Ibope: Bolsonaro tem 20%. Marina, 12%; Ciro, 9%


Jair Bolsonaro lidera, com 20% das intenções de voto, a primeira pesquisa Ibope Estadão TV Globo publicada este ano. Seus números não são comparáveis com qualquer levantamento anterior. Marina Silva tem 12%, Ciro Gomes, 9%; Geraldo Alckmin, 7% e, Fernando Haddad, 4%. Neste cenário, o ex-presidente Lula não foi incluído. O instituto descobriu que há enorme desconhecimento de que Haddad seria seu candidato. Mas, quando expostos a esta ideia, 13% dos entrevistados afirmam que votariam nele com certeza e outros 14% poderiam votar. “Isso mostra que Haddad tem potencial de crescer e disputar o segundo lugar com as demais candidaturas”, afirmou a diretora executiva do Ibope, Marcia Cavallari. (Estadão)

Bolsonaro também lidera na rejeição. 37% dos eleitores afirmam que jamais votariam no ex-capitão. Lula vem em segundo com 30%, Alckmin tem 25%; Marina, 23%; Ciro, 21%; Haddad, 16%.

No cenário em que Lula aparece como candidato, ele chegaria ao segundo turno com 37% das intenções de voto. Bolsonaro teria 18% e, Marina, 6%. Ciro Gomes e Geraldo Alckmin seguiriam na cola, ambos com 5%.

O G1 quebrou os números das preferências por faixa etária, nível educacional, origem geográfica e gênero.

O dólar fechou o dia ontem cotado a R$ 3,95 — o maior valor desde fevereiro de 2016. A postura defensiva do mercado veio desde cedo, com a expectativa em relação à pesquisa CNT/MDA, e seguiu durante a tarde como reação a estagnação de Geraldo Alckmin e por conta da expectativa sobre a pesquisa do Ibope. (Estadão)

Marco Aurélio Nogueira, da Unesp: “Chama atenção, nas pesquisas que se sucedem, a resiliência do quadro: os presidenciáveis mais competitivos estão agarrados ao chão, sem se deslocarem. Parte da explicação pode estar na insistência dos institutos de apresentarem Lula como candidato, fato que reitera a narrativa do ‘golpe’, mas também é um truque eleitoral que confunde a população. Bolsonaro persiste na dianteira, indicando que sua audiência é fiel. A segunda posição de Marina mostra que biografia épica, recall e insistência em uma ‘nova política’ compensam a falta de estrutura de campanha e a recusa a coligações. Ciro e Alckmin caminham abraçados, o eleitorado parece indiferente à qualidade técnica e à experiência administrativa que ambos podem exibir.” (Estadão)

Bernardo Mello Franco: “Parece que a eleição ainda não começou. Depois de dois debates e uma batelada de entrevistas na TV, os candidatos praticamente não se moveram. Faltam sete semanas para a eleição, e três perguntas devem definir o que acontecerá até outubro. São as seguintes: 1) Bolsonaro bateu no teto?; 2) A TV empurrará Alckmin para o segundo turno?; 3) Quantos votos Lula conseguirá transferir para Haddad?” (Globo)

O Ibope também fez levantamentos estaduais. Em São Paulo, João Doria, com 20%, e Paulo Skaf, com 18%, disputam a frente. O governador Márcio França está num distante terceiro, com 5%.

No Rio, a disputa está igualmente acirrada. Romário Faria tem 14%, seguido de Eduardo Paes e Anthony Garotinho, empatados em 12%. A candidatura de Garotinho, porém, pode não sair. A Procuradoria Regional Eleitoral pediu sua impugnação por conta de ter sido condenado por improbidade administrativa com enriquecimento ilícito de terceiro.

Em Pernambuco, Paulo Câmara tem 27% e, Armando Monteiro, 21%.

