Evangélicos e insegurança ajudam Bolsonaro


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Dois importantes segmentos da população estão se inclinando para a candidatura de Jair Bolsonaro. Um é o dos evangélicos. Em 2014, quando por muito pouco não chegou ao segundo turno, Marina Silva tinha entre seus eleitores 43% vindos deste segmento. De acordo com o último Ibope, tem apenas 12%. E 26% dos eleitores do ex-capitão vêm deste grupo. Há também a população preocupada com Segurança, um dos principais temas desta eleição. De acordo com especialistas ouvidos pelo Estadão, principalmente em São Paulo, este núcleo eleitoral preocupado com polícia nas ruas, que já foi leal a Paulo Maluf, hoje se inclina ao militar. O resultado gera uma distorção curiosa: o tucano Geraldo Alckmin é o único dos candidatos com chances que não vai bem em seu próprio estado, apesar dos resultados acima da média que seu governo teve em segurança. Ele ainda garante que consegue mudar o quadro quando a propaganda na TV se iniciar. (Estadão)

Circula no PT a ideia de não substituir Lula quando a Justiça impedi-lo de concorrer, informa o Painel. A responsabilidade de normalizar o processo eleitoral, disse o ex-presidente a seus advogados, não é dele. De acordo com seus aliados mais próximos, as chances de Haddad não assumir a chapa são baixas. (Folha)

Se os desvios da direita nas redes sociais dominaram as primeiras semanas de campanha eleitoral, chegou a vez da esquerda. Na noite de sábado, uma militante denunciou, no Twitter, que estava sendo paga para escrever sobre temas oferecidos por uma agência publicitária. “O combinado foi que a ação seria de esquerda”, escreveu a moça. “Não uma ação partidária.” Pagar por posts, embora prática corrente na propaganda baseada em influenciadores, é proibido pela legislação eleitoral. “O combinado foi manter sigilo da ação”, ela explicou, “mas o combinado também foi que a ação seria de esquerda.” Quando os temas sugeridos passaram a envolver um candidato do PT após o outro, a militante decidiu romper o acordo e denunciar publicamente. Ao Globo, uma representante da consultoria LaJoy informou que o serviço que prestou foi apenas de mapear quem eram os influenciadores mais relevantes no flanco esquerdo das redes. Segundo o repórter Diego Escosteguy, a empresa foi contratada pela Follow, que pertence ao deputado federal Miguel Corrêa, do PT mineiro, candidato ao Senado junto com a ex-presidente Dilma Rousseff. Cada militante receberia até R$ 2 mil por mês. Raphael Tsavkko Garcia conta, em seu Medium, os detalhes conhecidos da história com as capturas de tela devidas.

Ponto, por Celso Rocha de Barros: “Em uma eleição cheia de dúvidas, temos a primeira certeza. Lula venceria se não estivesse preso. Os eleitores de Lula, também conhecidos como ‘a maioria do eleitorado entre 2002 e 2014’, estão compreensivelmente irritados. Eles têm perfeita noção de que o primeiro governo Dilma foi um desastre, de que o PT se envolveu em escândalos de corrupção seríssimos, e, por isso, não foram às ruas protestar contra o impeachment. Abandonaram Lula e o PT em 2015–2016. Longe de ser uma aberração nascida em uma cultura política personalista e atrasada, longe de ser um sinal de tolerância popular à corrupção, a liderança de Lula é o bônus que se ganha quando se lidera a oposição contra um governo com 4% de aprovação. Mas e a prisão? O sujeito não é moralmente obrigado a abandonar seu candidato se ele é condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro? Bom, aí depende. Só o candidato dele foi preso? Só o dele está impedido de concorrer? Afinal, acaba de acontecer uma grande investigação de corrupção que produziu provas contra todos os grandes partidos. O eleitor de Lula foi feito de otário durante o impeachment e é o único cujo candidato não vai poder concorrer. Você também faria questão de votar no seu candidato se fosse você na mesma situação.” (Folha)

Contraponto, por Demétrio Magnoli: “O Brasil profundo que se reconhece em Bolsonaro está muito irritado. A ‘coisa profunda’ não é fascismo, um termo que a nossa esquerda utiliza como quem toma sorvete, esvaziando-o de seus significados. Bolsonaro tem algo entre um quinto e um quarto das intenções de voto não porque expresse algo novo, mas justamente por trazer à tona alguns dos materiais mais persistentes da sociedade brasileira. Na sua candidatura, emergem ‘coisas profundas’ que vão bem além do conservadorismo social tão abominado pela ‘nossa elite tutelar’. A ideia de que a política civil é uma recorrente doença degenerativa e de que a saúde nacional depende de cirúrgicas intervenções militares está gravada no mármore da nossa história republicana. A chapa Bolsonaro/Mourão exprime, entre tantas ‘coisas profundas’, o impulso da ‘restauração da ordem’ por meio da baioneta.” (Globo)

Começam hoje as entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos a presidente da República. Ciro Gomes é o primeiro, na terça virá Bolsonaro, seguido de Alckmin quarta e, Marina, na quinta. Como apenas os candidatos oficiais serão entrevistados, Haddad não estará na bancada.

A Folha pôs no ar uma ferramenta para que eleitores de São Paulo encontrem candidatos à Câmara de acordo com suas opiniões políticas.


