O guia final dos quarterbacks de 2017, parte 02

17 semanas recheadas de grades, film e notas que resultaram num texto gigante. Assim, o último guia falando sobre os quarterbacks em 2017 é dividido em três partes e publicado com opiniões de diversos comentaristas, jornalistas e torcedores.

Se você está lendo isso, você está num universo no qual Blake Bortles, Case Keenum e Nick Foles foram, junto de Tom Brady, quarterbacks titulares nas finais de conferência da temporada de 2017. Absolutamente nenhuma pessoa poderia ter previsto isso, mas a tônica do ano na NFL foram acontecimentos os quais ninguém podia esperar. Esse foi apenas mais um.

Para 30 equipes, a offseason já começou. Num ano no qual a liga perdeu precocemente muitas de suas estrelas por lesão, não foi diferente na posição mais importante do jogo — Aaron Rodgers e Carson Wentz, como exemplos, são dois dos melhores quarterbacks da liga e que não puderam terminar a temporada. Para os dois ainda restantes, o Super Bowl está a apenas uma semana.

O ponto desse ranking é julgar somente a temporada regular, pois é quando todas as equipes estavam em situação de igualdade. Além disso, somente um quarterback por equipe e cada caso específico julgado por este que vos fala — Deshaun Watson é o futuro do Houston Texans; faria muito mais sentido analisá-lo do que Tom Savage, por exemplo. No caso do Cardinals, tanto Palmer quanto Stanton não deverão estar em Arizona em 2018. Dessa forma, prevaleceu o titular. Por fim, em Green Bay, Rodgers foi o analisado ao invés de Brett Hundley, mesmo com menos jogos.

Os rankings e as grades envolvem análises de TODOS os passes que cada quarterback lançou, desde o primeiro snap em setembro até o último na véspera de ano novo. É claro que se pode discordar e o Twitter para vocês discutirem esse ranking é o @henrique_bulio; desde que o façam de forma educada, é claro.

Cada quarterback foi analisado por cinco variáveis: precisão, trabalho de pés, arm talent, sob pressão e tomadas de decisão. As métricas são quase semelhantes as do NFL1000, com o adendo do footwork como nota + diferenças nas formas de avaliação dos itens “sob pressão” e “tomadas de decisão”. Cada item recebe uma nota de 0 a 2 que representam as médias durante a temporada, e a soma dos cinco itens representa a grade final do ano.

Por fim, cada quarterback recebeu um comentário de um torcedor do seu time: fica aqui o agradecimento a todos os que se dispuseram a participar do texto. Quando existentes, as @’s dispostas ao fim da apresentação representam o perfil de cada um no Twitter: sigam-lhes!

Parte 01: 32–21

Parte 02: 20–11

Parte 03: 10–1

20. Dak Prescott, Dallas Cowboys

Números em 2017: 308/490, 3324 jardas, 22 touchdowns, 13 interceptações, 86.6 passer rating, 5.74 ANY/A

Grade: 7,5

Opinião do torcedor: “Se o ano de 2016 foi de exclamações, o ano de 2017 foi de interrogações para Dak Prescott — em um nível que cindiu a torcida entre os seus apoiadores e aqueles que acham que deveríamos ir atrás de outro franchise quarterback. Eu continuo a apoiá-lo como titular pelos seguintes motivos: A) Diferente da temporada passada, Tony Romo não esteve na sideline para ajudá-lo em aspectos técnicos e táticos, leitura de defesa, entre outros, além do fato de Romo ter tido uma influência forte na composição do playbook; B) Há o fator surpresa, afinal, ninguém esperava tamanho rendimento: era insustentável mantê-lo quando pensamos que as defesas estudariam formas de pará-lo; C) Os principais erros técnicos do segundo anista, como os incontáveis overthrows, são corrigíveis.” (Felipe Lopes, estudante de psicologia e torcedor do Dallas Cowboys)

Se você esperava que Prescott mantivesse o altíssimo nível do ano de calouro, 2017 certamente foi uma decepção. Usar a palavra “regressão” aqui seria forte demais: o correto seria dizer que seu progresso foi bastante reduzido e que as question marks agora existentes são justas.

O ponto com relação a Dak Prescott é: qual é seu teto? O que Dallas receberá constantemente de seu quarterback? Aquele que executava o gameplan com perfeição de 2016 ou o mais errático de 2017? A precisão no passe terá evolução ou veremos a mesma quantidade de overthrows e interceptações? Prescott é um bom quarterback que teve um ano ruim ou é apenas um produto do sistema formado por excelentes peças em seu redor? São cenas da temporada de 2018 que uma boa pipoca do lado nos dará o prazer de assistir. Eu fico com a primeira opção em todos os questionamentos.

