Esquema + Talento: Vai Encaixar?

Analisando o esquema tático do San Francisco 49ers

Chip Kelly sendo apresentado como novo Head Coach do San Francisco 49ers

Nesta série de análise tática, vamos avaliar o encaixe ofensivo das 32 franquias da NFL. Analisando o atual roster de cada equipe, veremos se será possível para o Head Coach implementar a sua filosofia de jogo, seja West Coast, Air Coryell, Erhardt-Perkins, Spread, etc.

O motivo pelo qual farei esta análise é para demonstrar que, mesmo com a presença de grandes jogadores e gênios como Heach Coach ou Offensive Coordinator, é fundamental que a habilidade dos jogadores encaixe com o estilo de jogo dentro de campo. Se fôssemos, por exemplo, inserir Alex Smith em um ataque focado em passes em profundidade como o Air Coryell, dificilmente este ataque teria sucesso, assim como inserir Adrian Peterson em um ataque com a filosofia Spread Offense não faz o menor sentido.

Para avaliarmos os encaixes ofensivos, daremos notas por letra: A, B, C, D ou F. A é a melhor nota possível e F é a pior nota possível. Pode haver a inclusão de + ou - para demonstrar uma pequena diferenciação na nota. Eu prefiro as notas por letra, pois é um pouco mais conceitual do que notas por número em que se dá uma avaliação exata do desempenho/encaixe do time.

O sistema que vamos avaliar hoje é o do San Francisco 49ers e seu Head Coach, Chip Kelly.

Quiton Patton, Torrey Smith e Vernon Davis comemoram um touchdown do 49ers
  • Filosofia Ofensiva: Spread

Apesar de ser um conceito considerado moderno por muitos, o Spread Offense teve sua origem em 1927 onde Rusty Russell, então Head Coach da Fort Worth Masonic Home and School, desenvolveu formações para vencer seus adversários devido à inferioridade física dos seu jogadores. A evolução do sistema seguiu e em 1952, Leo “Dutch” Meyer, Head Coach de TCU, escreveu o livro Spread Formation Football em que ele detalhava inúmeras formações do Spread Offense. Apesar destas primeiras evidências do Spread Offense acredita-se que a filosofia ofensiva utilizada hoje em dia tenha nascido em 1970 com o Head Coach do colégio Granada Hills High School, Jack Neumeier. Ali nascia a ideologia de sempre existirem quatro recebedores na formação e apenas um halfback. Este princípio básico do sistema força os adversários a espalharem seus marcadores, criando mais espaços na defesa para o jogo aéreo. Esta filosofia ofensiva foi a base para o Air Coryell e hoje é uma parte fundamental da National Football League.

Chip Kelly ficou conhecido pela sua revolução no Spread Offense. Além de seguir os princípios básicos da ideologia, Kelly conseguiu adaptá-la em Oregon. Um ataque no huddle diferente do que já foi visto e com pacotes de três ou até mesmo quatro, cinco jogadas em uma só chamada. Leituras rápidas na linha de scrimmage e opções múltiplas para o quarterback tornaram este ataque praticamente invencível na NCAA. Quando chegou à NFL, Kelly teve de adaptar sua filosofia devido ao talento encontrado na liga assim como no seu roster.

Existem muitas dúvidas em relação ao ataque do 49ers para a próxima temporada e a grande maioria depende de quem será o quarterback titular.

Blaine Gabbert e Colin Kaepernick no túnel de acesso ao gramado
  • Quarterback

Certamente a maior incógnita da franquia para a temporada de 2016. Quatro anos atrás, ninguém ousaria dizer que Colin Kaepernick estaria batalhando pela titularidade da franquia com Blaine Gabbert. O camisa 7 era considerado um dos quarterbacks que iriam revolucionar a posição quando ele entrou na NFL em 2011, mas após sua aparência no Super Bowl e levar o time à final de conferência novamente na temporada seguinte, Kaep teve uma queda brusca em rendimento. Junte isto à saída de Jim Harbaugh e você tem a receita perfeita para desastre. Em 2015, era nítido a falta de conforto de Kaepernick no ataque de San Francisco. Não conseguia passar de sua primeira leitura e o resumo de sua temporada veio em um lance contra o então St. Louis Rams, em que Torrey Smith estava desmarcado na linha de scrimmage e Kaepernick foi incapaz de vê-lo.

