O Brasil como ele é, pelos olhos da Odebrecht


Como é praxe nos feriados, o Meio não circulará amanhã, Sexta-feira Santa. Estamos de volta na segunda para encarar o país que, agora, conhece suas entranhas como nunca.

Daqui, nosso programa será acompanhar a discussão travada por vocês, nas redes, sobre como reconstruir a política brasileira. O caminho é uma constituição? É outro? Mande os links com suas opiniões. Estamos preparando um pacote dos leitores para a segunda-feira. — Os editores.

O Brasil como ele é, pelos olhos da Odebrecht

Um dia após tornar públicos os pedidos de abertura de inquérito baseados nas delações de executivos da Odebrecht, o ministro Edson Fachin decidiu derrubar o sigilo dos vídeos com todos os depoimentos dos 77 delatores. A principal estrela filmada é, como não poderia deixar de ser, Marcelo Odebrecht.

Nas muitas entrevistas com os investigadores, o empreiteiro afirma que havia deixado à disposição do presidente Lula uma conta corrente com R$ 40 milhões que era gerida pelo ex-ministro Antonio Palocci. Ele afirma, ainda, que tinha em média, dois encontros longos com a ex-presidente Dilma todos os anos, embora seus principais interlocutores, no Planalto, tenham sido primeiro Palocci e, após, o também ex-ministro Guido Mantega. Ele não tem dúvida de que Dilma sabia, se não do valor preciso, ao menos da ordem de grandeza do dinheiro gasto por sua empresa com o caixa dois de campanha. Ela sabia, também, que boa parte era para o financiamento do trabalho do marqueteiro João Santana. “Não existe ninguém no Brasil eleito sem caixa dois”, ele afirmou. “Caixa dois era três quartos” do custo.

Sugestão de binge para o feriado: uma playlist com os depoimentos dos principais delatores da Odebrecht que já foram liberados.

E, se sobrar tempo… O Jota pôs no ar um banco de dados com tudo sobre a Lava Jato.

Pescado do depoimento de Emílio Odebrecht: “O que nós temos no Brasil não é um negócio de cinco, dez anos. Estamos falando de 30 anos atrás. Então tudo que está acontecendo era um negócio institucionalizado, era uma coisa normal, em função de todos esses números de partidos. Eles brigavam era por cargos? Não, era por orçamentos gordos. Ali os partidos colocavam seus mandatários com a finalidade de arrecadar recursos para o partido, para os políticos. Há 30 anos que se faz isso.” (Globo)

Delações passadas não faltam. A Odebrecht pagou propina para fazer as obras do Sambódromo e dos CIEPS, no governo de Leonel Brizola, no Rio. Assim como pagou, em São Paulo, pela duplicação da Ferrovia Campinas/Santos e Usina Hidrelétrica de Nova Avanhandava (governo Paulo Maluf), Metrô de São Paulo e Rodovia Carvalho Pinto (governos Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury). (Globo)

Mas… ao falar sobre Lula, Emílio Odebrecht ri. “Foi de jacaré a crocodilo”, conta. “O pessoal dele estava com a goela muito grande.” (Folha)

Alguns dos nomes citados na versão inicial da lista de inquéritos abertos pelo ministro Edson Fachin podem não ser investigados. São os deputados Jarbas Vasconcelos e Paes Landim, os senadores Marta Suplicy, Garibaldi Alves, José Agripino Maia e Maria do Carmo Alves, além do ministro Roberto Freire. Fachin quer saber da Procuradoria Geral da República se será possível punir algum deles. Todos têm mais de 70 anos, seus supostos crimes ocorreram há anos, as penas potenciais são baixas e, tudo somado, as chances de prescrição ao final do julgamento são altas. (Jota)

Vera Magalhães põe a lupa no quadro político para detectar, dentre possíveis candidatos à presidência, quais não parecem ter sido atingidos pelas investigações de Fachin: o tucano João Doria, o democrata Ronaldo Caiado, e, à esquerda, Marina Silva e Ciro Gomes. (Estadão)

O PSOL defende que políticos investigados pelo Supremo devem renunciar a cargos de liderança e relatorias importantes. É o caso, além dos presidentes das duas casas do Congresso, do relator da Reforma da Previdência, Arthur Maia. (Estadão)

Aliás… o vereador carioca Leonel Brizola Neto, do PSOL, é citado como receptor de propina da Odebrecht por conta dos Jogos Olímpicos. (Globo)

Um acordo entre Fernando Henrique, Lula e Temer está sendo costurado nos bastidores por dois emissários principais. Um é o ex-ministro do STF, Nelson Jobim, e o outro o atual ministro, Gilmar Mendes. A preocupação que reúne o atual presidente e os dois ex é a de um pleito tumultuado em 2018 que abra espaço para um outsider aventureiro. Pelo acordo, os três trabalhariam para manter Temer à frente do Planalto até a eleição que vem. E que Lula a disputará. (Folha)

O parecer do deputado tucano Rogério Marinho propõe revogar 20 itens da CLT, além de modificar outros 90. Muitos são pontos defasados. A lei, por exemplo, considerava necessário autorizar mulheres a entrar na Justiça sem a necessidade de ajuda de pais ou maridos. Faz décadas que o artigo é obsoleto. Outras mudanças são reais transformações. A proposta de reforma prevê que a homologação da demissão, por exemplo, pode ser celebrada sem a intermediação de sindicatos. Da mesma forma, deixa de ser necessário provar quitação de imposto sindical na hora da contratação. O ponto mais polêmico, porém, é que o acordado passa a prevalecer sobre o legislado. Trabalhadores e sindicatos poderão negociar contratos mesmo que existam impeditivos na lei. (Globo)

Enquanto isso, o Banco Central reduziu os juros em um ponto percentual de 12,25% para 11,25% e indicou que deve continuar a cortar nos próximos meses. O mercado financeiro parece não parece estar reagindo mal ao impacto das delações, mas ainda espera a aprovação da reforma da previdência.


