Marqueteiro detalha relação com Lula e Dilma


O marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, receberam R$ 35 milhões por conta da campanha eleitoral de 2014 da ex-presidente Dilma Rousseff via caixa dois, pagos pela Odebrecht. Outros R$ 70 milhões vieram de recursos legalmente declarados. O intermediário do pagamento foi o então ministro da Fazenda Guido Mantega. Na primeira campanha, de 2010, foi o PT que organizou os pagamentos da equipe de publicidade, mas o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, desviou parte dos recursos para outros gastos, irritando Dilma. A afirmação faz parte da delação premiada prestada perante o ministro Edson Fachin, do STF. Como a ex-presidente não tem direito a foro privilegiado, Fachin encaminhou os trechos do depoimento para o juiz Sérgio Moro. (Globo)

Os pagamentos atrasavam, informou Santana ao Ministério Público. “Nestas oportunidades, tanto Lula como Dilma se comprometeram a resolver o impasse e, de fato, voltavam a ocorrer”, ele declarou. Do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o publicitário diz ter ouvido que tudo dependia “da palavra final do chefe”, referindo-se a Lula. Foi Palocci quem primeiro lhe perguntou se teria conta no exterior e determinou que os pagamentos, via Odebrecht, seriam feitos por lá “para segurança de todos”. Certa vez, Santana ouviu de Lula, em tom de brincadeira, a pergunta: “E aí, os alemães têm lhe tratado bem?”. Referia-se aos Odebrecht. (Estadão)

Logo após sua reeleição, Dilma mandou convocar Mônica com urgência. Tinham conversas sigilosas em caminhadas pelo jardim do Palácio do Alvorada. A ex-presidente a comunicou que as investigações da Lava Jato se aproximavam do casal. “Precisamos manter contato frequente de uma forma segura para que eu lhe avise”, ela disse. Mônica, então, abriu no computador de Dilma uma conta Gmail com nome fictício através da qual se comunicavam. O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo municiava Dilma com dados sobre os avanços da investigação. (Folha)

Leia a íntegra das delações de Santana e Mônica.

Em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, Lula declarou que não pediu reformas no tríplex e que não tinha qualquer informação a seu respeito. Um dos procuradores lhe questionou, então, por que uma nota divulgada pelo Instituto Lula afirmou, em 2016, que as benfeitorias “seriam incorporadas ao valor final da compra”. “Nem sempre quando a nota é feita eu estou no instituto”, respondeu o ex-presidente. “Às vezes fico sabendo da nota pela imprensa.” (Folha)

Reinaldo Azevedo: “Sergio Moro esmagou o devido processo legal com um desassombro inédito em tempos democráticos. A maioria das perguntas que o juiz fez a Lula não guardava, a não ser por sua visão solipsista (bastante subjetiva…) do direito e das leis, nenhuma relação com o objeto do processo, a saber: o recebimento de propina oriunda de três contratos da OAS com a Petrobras.” (Folha)

Hoje faz um ano que Michel Temer assumiu a presidência da República, após o Senado acatar a abertura do processo de impeachment de Dilma. A Agência Lupa foi ao discurso de posse do presidente para checar que promessas foram cumpridas. Temer disse que ampliaria a relação do Estado com a iniciativa privada, por exemplo. Não o fez. Garantiu que manteria programas sociais como Bolsa Família, Pronatec, Prouni e Minha Casa, Minha Vida. Isto, fez. Mas Pronatec e Minha Casa tiveram seus gastos reduzidos. Também falou que pretendia dar mais autonomia a estados e municípios. Por enquanto, nada ocorreu.

De Gilmar Mendes sobre seu colega de toga no STF, Marco Aurélio Mello: “Os antropólogos, quando forem estudar algumas personalidades da vida pública, terão uma grande surpresa: descobrirão que elas nunca foram grande coisa do ponto de vista ético, moral e intelectual e que essas pessoas ao envelhecerem passaram de velhos a velhacos. Ou seja, envelheceram e envileceram.” Marco Aurélio se declarou impedido de participar de julgamentos a respeito de Eike Batista por ter uma sobrinha de 3º grau no escritório de Sérgio Bermudes, que representa o empresário. A Procuradoria Geral da República havia pedido que Gilmar fizesse o mesmo, já que sua mulher é sócia do escritório.

A lei que cria um documento nacional de identidade foi sancionada ontem. A ICN — Identificação Civil Nacional — começa a valer em 2021 e substitui RG, CPF e título eleitoral. O que não substitui são carteira de habilitação para motoristas ou passaporte. Por um motivo simples: em alguns casos, estes são documentos que podem ser retirados do cidadão. A ICN terá fotografia, registro biométrico e, talvez, um microchip.

Disque M Para Moro versus o Homem Que Não Sabia Demais

Tony de Marco

Moro-x-Lula

Cultura

Hebe Camargo, a estrela do rádio, a musa do SBT, morreu em 2012, aos 83 anos — e ainda negociava contrato televisivos, diva épica que era. Nasceu em 1929 e, desde então, esteve sob holofotes, cruzando a história da cultura brasileira. O jornalista Ivan Finotti, em texto na Folha, avalia a biografia da divina dama, recém-lançada, assinada por Artur Xexéo.

