Temer aumenta imposto enquanto gasta no Congresso

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Jul 20, 2017 · 8 min read

A alíquota de PIS/Cofins que incide sobre combustíveis vai aumentar. É uma forma de ampliar a arrecadação de impostos sem que seja necessário passar pelo Congresso Nacional e que, ao mesmo tempo, entra em vigor de imediato. O Planalto deve divulgar hoje detalhes. Mas o motivo é claro: a meta de manter o rombo fiscal em R$ 139 bilhões vai estourar em mais R$ 10 bilhões se não entrar dinheiro novo. (Estadão)

Parlamentares aliados ao governo, informa a Coluna do Estadão, ficaram tensos com o anúncio do aumento de impostos. Temem aumentar o desgaste do Planalto. No Globo, Lauro Jardim dá o outro lado: Henrique Meirelles vem pressionando o Palácio. Quem fica tenso é ele, sempre que lê sobre liberação de emendas.

Em tempo: nas últimas duas semanas, o governo liberou R$ 15 bilhões em investimentos e emendas para se salvar na Câmara. (Globo)

Cida Damasco: “Aumento de impostos é uma conversa que não agrada a nenhum tipo de contribuinte, sejam pessoas físicas ou empresários. Mas novos cortes de gastos, num momento em que cresce o poder de barganha do Congresso e a máquina pública começa a emperrar por falta de dinheiro — nesse sentido, a crise na emissão de passaportes é exemplar — , poderiam complicar ainda mais a vida de Temer. Que, por enquanto, ganhou apenas o primeiro round na luta pela sobrevivência.” (Estadão)

O clima entre os presidentes da República, Michel Temer, e da Câmara, Rodrigo Maia, pode ter melhorado um pouco após o jantar. Mas Maia, que vinha falando apenas em off, passou a se queixar mais abertamente sobre Temer. “Tem muita gente no entorno do presidente falando demais”, queixou-se o deputado. Ontem, a briga foi pelo destino de dez deputados insatisfeitos no PSB. Maia negociava sua migração para o DEM, Temer entrou convidando-os para o PMDB, preocupado com seus votos — pró ou contra a denúncia que pode suspender seu mandato.

Kennedy Alencar: “Esse episódio exibe as mazelas da fragmentação partidária, em que grupos de dez deputados têm peso enorme a ponto de estimular um duelo público entre os presidentes da República e da Câmara. Essas fatias do Congresso atuam sem norte ideológico, mas apenas por interesses fisiológicos. São o retrato da necessidade de uma reforma política para diminuir o número de partidos.”

Lucio Funaro conseguiu a segunda prorrogação de sua estadia na carceragem da Polícia Federal. Ele chegou vindo do Presídio da Papuda no dia 5, para prestar esclarecimentos ao MP. Deveria ter voltado na última sexta, mas a Justiça prorrogou o prazo até ontem. Funaro ganhou mais tempo — até o dia 28. O doleiro era o homem chave na lavagem de dinheiro do PMDB. Ninguém tem dúvidas de que está trabalhando em sua delação.

O sucesso de Funaro é um problema para Eduardo Cunha. Segundo o Painel, os procuradores da Lava Jato têm dito que só homologarão uma das duas delações: ou a do doleiro, ou a do ex-presidente da Câmara. Tática de negociação ou não, o material apresentado por Cunha tem sido recusado. O MP acha pouco. Esta semana começou uma nova rodada de negociações. O ex-deputado carioca está centrando sua munição em Temer. A corrida tem data para terminar. Quando o Supremo voltar do recesso, na primeira semana de agosto, uma das duas será apresentada ao ministro Edson Fachin. (Folha)

E… O publicitário Marcos Valério está delatando. Personagem principal do Mensalão, falará sobre desvios nas campanhas tucanas de Minas (Azeredo e Aécio), corrupção nos Correios (governo Lula), além de Banco do Brasil e Eletrobrás (governo FH). (Globo)

Aliás… O lobista Jorge Luz revelou ao juiz Sérgio Moro, ontem, ter intermediado o pagamento de R$ 11,5 milhões ao deputado federal Anibal Gomes e aos senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho, todos do PMDB. Em troca, eles garantiram o apoio a Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, diretores da Petrobras, que estavam balançando nos cargos. Eram os homens-chave do esquema de corrupção que desaguaria na Lava Jato. (Globo)

Marcelo Bretas, juiz da Lava Jato no Rio: “A quebra do Rio certamente tem algum componente externo? Sim. Porque todo o mundo está melhorando e o Rio não? É muito simples. Você teve uma administração comprometida com corrupção durante muitos anos. E o administrador corrupto é necessariamente um mau administrador. Então é só isso. Não é só o dinheiro roubado. As opções são todas questionáveis. Toda opção de investimento, se bobear não deve ter nenhuma que eu diga ‘ah, essa aqui fazia bem’. Grande parte tem alguma coisa por trás, então são sempre as piores escolhas, os piores contratos.”

Cultura

Autor de mais de cem obras, o romancista e historiador francês Max Gallo morreu ontem, aos 85 anos. Escrevia sobretudo livros cujo gênero chamava de ‘ficções políticas’, sobre sagas históricas como a Revolução Francesa ou a Segunda Guerra, como lembra o Globo. Também assinou biografias de grandes personagens, como Napoleão Bonaparte e Luís XIV.

A Livraria Cultura está comprando a operação brasileira da FNAC e vai assumir suas 12 lojas, distribuídas em sete estados. O anúncio foi feito pela holding francesa que decidiu sair do Brasil. Pelo acordo, a Cultura vai licenciar a marca FNAC no país. A Cultura, endividada, conseguiu fechar a compra porque os franceses lhe deram R$ 150 milhões para se livrar do negócio no Brasil. Eles conseguem sair enquanto a tradicional livraria paulistana tentará gerar sinergias internas e cortar gastos entre as duas cadeias.