Aí tem aquele dia em que Alcione, a Marrom, visita Cármen Lúcia e Raquel Dodge. “Não deixe o samba morrer…”

Otávio Frias Filho, o diretor de redação da Folha de São Paulo que marcou a imprensa brasileira, morreu esta madrugada no Hospital Sírio-Libanês. A Folha era um jornal menor liderado por seu pai, Octavio Frias de Oliveira, quando Otavinho o assumiu, em 1984. Um ano antes, o diário havia feito uma cobertura agressiva da campanha das Diretas Já. Encampando o Projeto Folha, de modernização, o jovem diretor apostou num jornal que se encaixaria com o período democrático que nascia: plural e apartidário, com amplo espaço para todas as correntes de opinião, ao mesmo tempo em que sistemático na vigília de erros cometidos. Para ser jornalista, Otavio abriu mão de prazeres maiores. Quis ser acadêmico, foi dramaturgo quando pôde e ensaísta ocasional. Aos 61 anos, o jornalista tinha câncer pancreático. (Folha)

Marcelo Coelho: “O paletó quase invariavelmente preto, o tom excessivamente contido de suas intervenções, o constante desalento com a qualidade do que via impresso davam a Otavio uma aparência de melancolia que, fora das atribuições cotidianas do jornal, desaparecia rapidamente. A curiosidade científica, nesse espírito avesso à matemática, voltava-se especialmente para o ser humano: Otavio aprofundou-se em Lévi-Strauss e em Freud, antes de se apaixonar pela neurociência e pelas modernas aplicações do darwinismo. Pouco interessado em viagens de turismo e nada apreciador de voos de avião, era movido ao mesmo tempo por um intenso desejo de aventura e novidade.” (Folha)

De Otávio Frias Filho: Jornalismo, Um Mal Necessário. (Folha)

Em meio à crise da Abril, funcionários reclamam de terem sido demitidos sem receber nada.

HealthTech

Há uma polêmica borbulhando no meio dos apps de saúde. No centro está Natural Cycles, um aplicativo de celular que se oferece como método contraceptivo. Sem pílula, DIU ou camisinha. Todo dia pela manhã a usuária mede sua temperatura e preenche a tela. O app acompanha o ciclo menstrual e informa as datas de fertilidade. É, no fim, uma tabelinha sofisticada. Mas recebeu a certificação europeia no ano passado e, este mês, a autorização da FDA americana para se anunciar oficialmente como método contraceptivo. Natural Cycles, para iOS e Android, é utilizada por 900 mil mulheres em todo o mundo. Na Suécia, uma investigação foi disparada após 37 usuárias afirmarem que engravidaram. Segundo a empresa, o índice de falhas do app é de 6,5%. Talvez. O que os investigadores tentarão descobrir é se o número de falhas cai neste percentual. Seria uma eficácia extraordinária. De acordo com a American Pregnancy Association, o índice de falha da pílula anticoncepcional tomada oralmente é de 9% e, dos preservativos, 18%.

Um dos mitos modernos é de que celulares — ou WiFi — causam câncer. Não há qualquer indício de que seja verdade. Um estudo publicado no British Medical Journal mostrou que no período entre 1992 e 2008, enquanto o uso de celulares aumentava de 0 a 100% da população americana, não houve variação no número de casos de câncer cerebral. Outro estudo, coordenado pela OMS em 13 países, chegou à mesma conclusão: as ondas de rádio não têm energia o suficiente para causar qualquer dano ao DNA. E WiFi é ainda mais fraco.

O investimento em startups ligadas a medicina, em Israel, aumentou 50% nos últimos dois anos para US$ 425 milhões, em 2017. Deve passar dos US$ 600 milhões este ano. O boom nasceu da farmacêutica local Teva, a principal empregadora do setor, que cortou em um terço sua folha de pagamento. Pois os desempregados criaram empresas, várias delas voltadas para software. Uma delas, a TheRx Therapeutics usa um mix de big data e inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de novos remédios.

