TSE caminha para inocentar Dilma e Temer


O TSE não definiu, ainda, se vai ignorar as provas que vieram da delação premiada da Odebrecht. Tampouco decidiu se os depoimentos do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, devem ser levados em consideração. Mas quatro ministros dentre os sete já indicaram se inclinar pela retirada. O debate entre os que buscam diminuir ao máximo o número de provas a considerar e aqueles que preferem trabalhar com tudo o que há disponível sobre o financiamento da campanha de Dilma e Temer esquentou. “Não pode julgar sem se atentar para a realidade política que vivemos”, protestou o ministro Luiz Fux, inconformado com a ideia de que a corte poderia ignorar provas conhecidas. “Avestruz é que enfia a cabeça no chão.” Já contando com a derrota no caso das provas a considerar, o relator Herman Benjamin iniciou a leitura de seu voto, a favor da cassação, buscando sustentá-lo sem precisar de depoimentos ligados à Lava Jato. A sessão recomeça hoje, às 9h, com a sequência deste primeiro voto.

Um embate: “Meu voto se limitará ao recebimento de doações oficiais de empresas contratadas pela Petrobras”, disse Admar Gonzaga, um dos dois novos ministros. “Aqui temos um grande cofre”, respondeu-lhe o relator Herman Benjamin. “Recursos lícitos puros entram junto com caixa dois e se misturam. Quem quiser separar, boa sorte.” Gonzaga não gostou. “Não adianta fazer discurso para a plateia para constranger seus colegas. Tenha respeito pelo meu voto.” E Benjamin retrucou de presto. “Eu não vou constranger, os nossos votos é que constrangem ou não a nós próprios.”

Uma incoerência: Em abril, o plenário do TSE decidiu interromper o julgamento por considerar que era preciso ouvir os marqueteiros da campanha. Na época, preocupavam o Planalto os votos de dois ministros cujos mandatos estavam para terminar. A manobra permitiu uma pausa no processo e os dois foram substituídos. Quem definiu os novos ministros, como determina a lei, foi o presidente Michel Temer. Que é um dos réus. Ele escolheu Admar Gonzaga e Tarcísio Neto. E os dois devem votar para excluir os mesmos depoimentos que a Corte decidiu colher.

Aliás… Outro dos ministros que se inclinam pró-Temer, Napoleão Maia, foi citado em depoimento da JBS. Um dos executivos disse ter sido informado por seu advogado que, como ministro do STJ, ele interveio a favor da empresa numa ação. Em vídeo.

A expectativa é de que o julgamento termine hoje.

Segundo Tales Faria, editor do Poder360, o método Gilmar Mendes de julgar está agradando a um público muito particular: o baixo clero da Câmara. É a maior força eleitoral no caso de uma eleição indireta para substituir Temer. Ele, discretamente, se posiciona como candidato na hipótese de queda do presidente.

Caso vença no TSE, como tudo indica, Temer terá outro problema. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciá-lo perante o STF como “chefe de quadrilha”. Mas um presidente da República só pode ser processado pelo Supremo se dois terços dos deputados permitirem. As articulações com a Câmara estão a pleno vapor — e o Planalto, otimista, sente que não há chance de o processo seguir adiante. (Estadão)

O grupo que controla a JBS acusa o governo de usar a máquina do Estado para retaliações. Desde a denúncia, a empresa teve corte de crédito pela Caixa, cancelamento de contrato pela Petrobras, está sendo processada pela CVM, varrida por INSS e BNDES e prepara-se para enfrentar uma CPI. (Folha)

Pesquisa encomendada pelo PSDB: 30% dos brasileiros desejam a cassação pelo TSE, 27% preferem a renúncia e 18%, um impeachment. Apenas 17% desejam que Temer continue. A maioria dos parlamentares tucanos deseja sair do governo. E, ainda assim, não conseguem se definir. (Folha)

A intenção inicial do Planalto era negar que Temer viajou em jatinho de Joesley Batista. A assessoria chegou a afirmar isto a jornalistas. Aí chegou ao palácio a informação de que, se inquirida, a FAB negaria ter transportado o então vice-presidente. Foi neste momento que houve o recuo, e o presidente se lembrou da viagem. Segue afirmando, porém, que desconhecia de quem era o avião. (Estadão)

O piloto que transportou Temer e sua família, diga-se, confirmou a versão de Joesley Batista. Ele mesmo entregou à primeira-dama Marcela Temer as flores dizendo que eram um presente de dona Flora, mãe de Joesley. (Globo)


A premiê britânica Theresa May convocou eleições apostando que aumentaria a presença de seu Partido Conservador na Câmara dos Comuns. O resultado das urnas, ontem, foi oposto. Ela deve terminar o pleito com 318 cadeiras, oito menos do que metade mais um da Casa de 650 parlamentares. Perdeu 12.

O número de jovens que foram às urnas aumentou. Pela primeira vez em vinte anos, o parlamento volta a ser composto essencialmente pelos dois partidos tradicionais — Conservadores e Trabalhistas. O Ukip de extrema-direita, que havia puxado o movimento pelo Brexit, não elegeu nenhum deputado. Desapareceu. O SNP, dos nacionalistas escoceses que defendem a separação do país, caiu de 54 para 35 cadeiras. Veja o mapa da distribuição de votos no Reino Unido.

