Esquema + Talento = Vai Encaixar?

Analisando o esquema tático do Pittsburgh Steelers

Mike Tomlin, Head Coach do Pittsburgh Steelers

Nesta série de análise tática, vamos avaliar o encaixe ofensivo das 32 franquias da NFL. Analisando o atual roster de cada equipe, veremos se será possível para o Head Coach implementar a sua filosofia de jogo, seja West Coast, Air Coryell, Erhardt-Perkins, Spread, etc.

O motivo pelo qual farei esta análise é para demonstrar que, mesmo com a presença de grandes jogadores e gênios como Heach Coach ou Offensive Coordinator, é fundamental que a habilidade dos jogadores encaixe com o estilo de jogo dentro de campo. Se fôssemos, por exemplo, inserir Alex Smith em um ataque focado em passes em profundidade como o Air Coryell, dificilmente este ataque teria sucesso, assim como inserir Adrian Peterson em um ataque com a filosofia Spread Offense não faz o menor sentido.

Para avaliarmos os encaixes ofensivos, daremos notas por letra: A, B, C, D ou F. A é a melhor nota possível e F é a pior nota possível. Pode haver a inclusão de + ou - para demonstrar uma pequena diferenciação na nota. Eu prefiro as notas por letra, pois é um pouco mais conceitual do que notas por número em que se dá uma avaliação exata do desempenho/encaixe do time.

O sistema que vamos avaliar hoje é o do Pittsburgh Steelers e seu Head Coach, Mike Tomlin.

  • Filosofia Ofensiva: Erhardt-Perkins

A filosofia Erhardt-Perkins nasceu dos técnicos Ron Erhardt e Ray Perkins, integrantes da comissão técnica do New England Patriots da década de 1970. É uma filosofia de jogo amplamente utilizada na NFL e com o passar dos anos, surgiram inúmeras modificações deste esquema ofensivo. Nesta série de avaliação de sistemas táticos, nós veremos o modelo Erhardt-Perkins em vários momentos. O modelo tradicional ditava que o seu ataque “passa para pontuar, corre para vencer”. Isto quer dizer que o ataque tinha um foco no jogo terrestre e este, após estabelecer o jogo corrido, permitia a utilização de play-action para criar espaços na secundária adversária. Além disto, é um ataque em que as jogadas aéreas são focadas em um jogador específico para aquele determinado snap. O conjunto de rotas por muitas vezes é feito para que o atleta da jogada escolhida receba a bola.

No sistema de Todd Haley, coordenador ofensiva do Steelers, o pensamento é o mesmo, focado em mismatches. Conta com um jogo terrestre potente em que o play-action é amplamente utilizado para criar oportunidades de deep shots, o ataque foca em em colocar a bola nas mãos do seu melhor recebedor. Isto pode ser visto no tempo que Haley passou como coordenador do Arizona Cardinals, que veio a perder o Super Bowl em janeiro de 2009 justamente para o Steelers de Mike Tomlin. Na época, ele contava com Larry Fitzgerald, no auge de sua carreira e tinha o costume de chamar jogadas desenhadas especificamente para colocar a bola nas mãos do camisa 11. Neste sistema, estamos vendo Big Ben usufruir dos melhores anos de sua carreira e a expectativa é de que 2016 possa ser o melhor ano de todos.

Ben Roethlisberger, quarterback do Steelers
  • Quarterback

Um dos melhores quarterbacks da NFL, Ben Roethlisberger demorou para ser aceito como um jogador de elite de sua posição mas esta dúvida não existe mais. quase 4.000 jardas em apenas 12 jogos na temporada passada, Big Ben foi liberado para soltar o braço nos últimos anos e Mike Tomlin não se arrependeu. Bicampeão do Super Bowl, Roethlisberger possui a experiência e calma que são necessários para comandar um ataque como o de Pittsburgh. Aos seu 34 anos e aproximando rapidamente do final de sua carreira, o camisa sete tem em 2016 uma das melhores oportunidades de buscar o seu tão sonhado terceiro anel.

O estilo de jogo de Big Ben é perfeito para o sistema de Haley. Ben possui um canhão no lugar do braço e seu tamanho permite que ele aguente as pancadas resultantes de jogadas que demoram mais para se desenvolver. Aliado à sua capacidade de improvisação, o líder do ataque dos Steelers vem aprimorando a sua mira a cada temporada desde 2010. Estes números aliado ao gamefilm de Roethlisberger comprovam que ele é um dos poucos quarterbacks capazes de jogar em qualquer sistema ofensivo na NFL e 2016 promete ser um dos seus melhores anos.