Pergunta ao torcedor: Por quais motivos o torcedor do Dallas Cowboys deveria crer que o nível de Dak Prescott voltará a ser o que vimos em 2016?

(Saullo Murilo, engenheiro e torcedor do Dallas Cowboys — @KingOfDanone): é difícil imaginar que Prescott tenha uma temporada tão boa quanto a de 2016. Porém, ele já mostrou que tem talento e que pode evoluir, principalmente lançando a bola — talvez com uma comissão técnica melhor, esse processo seria mais rápido. Dak não é um quarterback genial como Tom Brady, Aaron Rodgers ou Drew Brees, mas é com certeza o futuro da franquia. Em 2016, Prescott liderou o time em vários jogos e foi fator em várias vitórias, tendo seu melhor jogo da carreira na pós temporada na derrota contra o Green Bay Packers pelo divisional round, mostrando muita frieza e qualidade em um jogo totalmente adverso e levando o time até um empate improvável. A próxima temporada vem como o ano de afirmação para Dak, pois ele já demonstrou muita qualidade e que vem sempre treinando e estudando para melhorar.

19. Blake Bortles, Jacksonville Jaguars

Números em 2017: 315/523, 3687 jardas, 21 touchdowns, 13 interceptações, 84.7 passer rating, 6.21 ANY/A

Grade: 7,5

Opinião do torcedor: “ Essa temporada foi a melhor da carreira de Bortles. Não foi explosivo como 2015, nem tapado como 2016. Ele foi, por incrível que pareça, eficiente. Ele ainda tem problemas de precisão? Sim. Cada passe dele é um mini ataque do coração? Claro. Mas nesse ano ele teve o que nunca teve como profissional: uma equipe. Digo equipe no sentido de unidade organizada. A mentalidade adquirida com a saída de Gus Bradley e chegada de pessoas como Calais Campbell, Tom Coughlin e Jalen Ramsey trouxeram uma mentalidade vencedora a um bom time. Bortles não é genial, mas conseguiu ter uma temporada com oito partidas com mais de 60% de acertos, primeira ida aos playoffs em anos para o Jaguars e uma final de conferencia. Diminuiu os turnovers e venceu partidas chaves para nós, tais como Seahawks e até contra o próprio Bills. Ele tem força de vontade e fome de vitória que, com o staff certo, foi o suficiente para vencer partidas.” (Tarso Doria, produtor do Esporte Interativo e torcedor do Jacksonville Jaguars — @TarsoDoria)

É justo dizer que esse foi um bom ano na carreira de Bortles. É claro que, após a eliminação na final de conferência e a clara demonstração de falta de confiança por parte da coaching staff — somadas ao fato de que Jacksonville pode liberar absurdos 19 milhões de cap space se romper com o jogador antes de seu salário de 2018 se tornar garantido em 14 de março — , não há motivo plausível pelo qual o Jaguars não deveria buscar um upgrade na posição. Justiça seja feita, entretanto, Bortles não foi ruim ao longo do ano. Ele só não foi capaz o suficiente.

Antiga terceira escolha geral e que outrora teve a confiança de todos na Florida depois de explosivos números em 2015, Bortles ainda tem um problema sério quando o assunto é a progressão de suas leituras numa jogada — muitas das vezes Blake realiza o checkdown logo após desistir da primeira leitura. Ele também precisa de refinar suas mecânicas de passe e seu trabalho de pés — ainda que, perto de adentrar sua quinta temporada na NFL, é difícil imaginar que alguma melhora substancial ocorrerá nesse sentido.

Pergunta ao torcedor: Após um ano bastante produtivo para o Jaguars, você utilizaria uma pick alta num quarterback ou investiria em Bortles como o franchise quarterback?

Tarso: Com a provável posição do Jaguars no Draft, acho que só o Lamar Jackson estaria livre para nós… Vale draftar o Lamar Jackson na primeira rodada? Acho que não. Mas Dave Caldwell e Tom foram agressivos para buscar o Fournette na quarta escolha no ano passado, né? Nunca se sabe. Acho que a resposta do Jaguars para quarterback vem da free agency. Cousins é o target, mas até um Alex Smith seria uma grande aposta. Ainda não temos nosso franchise quarterback com o Bortles e essa temporada dele pode até ser ruim, por ser boa. Depois do que ele fez essa temporada, acho que tem uma grande possibilidade dele ser o titular na primeira semana de 2018/19, caso o projeto para franchise quarterback venha do Draft.

