Isto permitiria que o MP utilizasse o material na segunda denúncia contra Temer.

Vera Magalhães: “A ideia de Janot é combinar as delações de Joesley Batista e de Funaro para: 1) embasar a denúncia contra Temer por obstrução de Justiça no inquérito 4483 e 2) comprovar o envolvimento do presidente no inquérito 4327, o chamado ‘quadrilhão’ do PMDB. O problema é tempo. Do lado de Temer, o conselho de ministros próximos é proceder de forma diferente desta vez: denunciando desde o início motivações políticas e perseguição por parte de Janot e adotando tom mais duro com os deputados.” (Estadão)

Diga-se… Pouco antes de viajar para a China, onde participa do 9º Encontro de Cúpula do Bric, Temer fez publicar no Facebook um vídeo. “Querem colocar obstáculos ao nosso trabalho, semear a desordem nas instituições, mas tenho a força necessária para resistir”, disse.

E por falar nos Batista: Lauro Jardim informa que a Comissão de Valores Mobiliários autorizou o voto dos controladores da JBS na assembleia marcada pelo BNDESPar para sexta-feira. O banco quer afastar Wesley Batista da presidência da empresa. Pela decisão, os minoritários podem apoiar a ideia. (Globo)

O procurador-geral Rodrigo Janot encaminhou ao Supremo mais uma prova do que vê como proximidade do ministro Gilmar Mendes com o empresário Jacob Barata Filho. É um email com o comprovante da compra para envio de um ramalhete de flores de Barata para ‘Guiomar e Gilmar’. A mensagem foi encontrada pelos procuradores enquanto vasculhavam computador e celular do empresário, sob autorização da Justiça. Para Janot, o ministro não poderia conceder habeas corpus ao empresário dada a relação de intimidade. (Jota)

Do ministro Marco Aurélio Mello: “Em relação a esse rapaz, não falo.” O ‘rapaz’ é seu companheiro de bancada. Gilmar Mendes. (Globo)

E… Num aceno discreto, em sessão do Conselho Nacional de Justiça, a presidente do STF, Cármen Lúcia, fez um discurso de agradecimento aos juízes brasileiros. Na semana passada, ela foi cobrada a manifestar-se quando Gilmar Mendes tratou com desprezo o juiz federal carioca Marcelo Bretas. (Globo)

O governo decidiu estender o prazo de adesão ao programa de parcelamento tributário de devedores da União, Refis. Era para até o fim de agosto, foi a 30 de setembro. Mas ainda não há acordo no Congresso sobre as características do plano. O projeto preparado pelo Ministério da Fazenda contava arrecadar R$ 13 bilhões mas, alterado pelos parlamentares, despencou para R$ 420 milhões. O ministério diz que concorda em negociar, mas pretende receber no mínimo R$ 10 bilhões. (Estadão)

Já passou pela Comissão Mista de Orçamento: a meta fiscal de 2017 e 2018 aceitará um rombo de R$ 159 bilhões. A previsão do governo, no início do ano, era de R$ 139 bi e R$ 129 bi, respectivamente. A meta vai a plenário das duas casas do Congresso. (Folha)

Uma nota técnica do Ministério do Meio Ambiente, ignorada no decreto do presidente Temer que abre a Renca para exploração mineral, deixa claro o “possível aumento do desmatamento associado pelos efeitos migratórios decorrentes do projeto” na Amazônia entre Pará e Amapá. Segundo a nota, havia no ministério 646 requerimentos para lavra na região. 41 em terras indígenas, 600 em unidades de conservação. (Globo)

Diga-se… O MPF do Amapá protocolou uma ação que pede a revogação do decreto de extinção da Renca. Segundo os promotores, o novo decreto não faz modificações reais em relação ao antigo e ameaça o meio ambiente. (Estadão)

Cultura

Como Walt Disney para os desenhos animados ou Alfred Hitchcock para o suspense, foi Jack Kirby para os quadrinhos. A grande diferença é que o criador de personagens do Olimpo da HQ, que faria cem anos nesta semana, morreu praticamente no anonimato, em 1994. Capitão América, o Quarteto Fantástico, Hulk, os X-Men originais, Os Vingadores, Pantera Negra, entre outros, estão entre os que criou ou ajudou a criar. E não só: Kirby mudou a forma como os quadrinhos eram vistos nos idos da década de 1930 e abriu caminho, por exemplo, para nada menos que filmes como Star Wars. A New Republic detalha sua trajetória.

Em tópicos: 16 curiosidades sobre o mestre da HQ.

David Bowie superou 1 bilhão de reproduções no Spotify. Heroes é sua música mais ouvida na plataforma. O músico inglês, morto no início de 2016, disse, algo visionário, em entrevista 15 anos atrás: “A absoluta transformação de tudo o que tínhamos pensado sobre a música ocorrerá nos próximos dez anos, e nada vai poder detê-la. A música vai se converter em algo como a água corrente ou a eletricidade”.

