Temer e Joesley entram em guerra aberta


O presidente Michel Temer está a caminho da Rússia. Mas, antes que deixasse o país, fez seus advogados protocolarem uma queixa crime por calúnia, injúria e difamação e um processo civil, por danos morais, ambos contra o principal acionista da JBS, Joesley Batista. Defende-se, principalmente, da acusação de que chefia uma “organização criminosa”, feita em entrevista à Época. Não adotou apenas o caminho da Justiça. Gravou, também, o segundo vídeo no espaço de uma semana em resposta ao empresário. “Acabamos com os favores que privilegiavam apenas algumas poucas empresas”, afirmou. “E muita gente não gostou disso.” O Planalto chegou a cogitar a transmissão via cadeia de rádio e TV. Desistiu por medo de um panelaço.

Eduardo Cunha, igualmente citado por Joesley, também partiu para a briga. Na entrevista, o empresário afirmara nunca ter tido uma “conversa não republicana com Lula”. O ex-presidente da Câmara nega e cita ter estado, com Joesley e Lula, numa reunião que durou horas “a fim de discutir o processo de impeachment”. Segundo Cunha, a maneira como o empresário e Lula se tratavam dava mostras de que se viam com frequência. E, de certa forma, o político preso ainda desmente Temer. “É estranho que, mesmo atacando o governo, ele seja o maior beneficiário de medidas como a MP 783, do Refis, e grande beneficiário da MP 784, da leniência com o Banco Central.”

E o relatório parcial da Polícia Federal, entregue ontem ao STF, acusa Temer e seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures de terem cometido o crime de corrupção passiva. A PF pediu mais cinco dias para avaliar as acusações de obstrução de Justiça contra o presidente.

Esta não é uma guerra que terminará tão cedo: deve ficar pronta esta semana a perícia, feita pela PF, da gravação de Joesley com Temer, informa Lauro Jardim. (Globo)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, jogou uma isca para pelo menos 50 políticos citados nas delações de Odebrecht e JBS. São parlamentares que receberam dinheiro para suas campanhas, não registraram — mas também não ofereceram contrapartidas. Caixa dois puro. Eles precisarão reconhecer o erro publicamente e cumprirão alguma pena de serviço comunitário. Em troca, não serão processados e seguirão com a ficha limpa. De quebra, desafoga o Supremo para que se concentre nos casos piores. A iniciativa pode diminuir a resistência em parte do Congresso ao Ministério Público. (Globo)

O gesto político de Janot encontra resistências. O juiz Sérgio Moro não gostou. “Toda anistia é questionável pois estimula desprezo da lei e gera desconfiança”, reagiu.

Enquanto isso… Falando a empresários pernambucanos, o ministro Gilmar Mendes partiu para cima da Lava Jato. “Não se pode aceitar investigações na calada da noite, arranjos e ações controladas que têm como alvo o próprio presidente da República”, disse. Para Gilmar, o Brasil está se tornando um estado policial.

Algumas horas depois, em Brasília, foi a vez de Janot fazer um discurso. “A real preocupação dessas pessoas é com a casta privilegiada da qual fazem parte”, afirmou. “Empunham estrepitosamente a bandeira do estado de direito, mas desejam mesmo é defender os amigos poderosos com os quais se refestelam nas regalias do poder.” (Estadão)

A Primeira Turma do Supremo avaliará, hoje, se pedirá a prisão do senador afastado Aécio Neves. A tendência é mantê-lo afastado mas não de pedir sua prisão. Caso peça, porém, ela só ocorrerá se o Senado o aprovar em votação secreta.

E, amanhã, reunidos todos, os ministros do STF decidirão se Edson Fachin continua relator do caso JBS. O governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, questionou seu comando. Diz que nem todos os casos fazem parte da Lava Jato e, portanto, não deveriam ser misturados.

Pelas contas de Fachin, ele tem entre seis e sete votos de seus pares — o que lhe garante continuar no posto. (Folha)


Um caça sírio foi derrubado pela Marinha americana, na manhã de segunda. É um evento raríssimo e considerado de extrema agressividade. Da última vez que um avião militar com piloto foi derrubado pelos EUA, o presidente era Bill Clinton e o conflito ocorria no Kosovo. Em retaliação, os russos ameaçam alvejar caças americanos sobre o território sírio.

Otto Warmbier, o estudante americano preso na Coreia do Norte e libertado 17 meses depois com graves danos neurológicos, morreu. Ainda não se sabe que tipo de tratamento causou as lesões cerebrais.

Cultura

De Juca Ferreira, que foi ministro da Cultura nas gestões de Lula e Dilma Rousseff: “Estão deliberadamente destruindo o ministério. Desarticulando equipes e destruindo políticas e programas. Esse terceiro ministro [João Batista de Andrade, que pediu para deixar o posto na última sexta] demorou um pouco a perceber que a presença dele, neste momento de demolição no ministério, era conflitante com sua biografia, mas acabou reconhecendo”. (Folha)

A estátua Fearless Girl, instalada diante do touro de Wall Street em Nova York, vem dominando o Cannes Lions, maior festival de publicidade do mundo. Criação da McCann, a escultura/peça de marketing venceu as três primeiras competições logo na abertura do evento.