18. Josh McCown, New York Jets

Números em 2017: 267/397, 2926 jardas, 18 touchdowns, 9 interceptações, 94.5 passer rating, 6.00 ANY/A

Grade: 7,6

Opinião do torcedor: “A temporada de Josh McCown, bem como a do time, foi surpreendente. Com toda a experiência adquirida durante seus anos de NFL, o quarterback conseguiu fazer um time totalmente desacreditado e candidato a um 0–16 ter uma temporada decente e promissora. O veterano protegeu bem a bola e fez o ataque funcionar bem, levando em conta a descrença que cercava o elenco dos Jets. Ele não é a resposta para o futuro da franquia, mas pode ajudar na transição do franchise quarterback que o time sonha em ter.” (Nathan Vilela, estudante e torcedor do New York Jets — @nathanpvilela)

Todos nós aprendemos a desvalorizar Josh McCown como apenas um mentor e que servia de ponte para um novo quarterback que estava por chegar. Ainda que essas alcunhas não sejam exatamente injustas, 2017 foi um ano no qual o Jets obteve boa produção de um jogador o qual pouco se esperava.

McCown contou com um dos melhores coordenadores da liga montando o sistema ofensivo, que era uma espécie de West Coast Offense com diversos passes longos — Morton gosta de atacar verticalmente o campo, e segundo o Pro Football Focus, o veterano passador foi o oitavo melhor da liga no quesito passes longos. Sua precisão não esteve num nível ruim, e seu decision making esteve entre os melhores da NFL. O que realmente limitou sua nota foi o quesito arm talent, com apenas 1,3 de 2,0 possíveis.

Pergunta ao torcedor: Na iminência de se escolher um novo quarterback no Draft com a sexta escolha geral, como você acha que o Jets deve lidar com a situação que envolverá o calouro, Bryce Petty e Christian Hackenberg?

Nathan: Com relação ao futuro da posição de QB nos Jets, é provável que o time selecione um QB nas primeiras rodadas do próximo draft, após o fraco fim de temporada de Bryce Petty e o fiasco com Christian Hackenberg. Se isso ocorrer, imagino que o time tente assinar com McCown ou com algum outro veterano para dar suporte ao calouro que irá chegar e pelo menos um dos dois entre Petty e Hackenberg deve dar adeus à franquia. Eu apostaria no segundo, mesmo que ele não tenha tido chance de mostrar serviço em seu tempo com o time.

17. Kirk Cousins, Washington Redskins

Números em 2017: 347/540, 4093 jardas, 27 touchdowns, 13 interceptações, 93.9 passer rating, 6.38 ANY/A

Grade: 7,7

Opinião do torcedor: “ 1) A temporada de 2017 de Cousins foi novamente boa, ainda mais se considerarmos que não haviam muitos alvos, um bom jogo corrido para lhe auxiliar elesões na OL. Sobre a falta de alvos: perdeu DeSean Jackson e Pierre Garçon na offseason — cada um havia recebido mais de mil jardas, e Jordan Reed, sua válvula de escape, perdeu grande parte da temporada machucado (e no único jogo que esteve 100% fez 2 TD’s — vs Eagles). Linha ofensiva baleada: Apesar da unidade titular ser muito boa, muitas lesões ao longo forçaram 23 combinações diferentes na temporada, chegando a utilizar o quarto guard — contratado na semana do jogo! Deficiências com jogo corrido: Kelley e Perine não são grandes nomes e tiveram uma temporada apenas razoável, deixando toda a responsabilidade para ele e o jogo aéreo. Ainda assim, Cousins fez um ano de quarterback top 10, como já vem fazendo desde 2015 (3 temporadas com pelo menos 4000 jardas) quando virou titular. Além de tudo, foi um dos quarterbacks com mais winning drives na temporada, fazendo uma ótimo ano” (Tales Machado, estudante e torcedor do Washington Redskins — @RedskinsDepre)

Pelo terceiro ano seguido num contract year, Kirk Cousins discutivelmente terá dificuldade de provar que merece um contrato dentre os maiores da liga se baseando no game tape de 2017. Ainda que sua nota quando sob pressão tenha sido altíssima (1,8/2,0), a precisão, o footwork e o decision making tiveram notas baixas.