Nos cinemas, chegam às telas o aguardado blockbuster Alien: Covenant (trailer), com direção de Ridley Scott, e o documentário Crônica da Demolição (trailer), de Eduardo Ades, entre outros. Veja mais lançamentos do fim de semana.

Vão-se 40 anos anos desde a estreia de Star Wars — mais que um sucesso do cinema, uma referência da cultura contemporânea. A saga, diz o Guardian, é cheia de elementos caros ao melodrama, como um pai malvado, uma classe operária e um triângulo amoroso. Seria, define o jornal, algo como uma “novela das galáxias”. (Talvez a leitura, diga-se, não agrade muito seus fervorosos fãs.)

Galeria (da maior importância): uma estrela escondida sob molho de tomate e fatias de queijo, a pizza, não se pode negar, participou da história do cinema e da TV. Pois fazendo justiça histórica, há uma lista das dez melhores “atuações” da pizza no entretenimento — dos clássicos filmes Esqueceram de Mim e De Volta para o Futuro 2 até as séries Breaking Bad e Louie.

História de “uma inocência pisada, de uma miséria anônima”, como define o Estadão, o livro A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, completa 40 anos. Trata-se da obra mais popular da escritora e, pela efeméride, ganha nova edição. Chega agora às livrarias, com manuscritos de Clarice, ora caprichados, ora com garranchos da geniosa autora, como conta a reportagem.

Lista: maio é o mês da aclamada série House of Cards e do premiado filme Moonlight entrarem na Netflix. O Estadão lista o que vai surgir de novo no serviço de streaming.

Para ler com calma: por que as cidades mais criativas são as mais desiguais? Richard Florida, que estuda o impacto da criatividade no desenvolvimento urbano, discute como artistas e a gentrificação trazida por eles afetam os preços de cidades cosmopolitas, encarecendo aluguéis e serviços, por exemplo, e tornando-as, por fim, desiguais, feito vítimas do próprio sucesso. Em inglês, no Artsy.

Viver

Os casos de zika no Brasil caíram 95% neste ano, com relação a 2016, Também diminuíram os registros de microcefalia. O porém: ambas as reduções, relata a Folha, devem-se mais à sazonalidade do vírus do que à implantação de medidas preventivas efetivas. Os casos de dengue também tiveram queda de 90%, e a chicungunha, 68%.

Noelia Vicente dos Santos, a Nonô, foi a uma loja de brinquedos no shopping Eldorado, de São Paulo. A babá de 48 anos pegou um objeto, avaliou-o e, enfim, desistiu, por caro que era. Abandonou-o numa prateleira. Naquele momento, já estava sendo vigiada pelo segurança da loja. “Senti que tinha algo estranho naquele olhar, coisa que as pessoas negras sempre passam.” Nonô não estava errada. Em certo momento, foi abordada pelo mesmo segurança, que lhe questionava, de forma agressiva, segundo ela, onde estava o brinquedo que havia segurado (e descartado). Nonô entendeu que se tratava de racismo — e agora prepara uma ação por danos morais contra a loja e o funcionário. (Folha)

Para ler com calma: um casamento “aberto” é sinônimo de um casamento mais feliz? O New York Times apresenta relatos de casais não monogâmicos, sujeitos que podem descrever, de fato, como ficam sentimentos como ciúme e confiança em relacionamentos deste tipo.

Nos anos 1970, Mike Mandel era jovem e vivia em Los Angeles. À tarde, caminhava até um ponto e fazia apenas esperar. Quando o trânsito parava por completo, começava sua diversão. Bastava se aproximar de um carro, apontar a câmera para dentro do veículo e capturar, entre reflexos da paisagem no vidro, as reações dos confinados. Foi só há pouco que Mandel revisitou os 75 rolos de filmes da hora do rush. Selecionou as fotos para formar o livro People in Cars. O Guardian agora narra a história de suas imagens, vindas de um tempo em que câmera fotográfica não era telefone.

Cotidiano Digital

A cara do Windows vai mudar — e radicalmente. A interface do sistema vai ganhar elementos com três dimensões, sombreados e muito movimento. Ela estará tanto em telas de computador e dispositivos móveis como nos ambientes de realidade virtual. Os usuários começarão a perceber as mudanças já ao longo deste ano.

Vanessa Friedman, crítica de moda do New York Times, percebe uma crise no ramo dos grandes influenciadores. Recentemente, a modelo Kendal Jenner (80 milhões de seguidores no Instagram) se envolveu em duas confusões, quando publicidades da qual participou foram muito mal recebidas nas redes. A Disney se viu obrigada a cortar os laços com PewDiePie, um youtuber estrela que fez comentários antissemitas. Para Friedman, o problema de influenciadores das redes sociais em campanhas é que seus seguidores os veem como amigos, não como estrelas distantes. Cada vez mais, quando usados para ações de marketing tradicional, são cobrados pela sua base de ‘amigos’. Soa como traição. E, com frequência maior, pode se tornar um tiro no pé para quem promove a campanha.

Por falar em influenciadores digitais… segundo a delação do casal João Santana e Mônica Moura, o perfil Dilma Bolada rendeu a seu criador um pagamento de R$ 200 mil. (Estadão)

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