Le’Veon Bell, halfback do Steelers
  • Jogo Terrestre

Além de contar com um quarterback de elite, o Steelers conta com atualmente o melhor all-around halfback da NFL, Le’Veon Bell, que foi citado no episódio #010 do Podcast Zona FA (ouça em http://bit.ly/PodcastZFA_010). Após seu breakout season em 2014, Bell foi suspenso para o início da temporada passada. Assim que foi reintegrado à equipe, se tornou uma peça chave do ataque e sua perda por rompimento do ACL foi sentida pelo ataque. Seu retorno em 2016 será a melhor “adição” ao roster do Steelers. Sua paciência para ler os bloqueios de sua linha é disparado o seu melhor atributo como corredor. Bell aguarda até o momento exato para fazer o seu corte e explodir em direção ao gap criado pela sua linha. Este estilo de jogo aliado aos pulls que Haley gosta de implementar em suas corridas, faz com que a defesa tenha que se desdobrar para para o melhor running back da atualidade.

Mesmo com a ausência de Bell, Pittsburgh viu boa produção dos seus reservas como DeAngelo Williams e isto se deve muito à linha ofensiva da franquia. Atletas como David DeCastro e Maurkice Pouncey formam um interior de linha bem sólido e permitem que Bell e seus reservas tenham as melhores oportunidades para explorar os buracos na linha defensiva. Além do talento dos componentes do jogo terrestre, a constante ameaça do outro aspecto do ataque faz com que Bell raramente veja oito jogadores no box, o que facilita de forma incalculável a execução das jogadas.

Antonio Brown buscar ganhar mais jardas após a recepção
  • Jogo Aéreo

Quarterback de elite, melhor running back da NFL e por incrível que pareça, contam também com o melhor wide receiver da National Football League. Antonio Brown corre as melhores rotas do campeonato e suas 136 recepções em 2015 demonstram o seu domínio em cima das defesas adversárias. Além do camisa 84, a presença de Markus Wheaton para os passes em profundidade estica as defesas verticalmente, criando mais espaço para Brown buscar os passes de Big Ben. A suspensão de Martavis Bryant por toda a temporada 2016 certamente será sentidamas a franquia tem totais condições de suprir a sua falta. Jogadores como Sammy Coates e Darrius Heyward-Bey podem complementar um ao outro na substituição de Bryant. Ainda teve a adição de Ladarius Green vindo de San Diego. Visto como o sucessor de Antonio Gates, Green agora é o herdeiro à vaga de Heath Miller, constantemente votado por Big Ben como o MVP da equipe em votação interna dos jogadores da equipe. Fora as armas para Roethlisberger, a linha ofensiva vem melhorando na proteção de passe o que antes era visto como o grande ponto fraco do ataque.

Talentos incríveis para o quarterback, proteção adequada e um quarterback capaz de executar todas as jogadas do playbook fazem com que Pittsburgh tenha um dos ataques aéreos mais poderosos da NFL.

Big Ben executa um handoff para Fitzgerald Toussaint
  • Encaixe

Quando qualquer pessoa senta e busca avaliar o ataque do Pittsburgh Steelers, é impossível não imaginar um ataque completamente dominante. O talento presente no roster é um dos mais altos da National Football League e demonstra o acerto do Steelers em Drafts mais recentes.

O ataque do coordenador Todd Haley é perfeito para as peças presentes na equipe e contando ainda com um quarterback como Ben Roethlisberger faz com que o Steelers entre em 2016 como uma das equipes candidatas a terem o ataque #1 da temporada. O único ponto fraco (se é que isso pode ser dito) é a perda de Bryant para toda a temporada e a proteção de passe da linha ofensiva que não é das melhores da liga, mas ainda assim faz o seu trabalho que ele é pedido.

Estes fatos são suficientes para podermos projetar o Steelers como um dos favoritos a vencer o Super Bowl LI em Houston.

Nota: A


Esta foi mais uma avaliação da série sobre encaixes ofensivos que faremos aqui no Zona FA Em breve vamos analisar a próxima franquia e seguiremos até completarmos as 32 existentes na NFL.

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Até a próxima!