Há de se levar em consideração a inconsistência na posição de recebedor e as constantes mudanças na linha ofensiva? Claro que sim — e esses foram os responsáveis por alguns dos turnovers de Cousins ao invés do próprio quarterback. Ainda assim, Kirk não mostrou nenhuma razão especial pela qual ele mereça um grande contrato, e não seria surpresa se Washington procurasse um upgrade na posição durante a intertemporada.

Pergunta ao torcedor: Com a incerteza da offseason relacionada à Kirk Cousins, qual seria a sua forma de lidar com o problema de quarterback? Tentaria renovar com o atual ou buscaria um novo no Draft

Tales: A primeira opção na cabeça de qualquer torcedor do Redskins é sem dúvida a renovação com Kirk, pois temos um time com ótimas peças (linha ofensiva, tight end, defesa) que já beiram os 30 anos; logo, precisamos de um quarterback estável para agora! Caso não renove com Cousins, minha opção no draft seria Baker Mayfield, um quarterback um pouco menos pronto que Josh Rosen, porém com maior teto.

16. Jameis Winston, Tampa Bay Buccaneers

Números em 2017: 282/442, 3504 jardas, 19 touchdowns, 11 interceptações, 92.2 passer rating, 6.70 ANY/A

Grade: 7,8

Opinião do torcedor: “13 jogos (perdeu 3 jogos no meio da temporada por um lesão no ombro, e jogou pelo menos 2 jogos tentando ministrar a dor antes de parar para se recuperar) — 3504 jardas — 19 TDs — 11 INTs. Difícil descrevê-la em uma palavra. Eu usaria “evolução”, mas é inegável o gostinho de decepção que ficou ao final da campanha, tanto por parte do jogador como por parte do time. Em 2017, muita gente esperava o famoso “salto” no nível do jogo de Jameis e ele aconteceu, de maneira tímida e muito longe de colocá-lo no top 5 da posição, mas o desenvolvimento de seu jogo aconteceu. Em 2017 ele manteve a tendência de aumentar seu passer rating (92.2, maior que os ratings de 4 quarterbacks que levaram seus times aos playoffs), aumentar sua porcentagem de passes completos (63,8%, maior que a de quarterbacks consolidados ou que levaram seus times aos playoffs ou que ao menos já foram elogiados nesse quesito como Dak Prescott, Phillip Rivers, Jared Goff, etc) e ao mesmo tempo diminuir suas interceptações — 11 em 13 jogos. Fazendo uma regra de 3 a fim de comparação, esse número vai para 14 em 16 jogos, número que representaria a menor marca da sua carreira e que neste ano representa um número melhor ou igual ao número de interceptações de quarterbacks como Cam Newton, Marcus Mariota e Big Ben.” (Bruno Nolasco, do Tampa Bay Buccaneers Brasil — @TBBuccaneersBR; @Bruno_Nolasco)

Todo ano se espera o salto de qualidade que botará Winston dentre a elite da NFL e todo ano esse salto não vem. Também é verdade, contudo, que 2017 foi um ano muito melhor do que os números mostram. Ele diminuiu o número de interceptações quase pela metade, aumentou sua porcentagem de passes completos e, embora não tenha se destacado fortemente em nenhum quesito, também não há uma grande deficiência em seu jogo que necessite de correção urgente. O que se pode esperar de Jameis é que 2018 seja o ano no qual a aura de gunslinger se afaste um pouco do mesmo — como bem disse DeSean Jackson numa entrevista, Winston precisa parar de jogar para impressionar e voltar à uma forma mais segura de passar a bola, como a que lhe rendeu frutos em Florida State.

Pergunta ao torcedor: Na sua opinião, qual seria a melhor solução para solucionar o problema de turnovers de Winston?