O Prêmio da Música Brasileira fez ontem sua festa anual, no Teatro Municipal do Rio. Carente de patrocinadores nesta edição, abriu-se pela primeira vez (em quase 30 anos) ao público pagante. Segundo a Folha, conseguiu driblar a crise e reuniu grandes estrelas no palco, como de costume. Maria Bethânia e Lenine venceram como melhores cantores de MPB, e Zeca Pagodinho, de samba. Veja a lista completa dos vencedores.

Na véspera do evento, aliás, o homenageado do prêmio, Ney Matogrosso, deu excelente entrevista ao jornal: “Eu não defendo gay apenas, defendo índios, fiz um vídeo recentemente pedindo a demarcação de terras. Defendo os negros, que estão na mesma situação que viviam nas senzalas, estão presos aos guetos. Me enquadrar como ‘o gay’ seria muito confortável para o sistema. Que gay o caralho. Eu sou um ser humano, uma pessoa. O que eu faço com a minha sexualidade não é a coisa mais importante na minha vida. Isso é um aspecto, de terceiro lugar”.

O cantor Otto antecipou uma música de seu novo disco, Ottomatopeia. É Bala, que já tem clipe. O álbum completo será lançado amanhã, na internet.

Despacito foi reproduzida quase 5 bilhões de vezes na internet. A música dos porto-riquenhos Luis Fonsi e Daddy Yankee é a mais tocada na história dos serviços de streaming, segundo a Universal. Foram 4,6 bilhões de reproduções — mais que os 4,3 bilhões de Sorry, hit de Justin Bieber.

Ironicamente, aliás… foi o ídolo teen quem deu um empurrãozinho no lançamento de Despacito e participou de um remix da música. Depois disso, ela viralizou — e desbancou o próprio Bieber.

Como parte da comemoração dos 20 anos do primeiro tomo de Harry Potter, dois novos livros sobre o bruxo serão lançados até o fim de 2017, anunciou sua editora. A previsão de lançamento é outubro, mas só no exterior. Para o Brasil, ainda não há data definida.

Viver

Ontem foi o primeiro dia da venda de maconha em farmácias do Uruguai, país pioneiro na descriminalização da erva, desde seu cultivo à comercialização. Segundo o El País, a demanda foi grande — às cinco da tarde, já estavam esgotados os estoques nas farmácias autorizadas de Montevidéu, e não se sabe ao certo quando serão repostos. A maconha lá vem em pacotes de 5 gramas, que custam o equivalente a R$ 20. A cota máxima permitida para compra é de 40 gramas por mês por usuário.

Enquanto isso, na Suíça… sai por US$ 20 (por volta de R$ 60) o maço de cigarro de maconha — prontinho, com cada unidade devidamente ‘finalizada’, qual cigarro de tabaco das grandes indústrias. Para comprar, basta comprovar ser maior de 18 anos.

Um morador de rua em São Paulo possivelmente morreu de frio nesta semana. Tinha por volta de 45 anos, e seu corpo estava estendido no chão, na calçada de movimentado cruzamento no bairro de Pinheiros. Foi encontrado na terça-feira, não apresentava sinais de violência — daí a suspeita de morte por hipotermia. Se confirmada, será a segunda causada pelo frio neste ano na capital. Em junho passado, um homem com cerca de 50 anos foi encontrado morto em outra região da cidade, também com sinais de hipotermia. (Estadão)

Enquanto isso, serviço de limpeza terceirizado pela prefeitura de São Paulo acorda moradores de rua com jatos d’água no centro da cidade. A CBN confirmou a crueldade e, às sete da manhã, presenciou um caminhão de limpeza urbana a lançar água nos que dormiam na região da Sé. Os termômetros então marcavam 12º.

Lembra do caso da garota que andava para cima e para baixo com o colchão de sua cama pela Universidade de Columbia, em NY? Ela então protestava: tinha acusado outro estudante de tê-la estuprado, em 2013, e sentia que sua denúncia era negligenciada pela instituição. Seguiram-se inúmeras reportagens sobre casos semelhantes pelos EUA, relatos chocantes de calouras de universidades que eram frequentemente assediadas por colegas. Pois agora, quatro anos depois, a Columbia deu o caso por concluído: fechou acordo com o acusado de estupro, inocentando-o. (Folha)

Cotidiano Digital

A Amazon está próxima de ter acesso ao domínio de alto nível (gTLD) .amazon — é o que vem no final de cada endereço da internet, como .com, .org ou o próprio indicador de país, .br. Em 2014, a ICANN, órgão que gerencia este tipo de questão na rede, negou à principal varejista digital esta posse. Brasil, Peru e depois outros países que têm a Amazônia real em seus territórios haviam protestado. Alegam que dar o monopólio desta terminação de endereço para uma empresa comercial tiraria o direito de governos e ongs de usarem-no para tratar online da floresta. A Amazon não desistiu. No último dia 11, o painel de recursos da ICANN recomendou que a diretoria acate o pedido da loja eletrônica. A decisão final ainda está por vir — e Cristina De Luca conta os detalhes da briga diplomática digital.

O Facebook vai criar um paywall para notícias. Assim como ocorre em sites de jornais, após a abertura de dez notícias a cada mês dentro da rede social será cobrada uma assinatura. O projeto ainda está em testes, não há prazo para sua implementação. No mês passado, jornais americanos questionaram Google e Facebook perante o Congresso do país. Argumentam que as empresas jornalísticas arcam com os altos custos da produção de notícias, mas são as empresas do Vale do Silício que têm feito a maior parte do dinheiro com a leitura.

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