Moro se apresenta como lado ponderado do governo


Em sua primeira coletiva à imprensa, o futuro ministro Sergio Moro surpreendeu por destoar — e um bocado — do estilo e das opiniões de Jair Bolsonaro. “O confronto policial pode acontecer quando existem áreas dominadas pelos criminosos”, afirmou o juiz licenciado, “mas ele é sempre indesejável.” Moro se mostrou desconfortável com a ideia de legislação para ampliar a permissão de matar da polícia, o excludente de ilicitude defendido pelo futuro presidente. “A nossa legislação, a meu ver, já contempla situações de legítima defesa.” Não adotou, porém, uma posição de confronto. “Não vejo risco à democracia e ao Estado de Direito”, disse. “Sou um juiz, um homem de lei, jamais admitiria qualquer solução fora da lei.” Também se pôs em confronto na opinião a respeito dos movimentos sociais. “As pessoas têm liberdade de expressão, de manifestação, e não é diferente com movimentos sociais”, explicou. “Em nenhum momento se tem a intenção de criminalizar manifestações, movimentos. Qualificá-los como uma espécie de organização terrorista não é consistente.” Ele, porém, afirmou que existem os limites já previstos em lei. “Quando há danos e lesões a pessoas, não pode tratar esses movimentos como inimputáveis.”

O futuro ministro chegou ao ponto de questionar mexidas no controle de armas. “Uma flexibilização excessiva pode ser utilizada como armamento para organizações criminosas.” Ele compreende que a proposta faz parte do discurso com o qual Bolsonaro se elegeu mas propõe, por exemplo, limitar o número de armas que uma pessoa possa ter.

Sergio Moro tem dois focos principais em sua atuação no ministério. O primeiro é reforçar o combate à corrupção. O segundo, combate ao crime organizado. Ele planeja trazer de volta as dez medidas contra a corrupção. “A ideia é trazer propostas simples que possam ser aprovadas em um breve tempo”, explicou, “sem prejuízo de propostas mais complexas.” O magistrado indicou que pretende trazer pessoas com quem trabalhou na Lava Jato para o ministério e que planeja substituir cargos de comissão por concursados. Quer construir, para lidar com o crime organizado, uma força tarefa nos moldes da que comandou e investir pesado em inteligência.

Paulo Celso Pereira: “Jair Bolsonaro passou boa parte da campanha alternando-se entre silêncio e a apresentação de soluções simples para problemas complexos. Ontem, o juiz Sergio Moro optou pelo caminho oposto. Por quase duas horas, apresentou propostas objetivas e opiniões claras sobre a melhor forma de se combater a corrupção e a criminalidade — fugindo de bravatas e reconhecendo, inclusive, que será necessário tempo. Ora mostrou afinidade, ora mostrou divergir de ideias do presidente eleito. Deixou claro que usará a própria popularidade para impedir ataques aos pilares democráticos, afagando a imprensa, destacando que não haverá discriminação contra minorias tampouco criminalização a manifestações.” (Globo)

Pois é… Pela primeira vez desde sua eleição, Bolsonaro passou o dia em Brasília. Dedicou tempo aos comandantes militares e, a eles, garantiu que não pretende contingenciar seus recursos. Seu momento mais marcante, porém, foi na sessão do Congresso que — acompanhada pelos presidentes da República, Michel Temer, e do Supremo, Dias Toffoli — celebrou os 30 anos da Constituição. Convidado a falar de improviso, o presidente eleito pegou a Constituição e a mostrou. “Na democracia”, disse, “só há um norte, é o da nossa Constituição.”

Então… Quando primeiro foi perguntado a respeito da ameaça egípcia de corte de importações de carne brasileira se o país transferir a embaixada em Israel para Jerusalém, Bolsonaro se esquivou da pergunta. Mais tarde, começou a dar para trás. “Não é um ponto de honra esta decisão.” (Folha)

O SBT levou ao ar por um dia uma série de novas vinhetas. Em uma, o slogan era ‘Brasil, Ame-o ou Deixe-o’. A outra seguia no embalo da canção Pra Frente, Brasil. Sua nostalgia por outros tempos não caiu bem nas redes. “A emissora não se atentou para o fato de que a frase remetia ao período do regime militar”, explicou numa nota em que anunciava sua retirada. Foi um “equívoco”. (Veja)


Os resultados finais ainda demoram alguns dias para sair, mas o Partido Democrata reassumiu o controle da Câmara, tendo conquistado pelo menos 24 novas cadeiras. Por enquanto, tem 218 deputados, o mínimo para garantir maioria e poder escolher o presidente da Casa, contra 193 republicanos. Ainda faltam os resultados de 24 eleições e a vantagem deve ser ampliada. No Senado, deu-se o oposto. O Partido Republicano conseguiu ampliar sua vantagem, ganhando no mínimo três novos assentos. A composição está em 51 republicanos contra 44 democratas, faltam cinco decisões. Os três novos parlamentares não apenas substituem oposicionistas como são mais conservadores e fizeram campanha de franco apoio ao presidente Donald Trump. Ainda assim, o fato de ter perdido a Câmara custará caro a Trump, pois CPIs serão abertas. A notícia foi boa para a oposição também nas disputas estaduais, onde democratas viraram pelo menos seis governos que estavam em mãos republicanas incluindo, a maior surpresa, a do em geral conservador Kansas. Nesta eleição de meio de mandato, estavam em disputa todas as vagas da Câmara, um terço do Senado e 36 dos 50 governos estaduais. (Washington Post)

Cultura

Monicat, DJ Cebola, Maga Li e MC Cascão. O artista germano-brasileiro Gabriel Jardim, radicado em João Pessoa, retratou os personagens da Turma da Mônica numa versão bem próxima da realidade brasileira. Criou a Turma do Morro. A carioca Anitta foi a musa inspiradora para Monicat. MC Pocahontas para Maga Li. O DL Kalfani, filho do KL Jay, foi a matriz para o DJ Cebola e o MC Guimé para o MC Cascão. “É a Turma da Mônica com cultura de funk e morro.”