O senador americano John McCain morreu no sábado à tarde, vítima de um tumor cerebral. Seu pai e avô foram almirantes condecorados, vinha de uma família com histórico militar. E assim, quando seu avião caiu e ele foi capturado, no Vietnã, tornou-se o mais célebre prisioneiro de guerra. Passou cinco anos no ‘Hanoi Hilton’, como era conhecida a prisão. Seus braços foram tantas vezes quebrados em sessões de tortura que, ao retornar, não conseguia mais levantá-los a ponto de pentear os cabelos. Elegeu-se deputado federal, então senador. E no Senado virou estrela. Um republicano que, vez por outra, votava com democratas — como o fez até o fim da vida, em temas como imigração e universalização da Saúde. Foi candidato à presidência derrotado, em 2008, por Barack Obama. Naquele ano escolheu como vice a governadora do Alaska, Sarah Palin, dando combustível para o movimento ultraconservador que terminou por eleger Donald Trump. Ao fim da vida, muitos amigos dizem, foi um de seus grandes arrependimentos. Era um homem de direita que compreendia democracia como um jogo no qual às vezes se perde e em que a conversa com o outro lado é sempre necessária. Morreu como um dos raros republicanos a enfrentar Trump. McCain tinha 81 anos. A CNN recontou sua carreira em 12 minutos. O New York Times também preparou um vídeo, mais reflexivo, narrado pelo coordenador dos repórteres em Washington, Carl Hulse. Entre seus últimos pedidos estava o de que Donald Trump não estivesse presente ao funeral.

Pois é. O governador Doug Ducey, do Arizona, tem em mãos um problema. Ele indicará um substituto para John McCain até as eleições, em 2020. Pode ser um republicano com o perfil do herói de guerra. Ou pode ser um leal ao presidente. Trump tem sérios problemas legais pela frente e há um juiz da Suprema Corte para ser avaliado. Hoje, há 49 democratas e 50 republicanos na Casa. (New York Times)

Cultura

Pode parecer uma história que só interessa aos geeks de uma certa geração. Mas vai além. Star Wars é também um fenômeno cultural, um dos maiores símbolos pop do último quarto do século 20. E por isso é curioso: Os editores da c|net descobriram que Perla Shaheen, sua nova estagiária, nunca havia visto qualquer um dos filmes. Mas a característica do pop é que ele está por toda parte. O que sabe sobre a saga da família Skywalker alguém que nunca a viu? Um bocado. Também em vídeo.

Morreu no domingo, aos 91 anos, Neil Simon, um dos maiores dramaturgos do teatro americano. Ele escreveu para a televisão, mas foi no teatro que conquistou sua fama. Tem uma longa lista de peças que funcionavam como ‘máquinas de riso’, e que mantiveram seu nome nas marquises da Broadway nos anos 1960 e 70. Barefoot in the Park, uma comédia inspirada em suas experiências como morador do Greenwich Village, foi a obra que alçou seu nome no teatro e, mais tarde, no cinema americano (trailer). Mas apesar de toda sua popularidade com o público, os grandes sucessos de Simon raramente mereceram aclamação da crítica. Na introdução de uma de suas peças, o dramaturgo citou o crítico Clive Barnes para refletir sobre essa relação: “Neil Simon está destinado a permanecer rico, bem-sucedido e subestimado.” (New York Times)

Viver

Serena Williams não teve um pós-parto fácil. A tenista americana precisou de uma cesareana emergencial para dar à luz e de lá seguiu por uma série de procedimentos médicos após o nascimento da filha. Quando voltou às quadras no torneio de Roland Garros, estreou um novo traje, um macacão justo negro que ganhou o apelido ‘roupa de Wakanda’, em referência ao filme Pantera Negra. A roupa de compressão ajuda a circulação e evita a formação de coágulos que chegaram a colocá-la em risco. Mas o presidente da Federação de Tênis da França afirmou que o traje não será permitido na próxima edição do torneio, e que o campeonato adotará um código de vestimenta: “Nós devemos respeitar o jogo e o local.”

Nas redes sociais, usuários afirmaram que o corpo, a roupa e o comportamento de Williams têm sido sujeitos a maior escrutínio e críticas do que seus colegas profissionais brancos.

A Nike, que projetou a vestimenta, respondeu à proibição: “Você pode tirar uma super-heroína de sua fantasia, mas nunca tirar dela seus superpoderes.”


A Europa bateu a marca de um milhão de carros elétricos. O velho continente atingiu o número quase um ano depois da China, que tem um mercado de carros muito maior, mas à frente dos Estados Unidos, que deve alcançar o marco este ano. Entre janeiro e junho, cerca de 195 mil carros plugin (automóveis híbridos) foram vendidos em toda a União Europeia, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — um aumento de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Cotidiano Digital

E por falar… Metralhado por toda parte, Elon Musk anunciou que sua empresa de carros elétricos, a Tesla, não vai fechar o capital. Desde que falou desta vontade há três semanas, via Twitter, o CEO foi atropelado por uma investigação pela SEC, entidade reguladora, uma revolta no conselho de administração da empresa e terminou nas revistas de fofoca por conta de uma rapper estrela que estava em sua casa no pico do caos.

Sebastian Thrun, o pai do carro autônomo do Google, concedeu domingo uma longa entrevista ao Guardian. Falou sobre o projeto que mais o motiva no momento: carros voadores. “Se você está em Jersey e deseja ir a Times Square, em Manhattan, isso vai lhe tomar mais de uma hora no trânsito da manhã”, ele explicou. “Num veículo elétrico voador a viagem toma menos de dois minutos e a um custo de 10 centavos em energia.” Ele acredita que táxis que voam serão revolucionários e democráticos, não só para ricos. Não servem a trajetos longos — sua autonomia é de 80 quilômetros. E o único real empecilho é a recepção popular. Alguém deseja tantos drones tamanho família no ar? “Somos muito sensíveis a fatores como barulho”, pondera. “E é um desafio montar um sistema de monitoramento de rotas de voo para dezenas de milhares de veículos ao mesmo tempo.”