Temer parte para o ataque, mas sua base na Câmara vacila


“Tenho orgulho de ser presidente”, disse ontem Michel Temer em discurso no Salão Leste do Planalto. “Não sei como Deus me colocou aqui.” A frase virou piada imediata e disparou um festival de memes pela internet. Mas não foi um discurso engraçado. Foi, isto sim, um discurso agressivo que tentava, também, demonstrar força política. Pouco mais de 30 pessoas, principalmente deputados, estavam presentes. E nenhum do alto clero. Não foram os presidentes da Câmara ou do Senado, assim como não foi o presidente do PMDB, Romero Jucá. Temer queixou-se de Marcelo Miller, procurador que deixou a Lava Jato para juntar-se a um dos escritórios que representa a JBS. “Não houve quarentena nenhuma”, disse. “Garantiu ao seu novo patrão uma delação que o tira das garras da Justiça.” Estava no ataque. “Ganhou milhões em poucos meses”, seguiu contra Miller para então mudar o alvo. “Talvez os milhões de honorários recebidos não fossem unicamente para o assessor de confiança.” Sem citar o nome, referia-se ao chefe anterior do advogado, Rodrigo Janot, procurador-geral da República. “Mas eu tenho responsabilidade, não farei ilações.” Segundo Temer, a denúncia da PGR é uma peça de ficção. “Os senhores sabem que fui denunciado por corrupção passiva”, lembrou, “a essa altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi dinheiro.” Questionou, inclusive, a gravação feita por Joesley Batista. “Na pesquisa feita seriamente pela Polícia Federal está dito que há cerca de 120 interrupções, não é? O que torna a prova inteiramente ilícita.” Leia o discurso completo (PDF).

A Agência Lupa saiu à checagem do discurso. É falso que um procurador precise de quarentena após deixar o Ministério Público. E o escritório para o qual Marcelo Miller foi não participou do acordo de delação de Joesley. Participou do acordo de leniência da JBS. E, diferentemente do que disse o presidente, o relatório da PF não torna o áudio gravado por Joesley ilegal nem afirma que há 120 interrupções.

Sensacionalista: “Deus responde questionamento de Temer. ‘Não fui Eu quem te colocou aí, foi o concorrente’.”

Quase 80% das reações no Facebook ao pronunciamento de Temer são negativas.

O clima está tenso na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. É onde será feita a primeira análise da denúncia feita pela PGR contra Temer. O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, reclamou da troca de deputados por seus partidos. “Um deputado não pode ser retirado por conta da posição dele em relação a um determinado tema”, afirmou, dizendo que não aceitará interferência do governo. Pacheco, que é peemedebista, diz que escolherá um relator isento para dar o voto inicial.

O jogo na Câmara não será simples. Não bastasse ter atraído poucos deputados para o discurso, o Planalto ainda terá de brigar mais do que parece para afastar a denúncia. O Globo foi atrás dos 66 membros da CCJ. 13 dizem que votarão pela abertura da investigação. Mas a maioria se mostra indecisa.

A oposição cobra do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que a votação do plenário contra Temer ocorra no mesmo formato daquela pela admissão do impeachment de Dilma. Ou seja: num domingo, durante o dia, fora do recesso e com chamada para que cada deputado se manifeste em público. Ao final, que se liste os ausentes. São necessários 342 votos para que o STF possa julgar o presidente da República.

Carlos Melo: “Nada indica que Michel Temer, ao fim e ao cabo, cairá de seu cargo antes de 31 de dezembro de 2018. O impasse que se prolonga no tempo e que arrasta a disputa é sempre uma opção para o jogador. a cavalaria, sabe-se lá de onde, resume o vício da esperança de qualquer moribundo. Diante das restrições que se impõem, o ‘gesto de grandeza’, como apelou FHC, é pouco provável. De modo geral, em política, isto só existe como rara exceção.”

Míriam Leitão: “O mais provável é o fim antecipado do governo. A dinâmica do apoio político tem relação com a popularidade do presidente. Um governante assim tão impopular e rejeitado produz o afastamento de aliados. Ter 172 votos nominais a favor dele é tarefa mais difícil do que parece.” (Globo)

Estadão: “O resultado do generoso prêmio dado ao empresário Joesley Batista por sua delação envolvendo o presidente Michel Temer é uma denúncia inepta.”

Globo: “Somadas, as provas sustentam uma denúncia sólida contra Temer.”

Folha: “Se não acrescentou ao caso elementos essenciais que já não pertencessem ao conhecimento público, a denúncia formulada contra o presidente ampara-se em fatos graves o bastante para desacreditar o governo.”

Os ministros do Supremo retornam hoje ao julgamento a respeito das delações da JBS. Sete já votaram a favor da manutenção de Edson Fachin na relatoria e pela homologação das delações. Faltam Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Cármen Lúcia.

Os membros do Ministério Público Federal escolheram Nicolao Dino como mais votado da lista tríplice dos candidatos a substitutos de Rodrigo Janot como procurador-geral da República. Dino, que atuou como representante do MP no julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e se desentendeu com Gilmar Mendes, era o favorito de Janot. É, portanto, um posicionamento dos procuradores em favor do trabalho feito até agora na Lava Jato. Desde que a lista tríplice foi implementada, no início do século, o primeiro foi sempre indicado pelo presidente. Mas não há obrigação. O mandato de Janot vai até 17 de setembro. (Globo)

O presidente do Conselho de Ética do Senado havia arquivado a representação para cassar Aécio Neves. Alegou ausência de provas. A Rede recorreu. Quer que todos os senadores membros do conselho se manifestem. (Folha)

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região absolveu João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, da acusação de lavagem de dinheiro. Ele havia sido condenado por Sérgio Moro, na primeira instância, a 15 anos de prisão. Os desembargadores, que costumam acompanhar Moro, desta vez reverteram sua decisão. Não há provas concretas, apenas o testemunho dos delatores. Vaccari também foi condenado em outras quatro ações, que aguardam análise. (Globo)

Por outro lado… Os mesmos desembargadores aumentaram para 43 anos e 9 meses a pena de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, no mesmo processo. Moro o havia condenado a 20 anos e 8 meses.