Desde o início do mês, ativistas de direitos humanos vêm denunciando uma escalada da perseguição a homossexuais na Chechênia. Há suspeitas de que tenham sido criados campos de concentração. Um porta-voz do presidente Ramzan Kadyrov se manifestou, hoje. “É mentira”, ele disse, “porque não seria possível prender ou ameaçar pessoas que não existem no país. Na Chechênia, os homens levam vidas saudáveis, praticam esportes e têm uma única orientação sexual.” O governo Kadyrov é mantido no poder com apoio russo.

Viver

Depois do caso José Mayer, acusado de assédio pela figurinista Su Tonani, é a vez de o reality show BBB estar na mira do debate sobre violência e assédio contra a mulher. No Globo, especialistas debatem o novo caso. A diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher do Rio, delegada Marcia Noeli Barreto, que investiga o caso, declarou: “Me deixa muito feliz saber que, agora, mulheres estão se sentindo fortes o suficiente para compartilhar suas experiências”.

E como amanhã é Sexta-feira Santa: o consenso entre historiadores, hoje, é de que Jesus muito provavelmente existiu. Reinaldo José Lopes conta como se chega a esta conclusão. Ou seja, existiu um homem percebido por seus seguidores como santo que morreu crucificado, por volta do ano 30, sob ordens de Pôncio Pilatos.

Cultura

A Globo vai lançar em streaming, de uma vez só, a primeira temporada da série Brasil a Bordo, de Miguel Falabella. Os episódios estarão disponíveis no Globo Play a partir de 4 de maio, mas só chegam à TV aberta em janeiro de 2018. Em junho, será a vez de Carcereiros, que também virá completa. Em entrevista à Folha, o diretor de programação Amauri Soares fala sobre a relação da Globo com internet e sustenta que, ao contrário da Netflix, o canal se mantém firme em seu propósito original: criador de conteúdo.

Na novela da Ancine, que há meses discute seus futuros diretores, definiu-se ontem um dos novos nomes. Sérgio Sá Leitão, que já foi diretor da RioFilme, assume uma das quatro cadeiras do órgão que fomenta o audiovisual brasileiro. Ele não ocupa a vaga principal, de Manoel Rangel, que deve ficar com João Batista de Andrade. Por outro lado, já começa falando: à Folha, atacou o excesso de burocracia do órgão, que “atrapalha o pleno desenvolvimento do setor”.

Visitar o Rancho Skywalker, ganhar ingressos para a estreia de Star Wars: O Último Jedi ou ainda aparecer no filme sobre o jovem Han Solo. São as três principais prendas da campanha beneficente Force for Change, programa de doação de fundos coordenados pela Lucasfilm e Walt Disney. (Globo)

Vencedor de dois Oscar, o filme Manchester à Beira-Mar pode ter inspirado um crime em Nova York. Na história (do longa), um homem vive o luto por ter incendiado, por acidente, a própria casa e matado os dois filhos. Na história (real), diz o juiz, o casal acusado teria incendiado a casa para acobertar o assassinato de um filho.

Jude Law vai estrelar sequência de Animais Fantásticos e onde Habitam. Teve sua participação confirmada na continuação do filme, baseado nos livros de J. K. Rowling (mas com histórias anteriores às de Harry Potter). Law fará o jovem Dumbledore.

Estreia sábado a série (inusitadamente) animada Angeli, The Killer, no Canal Brasil. Veja o trailer.

Aliás… o chargista pôs no ar site e loja virtual.

Cotidiano Digital

Ontem foi dia do IPO da Netshoes. A empresa abriu seu capital na bolsa de NY e levantou US$ 148,5 milhões. As ações caíram pouco mais de 10% no primeiro dia de negociação, mas a operação foi considerada um sucesso. É a primeira vez que uma startup brasileira consegue chegar lá.

Pode uma propaganda comandar seu smartphone? Pode, e o Burger King o fez, com um divertidíssimo anúncio em que o atendente da rede chega perto da TV e pergunta: “Ok Google, o que é um Whooper?” E recebe de volta o assistente dos celulares Android dando os ingredientes do principal sanduíche da rede. A brincadeira não durou muito, o Google conseguiu criar um bloqueio para o comercial poucas horas depois de ele ter sido divulgado.

E por falar em assistentes digitais, a Samsung anunciou que seu novo S8 sairá sem comandos de voz para sua nova assistente digital, Bixby. Outras funcionalidades inteligentes estarão prontas, mas faltam ajustes para a interação por voz funcionar.

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