O ex-diretor do FBI James Comey prestou um depoimento duro ao Senado americano. Afirmou claramente que Donald Trump tentou interferir na investigação sobre a participação russa nas eleições do país. O presidente demitiu o chefe da polícia federal alegando que seus agentes perderam a confiança nele. “Esta é uma mentira, pura e simplesmente”, afirmou Comey — termo raramente usado contra presidentes. (New York Times)

A Dieta Nacional, congresso japonês, aprovou lei que permite ao imperador Akihito renunciar. Ele vem reclamando de cansaço. Quando o príncipe Naruhito, de 57 anos, assumir, mudará também a era no calendário do país. Atualmente estamos no ano 29 da era Heisei — ou 29º ano desde que Akihito subiu ao trono.

Para ler com calma: as tensões no Oriente Médio não se limitam a um conflito entre xiitas e sunitas. Guga Chacra explica. (Globo)


Temer: o morto-vivo e o salva-vidas

Tony de Marco

TSE

Cultura

Novo ministro da Cultura, o cineasta João Batista de Andrade diz que ouve críticas de amigos por ter assumido o cargo no atual governo: “Alguns me incomodam muito e chegam a dizer “como você participa dessa ditadura Temer, em que o próprio presidente é chamado para depor?’”. Em entrevista à Folha, ele afirma que não as responde. “É preciso blindar o Ministério da Cultura, pela sua importância apartidária”. Andrade é o quarto a passar pela pasta — em um ano.

O ministro, aliás, definiu que a nova presidente da Ancine é Debora Ivanov. Advogada e produtora de cinema há mais de 20 anos, ela já exercia o cargo interinamente desde maio, quando o deixou Manoel Rangel — este, por sua vez, ficou 12 anos à frente do órgão. Desde o ano passado, o tema da nova presidência da Ancine rondava o meio audiovisual, e vários nomes chegaram a ser cotados para o posto, inclusive o do próprio ministro. (Globo)

Sopranos, a série das séries, exibiu seu último episódio em 10 de junho de 2007 — há exatos dez anos amanhã. O Guardian a define como um marco da televisão. Entre outros méritos, defende o jornal britânico, o seriado provou que a TV era capaz de superar o cinema. Deixou, enfim, um legado permanente.

O sucesso, porém, mal passava pela cabeça de David Chase, criador da série. Para ele, televisão era “um fracasso”, uma pobreza em comparação a um Fellini ou a um Coppola (em sua era de ouro). Chase via cinemas como catedrais. A TV? “Era só o que você assistia durante o jantar”, conta a revista GQ.

Nos cinemas, chegam às telas, entre outras produções, Paris Pode Esperar (trailer), primeira ficção de Eleanor Coppola, e Animal Político (trailer), primeiro longa do diretor pernambucano Tião — filme este, aliás, protagonizado por uma vaca que, de acordo com a sinopse, sente um “vazio existencial profundo”. Confira mais lançamentos deste fim de semana.

Principal honraria da língua portuguesa, o Prêmio Camões anunciou ontem o vencedor deste ano, o poeta português Manuel Alegre. Eleito por unanimidade, aos 81 anos, ele tem longa trajetória literária e forte atuação política — é, conta O Público, dirigente histórico do Partido Socialista e foi até candidato à presidência de Portugal, em 2006.

Viver

Em um ano, a população da cracolândia cresceu 160%, ou seja, mais do que dobrou de 2016 para 2017. A pesquisa, feita pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social com consultoria do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, foi concluída uma semana antes das recentes operações policiais na região central de São Paulo. Os dados mostram também que o percentual de mulheres naquela área dobrou — de 16,8% em 2016, para 34,5% em 2017. (Estadão)

Um terapeuta-robô que atende via chat, online. O doutor atende pelo nome de Woebot e foi criado por um time de psicólogos e especialistas em inteligência artificial de Stanford. Está disponível 24 horas, de segunda a segunda e cobra por mês — a taxa de US$ 39 dá direito a “sessões” diárias. O terapeuta coleta dados a partir de textos e até de emojis que o paciente envia, mas, principalmente, faz perguntas. A Wired detalha o projeto e relembra tentativas semelhantes.

Um novo estudo põe em xeque a qualidade de dispositivos fitness e de saúde, os conhecidos wearables feitos para rastrear, por exemplo, o gasto de calorias de seu dono. A Esquire apresenta a pesquisa que testou seis marcas — Apple Watch, Basis Peak, Fitbit Surge, Microsoft Band, Mio Alpha 2 e PulseOn. O resultado? Nenhum dos dispositivos é lá muito preciso.

Galeria: Animais fotografados com câmeras GoPro.

Cotidiano Digital

A Boston Dynamics e a Schaft, empresas de robótica do Google, foram vendidas para o grupo japonês SoftBank.

Machine Learning é o tipo de inteligência artificial que permite aos computadores aprenderem com seus erros. É a tecnologia por trás dos carros autômatos, por exemplo, que quanto mais dirigem, mais precisos ficam. Rex, uma imobiliária, está desenvolvendo um sistema de compra e venda de imóveis para dispensar a necessidade de corretores. O algoritmo terá condições de avaliar quão propensos vendedores e compradores estão de fechar negócio, por exemplo. É uma das profissões que podem ser extintas com o avanço do digital.

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