As Farc depuseram suas armas oficialmente ontem, declarando o fim do conflito armado numa cerimônia na cidade colombiana de Masetas. O presidente Juan Manuel Santos e o líder do grupo Rodrigo Lodoño, o Timochenko, fizeram discursos e se cumprimentaram. 7.132 armas já foram recolhidas a contêineres da ONU e as poucas que ficaram são usadas pelos guardas de alguns acampamentos que ainda estão de pé. Serão entregues até 1º de agosto. (Estadão)

Cultura

Depois de um hiato de seis anos, Chico Buarque vai lançar, enfim, um disco novo. Sairá em agosto, informa Lauro Jardim, no Globo, com sete inéditas e outras duas de sua autoria, mas que, até então, só tinham sido cantadas por outros intérpretes. No novo disco, Chico trabalhou de forma diferente da que lhe é habitual: as músicas foram gravadas conforme compostas, uma a uma — ele, antes, entrava em estúdio com quase tudo pronto para gravar numa tacada só.

A revista de literatura Quatro Cinco Um, lançada em maio, pôs no ar seu site. Na estreia, traz conteúdos da primeira edição, ainda nas bancas, como um ensaio sobre a morte de Antonio Candido — que inclui, aliás, uma imperdível sequência de fotos do velho crítico a fazer micagens para divertir o bisneto.

Star Wars para meninas. Este é o mote da série animada Forces of Destiny, que estreia com curtas no dia 3 de julho no YouTube e, dia 9, em versão maior no Disney Channel americano. Cada episódio terá como personagem principal uma das mulheres — Padmé Amidala, Princesa Leia, Rey e, naturalmente, Jyn Erso. Contará suas histórias. Ainda não há previsão para o Brasil, mas a versão em inglês estará online. O trailer já está no ar.

Better Call Saul, spin off (série derivada) do mega sucesso Breaking Bad, renovou contrato com a emissora AMC e terá uma quarta temporada, prevista para 2018. No Brasil, está disponível na Netflix.

Galeria: a New Yorker reúne fotos da Magnum, a lendária agência que completa 70 anos e que, como defende a revista, “contribuiu para a formação de uma consciência visual coletiva”. Muitas das imagens icônicas do último meio século foram feitas por eles, os fotógrafos da Magnum.

Viver

Se o cérebro do elefante tem três vezes mais neurônios que o do homem, por que o bicho, então, não nos supera? Paradoxal, a questão é um elefante na sala para a ciência e serve de ponto de partida para texto da brasileira Suzana Herculano-Houzel. No artigo publicado agora pela revista Nautilus e extraído do livro que ela lançou pela MIT Press, a brilhante neurocientista detalha sua investigação — sobre o cérebro do elefante africano, sobre as habilidades dos primatas, entre outras pesquisas — para enfim dizer o que é que (só) o cérebro humano tem.

Em tempo: para ela, existe algo que apenas nós, humanos, fazemos, algo que foi decisivo para acumular tantos neurônios no córtex cerebral. Nós cozinhamos.

Nos clubes de golfe de Donald Trump, há exemplares da revista Time com, é claro, Donald Trump na capa. Seria só mais uma gota no oceano de vaidade do presidente americano, não fosse o fato de a revista em questão ser falsa. Um repórter do Washington Post as encontrou em pelo menos cinco campos de golfe de Trump. A Time Inc. confirmou que não são reais e agora pede que as revistas sejam recolhidas.

Galeria: as vencedoras do prêmio iPhone de fotografia deste ano. As imagens vão de cenários de guerra a paisagens de inverno.

Cotidiano Digital

A atualização do WhatsApp já disponível para download traz a possibilidade de apagar mensagens enviadas. Há um prazo: no máximo cinco minutos. Depois disso, enviada está. E deixa rastros. Quem recebeu será informado de que houve uma mensagem, mas que foi cancelada.

Aliás… O aplicativo de mensagens, que em 2015 estava na tela de abertura de 83,2% dos smartphones brasileiros, perdeu espaço. Agora, só aparece na primeira tela de 66% dos aparelhos. Ainda assim, quando perguntados que app teriam se pudessem ter apenas um, 51,9% dos brasileiros escolheram o WhatsApp. A pesquisa é do Mobile Time/Opinion Box.

Um novo e violento ataque com vírus do tipo ransomware atingiu empresas e governos na Europa e EUA, na terça. O vírus bloqueia acesso aos arquivos do computador com senha e cobra um resgate. Quem não pagar dentro de um prazo e estiver sem backup, perde tudo. A Ucrânia foi particularmente atingida: Banco Central, metrô e o principal aeroporto de Kiev ficaram sem acesso a inúmeros computadores. (Estadão)

Chegou a 2 bilhões o número de usuários do Facebook. Somos, no mundo, 7,35 bilhões. Mais de um quarto, portanto, está na rede de Mark Zuckerberg.

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