O negócio da produção de conteúdo original chegou ao Snapchat. O app anunciou que vai estrear na criação de séries próprias ainda neste ano. É uma estratégia para concorrer com o Instagram que, neste ano, roubou-lhe usuários ao lançar sua ferramenta de vídeos que duram só 24 horas — até então algo que era o grande (e exclusivo) atrativo do Snapchat.

Onde escrevem os escritores? O New York Times registra autores em seus postos de trabalho, quase sempre em casa, caso de Camille Bordas, por exemplo, que escreve no apartamento em que vive com o marido. São os próprios autores a contar ao jornal sobre seus processos de escrita nos cômodos em que trabalham.

Viver

A tempestade Harvey está caindo de novo, agora na zona de fronteira entre Louisiana e Texas, e ameaçando com novas enchentes conforme desliza para o leste na direção do Kentucky. As muitas viagens de barco para o resgate de vítimas continuam.

Galeria: o New York Times compila fotos da tempestade Harvey, de seus efeitos desde o dia 25 de agosto, com atualizações diárias.

Os avançados testes de DNA, que chafurdam na ancestralidade dos sujeitos examinados, vêm redesenhando árvores genealógicas de muitas famílias nos EUA. Num estudo recente, os pesquisadores pediram dados de 160 mil pessoas que se submeteram a testes do tipo. Descobriram que 3,5% das que se declararam brancas, por exemplo, têm 1% ou mais do DNA com origem na África. A ascendência africana, a propósito, é mais frequente no sul do país.

Cabe ao Congresso decidir sobre a descriminalização da maconha. É o que a Advocacia-Geral da União escreveu em parecer enviado ao STF, no qual afirma que o Supremo não deve interferir na questão — como solicitou o PPS, em ação enviada ao órgão em maio. O partido pediu que o Judiciário assegure “plantio, cultivo, colheita, guarda, transporte, prescrição, ministração e aquisição de Cannabis para fins medicinais”. A AGU, porém, defende que o caso não é da alçada do Supremo, já que “dependeria de substancial alteração nas políticas públicas adotadas pelo país no que diz respeito ao consumo de drogas e à proteção da saúde”. Enquanto isso, a ação segue no STF, sem previsão de julgamento. (Globo)

Sem alarde, a bancada evangélica tentará aprovar hoje no Congresso uma norma que inviabilizaria a legalização do aborto. Para isso, relata o Estadão, o deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP) incluiu numa Proposta de Emenda Constitucional um artigo definindo que a vida começaria na fecundação e que, portanto, o feto teria de ser “protegido” desde então. A PEC precisa ser aprovada na comissão especial antes de ir ao plenário.


A judoca brasileira Érika Miranda cogitava abandonar o esporte no ano passado. Não o fez por pedido da família. Seguiu lutando e, ontem, aos 30 anos, ganhou bronze no Mundial de Judô, em Budapeste. É a quarta vez que sobe ao pódio do campeonato na carreira, mas agora houve algo de especial: ela derrotou a atleta do Kosovo Majlinda Kelmendi, que, em 2013, venceu-a em casa, no Mundial do Rio.

Cotidiano Digital

Para ver com calma: o colombiano David Vélez, fundador e CEO do Nubank, conta, num palco do Fire 2017, a história da mais badalada startup brasileira. Começa pela pequena casa onde parte da equipe morava, segue para o intenso 2015 quando a empresa saltou de 30 para 300 funcionários, e explica o modelo de negócios do cartão de crédito digital que sobrevive sem cobrar tarifas e oferece juros menores do que os dos bancos de praça. O vídeo foi cedido em primeira mão para o Meio.

No dia 12 de setembro, Tim Cook subirá a um palco em San Francisco para apresentar o iPhone 8, a terceira geração do Apple Watch, o assistente digital HomePod e, provavelmente, a Apple TV 4K.

Está tudo encaminhado. Menos a Apple TV. A empresa fundada por Steve Jobs está numa luta dura para negociar com Hollywood. Os estúdios querem vender os filmes em 4K a pelo menos US$ 25. A Apple, a US$ 19,99. Trocando em miúdos, US$ 20. Houve tensão semelhante no momento do lançamento da loja de músicas dentro do iTunes. Mas as gravadoras estavam em desespero pela pirataria, e a Apple oferecia uma boia. Os estúdios têm um negócio digital forte e muitas opções de streaming nos EUA: Netflix, Amazon Prime, Hulu, HBO, além da chegada da Disney. A solução da Apple é colocar todos os serviços em sua caixa. Já anunciou que terá o app da Amazon. Mas o negócio tampouco foi selado. E o relógio está tocando.

Aliás… A Universal Music Group subiu 16% em valor no mercado. A Sony Music, 12%. A indústria da música voltou a ser bom negócio por conta do streaming.

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