Aliás… as agências brasileiras já levaram 52 Leões, sendo oito de ouro, até agora. O festival termina sábado e, no ano passado, o país levou ao todo 90 prêmios.

“Hey, Ringo, agora eu quero que você saiba que sem você minha guitarra toca muito lentamente”, diz um dos versos de uma canção inédita que George Harrison escreveu para Ringo Starr. A letra, dos anos 1970, foi descoberta só agora, dentro do banquinho do piano da casa de Olivia Harrison, a viúva do ex-Beatle.

A série Star Trek: Discovery já tem data de estreia no Brasil. Sétima versão da franquia na TV, os dois primeiros episódios entram na Netflix no dia 25 de setembro.

E… Os bonequinhos de Stranger Things estão para chegar.

A banda Green Day anunciou ontem que fará quatro shows no Brasil, este ano. A turnê começa em 1º de novembro pelo Rio, depois São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

O Jornal Nacional inaugurou ontem novo estúdio no centro de uma redação que integra equipes de TV Globo, GloboNews e G1.

Viver

O incêndio que, desde sábado, lavra a região central de Portugal fez 64 mortes até a noite ontem. Delas, 23 foram identificados e, assim, começam a ganhar nomes e têm suas histórias narradas pelos diários portugueses.

Conta-se também a dor de quem sobreviveu, mas morreu um pouco — como Mário Pinhal, que perdeu a mulher e duas filhas para as chamas. Ao ver a violência do fogo, pediu à companheira que “preparasse as miúdas” pois iriam fugir de carro pela estrada. “Mandou mulher e filhas para a morte. Em Várzeas, Pedrógão Grande, há uma casa com a mesa posta para nove pessoas que ninguém sabe onde estão”, descreve o Público. “Está Mário a remoer os seus mortos, sozinho entre as oliveiras chamuscadas do seu quintal, e estão os outros todos a chorar o mesmo. A terra ainda queima”.

Na ampla cobertura que faz da tragédia, aliás, o jornal dedica reportagem para explicar como são identificadas as vítimas de um massacre em massa, especificamente aquelas cuja morte foi causada por incêndio violento, como este que fez arder Portugal por dias.

Vídeo: um drone sobrevoou uma estrada devastada pelo incêndio, tomada por cinzas e carcaças de carros. (Globo)

620 mil pessoas vivem em celas superlotadas, no Brasil. Muitas não foram condenadas. Outras tantas já teriam direito a liberdade, caso alguém acompanhasse seus processos. Vivem, porém, uma vida invisível. O Instituto de Defesa do Direito de Defesa publicou um vídeo de 360° que leva qualquer um para este espaço. São dois minutos e pouco de asfixia na tela do celular ou computador para entender como é ser um preso brasileiro. Há também uma petição pública para quem desejar assinar, contra o encarceramento em massa praticado no país.

O Vaticano está investigando uma organização do Brasil por “pacto com Satã”. É o que afirma Andrea Tornielli, vaticanista do jornal italiano La Stampa. Segundo ele, o alvo da investigação é a Arautos do Evangelho, “sociedade católica brasileira ultraconservadora”, como definiu a Folha. A organização tramaria a morte do papa Francisco.

Para ler com calma: no blog do IMS, Carla Rodrigues escreve sobre os excessos de estímulos da vida contemporânea — ou o que chama de “saturação nossa de cada dia”. “Diante de tanto a fazer, ver, ouvir, participar, comentar, é cada vez maior o número de pessoas que prefere ficar em casa, cansadas dos estímulos da rua, protegidas se não do ruído insuportável dos sons ao redor, pelo menos numa atitude de resistência contra a relação quase instantânea entre oferta e demanda.”

Cotidiano Digital

Os ícones que eram cinza sólidos se tornaram apenas contornos. A casa de passarinho que apontava para a home perdeu o poleiro. O rosto de cada usuário aparece num círculo. O número de retweets e likes, agora, são atualizados em tempo real. Pois é: o Twitter sofreu um discreto redesenho.

A Atari vai lançar um console de videogames. Seu último aparelho do tipo saiu 24 anos atrás.

Aliás… Pokémon Go ganha seu maior upgrade a partir de amanhã, de acordo com o desenvolvedor.

Para ler com calma: A Amazon representa 30% do crescimento varejista nos EUA. E 40% da hospedagem de sites e serviços online. No mundo. Não é um monopólio como os do início do século 20: o resultado de seu controle é que os preços caem. Mas seus fornecedores não têm como negociar, só aceitar. E a economia fica cada vez menos diversa. Veterano analista, Douglas Rushkoff se pergunta: não é hora de dividir a empresa pela lei antitruste?

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