Viver

Os homens negros têm a menor expectativa de vida entre os grupos étnico nos Estados Unidos. Grande parte da lacuna é explicada pelas maiores taxas de doenças crônicas, como diabetes e doenças cardíacas, que afetam principalmente os com baixa renda e escolaridade. Falta de seguro e de acesso a cuidados de saúde são explicações para os dados. Mas um grupo de pesquisadores na Califórnia demonstrou que outra força poderosa pode estar em ação: a falta de médicos negros. Eles constataram que homens negros atendidos por médicos também negros são muito mais propensos a concordar com certas medidas preventivas, como a realização de exames para diabetes e colesterol, do que aqueles que eram atendidos por profissionais brancos ou asiáticos. A diferença pode estar na empatia. Mas embora 13% da população seja negra nos Estados Unidos, apenas 4% dos médicos o são. (New York Times)

Um grupo de alunas de diversas unidades do colégio Pensi, no Rio de Janeiro, mobilizou o Twitter na sexta-feira com uma campanha de denúncia de assédios por parte de professores, outros funcionários e alunos da escola. Com a hashtag #AssedioÉHabitoNoPensi, estudantes e ex-alunas relataram casos e acusaram a direção da escola de afastar uma professora que denunciou os casos. (Folha)

O movimento ganhou força e engajou alunas de outras escolas e estados do país. Elas se organizaram usando uma nova hashtag, a #SegundaVermelha, para incentivar que as adolescentes fossem às aulas ontem usando peças de roupa desta cor. (Globo)

Você já ouviu falar no efeito tesoura? É um fenômeno que atinge as mulheres na ciência. O número de profissionais do sexo feminino vai diminuindo nos níveis mais elevados da carreira. No Brasil, já se sabia que a proporção de mulheres cai na progressão das bolsas de pesquisa do CNPq — de 38%, no primeiro nível, para 24%, no último. Agora, estudiosas adicionaram a essa análise um degrau a mais: o ingresso na Academia Brasileira de Ciências. E o padrão se mantém. Dos 518 membros titulares da academia, apenas 14% são mulheres. Ao separarem os membros por área de conhecimento, elas constataram que as mulheres são subrepresentadas em todos eles. (Folha)

Cultura

O famoso e clássico álbum Thriller (Spotify), de Michael Jackson, já não é o mais vendido da história nos EUA. Foi ultrapassado pelo álbum de maiores sucessos dos Eagles, Their Greatest Hits 1971–1975 (Spotify). A banda norte-americana ocupa também o terceiro lugar do ranking da Associação da Indústria Fonográfica da América com outro clássico: Hotel California (Spotify).

A atriz italiana Asia Argento, uma das principais vozes que acusaram o produtor Harvey Weinstein de assédio, aceitou pagar US$ 380 mil a um jovem que disse ter sido atacado sexualmente por ela. As informações são do New York Times. O pagamento foi feito ao ator e músico Jimmy Bennett, que denunciou ter sido agredido sexualmente por Argento em 2013, em um hotel da Califórnia — ele tinha 17 anos no momento do suposto incidente com a atriz, que na época tinha 37. Nem a atriz e nem o ator quiseram falar com o jornal.

A pergunta, no início, parecia inocente. “Na frase ‘A Mônica riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar’, quem tentava impressionar era o Eduardo ou a Mônica?” Jogada assim ao léu, via Twitter, ganhou as redes e se espalhou. E, ora, se Mônica fazia medicina, falava alemão, gostava de Bandeira, Bauhaus, Van Gogh, Mutantes, Caetano e Rimbaud, a resposta parecia evidente. O garoto que jogava futebol de botão com seu avô é quem queria impressionar. Pois estavam errados. Dado Villa Lobos, um dos três integrantes da Legião Urbana, entrou no papo. “Pela regra do português, a Mônica tentava impressionar o Eduardo”, ele disse. “Senão, seria ‘o boyzinho que tentava impressioná-la.’”

A Legião toca Eduardo e Mônica ao vivo, em 1994. Um vídeo. Ou, no Spotify, a faixa original.