Quem passava pela estação Paraíso do metrô de São Paulo na tarde de ontem se deparou com uma surpresa: um show da banda Capital Inicial. A apresentação foi parte da divulgação do Rock in Rio, que tem início da venda de ingressos no próximo dia 12. Veja o vídeo.

Passaram-se 46 anos desde que foi gravado, mas o documentário Amazing grace (trailer), sobre a rainha do soul Aretha Franklin, morta em agosto deste ano, finalmente vai estrear. O filme é do aclamado diretor Sydney Pollack e foi gravado em 1972. Ele vai estrear no festival DOC NYC em 12 de novembro, e em janeiro de 2019 deve ter sua estreia global. (Globo)

E vem reboot por aí. Segundo a Variety, a Univeral Pictures chamou Chris Meledandri, o guru da animação por trás da franquia Meu Malvado Favorito, para criar um reboot de duas das marcas mais lucrativas do gênero: Shrek e seu derivado, Gato de Botas. Ainda não há previsão de estreia.

Viver

A produção de energia eólica no Brasil atingiu a marca de 14 gigawatts de capacidade instalada. Ou seja: já se equipara a capacidade instalada da usina hidrelétrica de Itaipu. São 568 parques eólicos e mais de 7.000 aerogeradores em 12 estados. Os estados do Nordeste agregam a maior parte da produção. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica, a energia gerada equivale atualmente ao consumo residencial médio de cerca de 26 milhões de habitações — 80 milhões de pessoas.

A China ultrapassará a França como o principal destino turístico do mundo até 2030. Além de receber mais visitantes do que qualquer outro lugar do mundo, também terá o maior número de viajantes saindo do país, superando os EUA e a Alemanha. O aumento de visitantes deve-se principalmente ao crescimento econômico e à renda mais alta nos países asiáticos próximos. O acesso ao país também está melhorando para os vizinhos, que podem obter vistos com mais facilidade do que antes — atualmente, 80% dos turistas que visitam a Ásia vêm de dentro do continente. Os processos de vistos continuam menos simples e mais caros, porém, para alguns países.

O Brasil está prestes a reconhecer o valor histórico de um geoglifo. Trata-se da representação de um quadrado com um círculo, concêntricos, que ocupa uma área 20 mil metros quadrados no Acre. O desenho foi construído a partir de valas de aproximadamente 11 metros de largura e 2,5 metros de profundidade e, segundo cientistas, deve ter sido feito em um período de 1,5 mil a 2,5 mil anos atrás. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, vai se reunir nos dias 8 e 9, no Pará, para decidir sobre o tombamento da estrutura. Se for tombada, será a primeira vez que um geoglifo terá o reconhecimento de patrimônio do órgão. A figura também está entre os bens candidatos a integrar a lista de Patrimônio Mundial.

Pois é. Há mais de 500 desses estranhos desenhos geométricos espalhados pelo território do Acre. Eles reforçam a ideia de que na Amazônia existiu uma população milenar numerosa e hierarquizada 2,5 mil anos antes da chegada dos europeus.

Em abril deste ano, as descobertas se deram no Peru: arqueólogos descobriram com drones e imagens de satélite mais de 50 geoglifos com mais de 2 mil anos no deserto de Nazca.

E físicos italianos chegaram a uma equação para a pizza perfeita.

Cotidiano Digital

Abre hoje, em San Francisco, a Conferência para Desenvolvedores da Samsung. E quando o CEO do braço mobile da empresa, DJ Koh, subir ao palco principal logo mais, ele deve apresentar pelo menos um produto de impacto: o Samsung F, o smartphone dobrável que a companhia vem prometendo há mais de um ano. Todas as grandes empresas de tecnologia fazem uma destas reuniões anualmente: servem um pouco para falar ao público geral dos planos futuros, mas o foco principal está em quem cria aplicativos e acessórios para as plataformas. Apresentar o modelo F, portanto, é em essência iniciar as encomendas de apps que funcionem usando seus recursos. O lançamento deve ocorrer no ano que vem. Neste caso, a dobra dará ao aparelho uma tela maior — é como carregar um tablet que cabe no bolso. Campeãs em vendas de smartphones, Apple e Samsung veem as vendas declinando ano a ano. É natural: não há grande novidade faz tempo e os consumidores vão postergando a troca de celulares. Uma câmera um pouco melhor, a tela ligeiramente maior, já não fazem tanta diferença. A esperança da empresa coreana é de que este novo aparelho cause impacto suficiente para mudar os rumos do mercado.

A Watrix, uma companhia chinesa de aprendizado de máquina — uma forma de inteligência artificial — está desenvolvendo em forma acelerada um software que reconhece o caminhar de uma pessoa. Já em uso experimental pela polícia através das câmeras de rua em Xangai e Beijing, o programa permite o reconhecimento por análise do rosto. Se ele estiver encoberto ou distante demais para a resolução necessária, não é problema. O formato do corpo e o jeito de andar também servem para identificar qualquer um. O programa é sofisticado o suficiente para cravar a identidade mesmo que o indivíduo finja mancar ou tente disfarçar doutra forma.

Tudo indica que a Microsoft quer tirar este Meio do mercado. Um grupo de pesquisadores da empresa fez publicar um paper no qual detalha como funcionaria um algoritmo de inteligência artificial capaz de criar sumários de textos longos. Esta ainda é uma fronteira por conquistar mas, ao menos na teoria, um avanço foi feito. Cá da aldeia do Astérix, resistiremos.