Do outro lado da moeda temos Blaine Gabbert. Um quarterback que teve um início de carreira tenebroso com o Jacksonville Jaguars, Gabbert sofria para fazer leituras em um pro-style offense, especialmente devido ao fato de seu coordenador ter mudado nos seus três primeiros anos na liga e aumentado pelo fato de cada um seguir uma filosofia diferente (Air Coryell, Erhardt-Perkins e West Coast Offense). Com a chegada de Blake Bortles, Gabbert perdeu seu espaço na equipe e foi parar no 49ers onde teve uma temporada razoável no último ano.

O mais interessante para os dois signal callers é o próprio playbook de Chip Kelly. Ambos os quarterbacks atuaram em ataques de Spread na NCAA com Kaepernick atuando na variação em Pistol. Com isso, podemos esperar que os jogadores se sintam mais confortáveis no sistema de Kelly mas as suas atuações nas temporadas anteriores ainda deixam o mais esperançoso dos torcedores bastante preocupado.

Carlos Hyde, running back titular do 49ers
  • Jogo Terrestre

Ponto forte do ataque de San Francisco, o jogo corrido vem sendo a principal arma para conquista de jardas na franquia. Carlos Hyde é um excelente halfback e se atuar nos 16 jogos da temporada, certamente terá o seu break out season em 2016. Sua média de 67.1 jardas por jogo é bastante razoável e a expectativa é de que aumente em 2016. Aliado a uma linha ofensiva fortíssima no ponto de ataque, especialmente o left tackle Joe Staley e o rookie Josh Garnett que é excelente no power run scheme. O que pode preocupar é o ataque de Chip Kelly. Vimos DeMarco Murray ir de um Top 3 RB para um dos piores da liga quando atuou em Philadelphia, mas as peças presentes na linha ofensiva em San Francisco são melhores que em Philly. Se Kelly aprender com seus erros, o jogo corrido não terá problemas em 2016.

Torrey Smith avança com a bola após uma recepção
  • Jogo Aéreo

Um grande ponto fraco da equipe de San Francisco, os recebedores da equipe deixam a desejar. O único recebedor do time com experiência relevante na NFL é Torrey Smith. A falta de talento dos recebedores é um fator preocupante para Chip Kelly e apesar de uma relativa experiência no grupo dos tight ends, ainda existe a necessidade de melhorar o setor. Gabbert ou Kaepernick terão bastante trabalho para criar um entrosamento com o corpo de recebedores e a expectativa é que em 2016, a unidade vai depender bastante do sistema ofensivo. O Spread ajuda uma equipe com jogadores menos talentosos fazendo com que se crie mais espaços na defesa. O sistema do Kelly fará com que sempre exista pelo menos um recebedor livre e isto pode auxiliar no jogo aéreo. Quinton Patton é uma opção interessante para o esquema atual e Smith é sempre uma ameaça na bola em profundidade. A linha ofensiva é de qualidade e conseguirá proteger o seu quarterback para que ele tenha tempo de fazer as leituras, mas o ataque precisa evoluir em relação ao ano passado se quiser ter sucesso em uma divisão que tem a defesa do Seahawks e o ataque do Cardinals.

Blaine Gabbert comanda o huddle do 49ers
  • Encaixe

Chip Kelly terá a tarefa de definir qual será o seu quarterback titular. Ele revelou esta semana que os dois atletas são “muito parecidos” dentro de campo, o que é bastante estranho. Gabbert e Kaepernick já possuem experiências em Spread, mas Kaep é visivelmente um atleta superior a Gabbert e este é um passador mais aprimorado que o camisa 7.

Kelly encontra uma equipe mais bem preparada para o seu sistema do que a equipe que ele herdou em Philadelphia, especialmente em relação aos signal callers. Eles não estão entre os melhores da NFL e mesmo com o pedido de Kaepernick para ser trocado, acredito que o 49ers é a melhor opção para o QB de Nevada.

Independendente do quarterback escolhido, cada um oferece um ponto fraco específico. Em Gabbert, você perde um pouco na ameaça de corrida do QB e com Kaep, a qualidade nos passes diminui. Mesmo com um plantel mais adequado ao sistema ofensivo, a equipe ainda precisa se aprimorar e buscar reforços nas próximas temporadas para obter sucesso na National Football League.

Nota: C


Esta foi mais uma avaliação da série sobre encaixes ofensivos que faremos aqui no ZONA F.A. Em breve vamos analisar a próxima franquia e seguiremos até completarmos as 32 existentes na NFL.

Se tiverem dúvidas ou perguntas para os nossos analistas, envie para:

Até a próxima!

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