Bruno: Jameis Winston é um gunsliger, ponto. Não adianta todo o coaching do mundo, ninguém vai conseguir tirar isso da cabeça dele e transformá-lo em um Alex Smith da vida, referência em cuidar da bola. E mesmo assim, podemos dizer que houve progresso nessa área. Como já citado, 2017 marcou o ano com o menor número de interceptações de Winston na NFL e o seu grande nêmesis (o número de fumbles, 15 com 7 perdidos) não é de total responsabilidade do mesmo. Pra quem analisa apenas números, ele teve 26 perdas de posse de bola em 13 jogos, um número bastante alto; porém, destes 15 fumbles sofridos arrisco a dizer que metade ou quase metade deles foram causados por snaps mal feitos (em 2017 os Bucs decidiram testar o antes excelente guard Ali Marpet como center, e ele nunca tinha dado um snap antes na vida), e outra parte veio de jogos onde o pass protection era extremamente deficitário pois time estava jogando com dois ou mais jogadores titulares da linha ofensiva de fora devido a lesões. O grande problema de Jameis é acreditar que toda jogada tem que dar certo ou que ele consegue fazer ela dar certo, é assim que ocorrem jogadas onde ele ao invés de aceitar um sack ele tenta manter a jogada viva e sofre um fumble ou força um passe que acaba interceptado, ou deveria proteger a bola mas tenta ganhar uma ou outra jardinha e acaba levando um hit desnecessário. Existe também o outro lado da moeda: o fato de ele não desistir de jogadas as vezes resulta em lances mágicos, como o passe para Mike Evans contra o Chicago Bears em 2016. Na minha opinião, o feeling entre desistir de uma jogada ou não é algo que apenas o tempo pode ensinar para ele, e caso ele não consiga criar esse discernimento, ele estará fadado a não conseguir render todo o seu potencial ao máximo.

15. Case Keenum, Minnesota Vikings

Números em 2017: 325/481, 3547 jardas, 22 touchdowns, 7 interceptações, 98.3 passer rating, 7.03 ANY/A

Grade: 7,9

Opinião do torcedor: “Keenum chegou a Minnesota com a tarefa de disputar com Taylor Heinicke a vaga de QB2 aberta com a saída de Shaun Hill. Keenum venceu essa disputa e garantiu seu espaço no roster, mas, para ser sincero, ele fez muito mais que isso. Foram 22 TDs e 7 INTs, vitórias complicadas dentro (Rams) e fora (Falcons) de casa. Durante toda a temporada a impressão era que Keenum é um reserva numa temporada mágica, mas jogo após jogos ele prova que pertence entre os 32 titulares da liga. Um gunslinger corajoso com habilidade de estender jogadas com as pernas que aprendeu a tomar conta da bola. Uma boa fórmula para conquistar alguns milhões na free agency.” (Raphael Martins, antigo comentarista de NFL no Esporte Interativo e torcedor do Minnesota Vikings — @raphaomartins)

Keenum tem sua quantidade de jogadas que nos fazem pensar “o que diabos foi isso?”, mas é inegável que 2017 foi um ano onde ele jogou bem e demonstrou para a coaching staff que pode confiar nele em momentos de pressão ao longo de uma partida.

Sua evolução mais notável com relação aos anos de Los Angeles Rams diz respeito a sua capacidade de estender jogadas com as pernas — embora seja um quesito aonde ele possa melhorar ainda mais de modo a deixar de ser um ‘bom’ e se tornar um ‘ótimo’ quarterback. Ele talvez esteja um pouco baixo nessa lista em sua opinião, o que é mais um testamento sobre os outros passadores da liga do que uma crítica a Keenum. Ele é um bom jogador e merece ser pago como um franchise quarterback na free agency em março.

Pergunta ao torcedor: O Minnesota Vikings tem uma situação complicadíssima com relação à seus quarterbacks para resolver na offseason. Assuma o papel de Rick Spielman: como você lidaria com os três free agents que estão por atingir o mercado?

Raphael: Nosso GM está numa posição extremamente complicada. Pessoalmente, eu acho 99% garantido que Bradford não volta. Apesar de ter jogado em alto nível, o seu joelho se provou ser um péssimo investimento.

Agora a dúvida real fica entre Teddy e Keenum. Um 1st rounder desenvolvido pela staff com uma lesão inexplicável no currículo e um journeyman que parece ter achado sua casa na temporada 2017.

Os playoffs serão decisivos nessa escolha, mas a cada semana que passa, Keenum continua se provando e chega mais perto de uma renovação gorda com a equipe.

14. Philip Rivers, Los Angeles Chargers

Números em 2017: 360/575, 4515 jardas, 28 touchdowns, 10 interceptações, 96.0 passer rating, 7.60 ANY/A

Grade: 8,0

Opinião do torcedor: “Foi um dos melhores anos da carreira de Philip Rivers e alguns fatores explicam isso. Em 2016 ele foi sacado 36 vezes, perdeu Keenan Allen na estreia da temporada e ainda contou com um péssimo ano do Chargers de maneira geral. Em 2017 ele teve a volta de seu principal alvo, melhora na proteção — foram 18 sacks cedidos, menor marca da liga — e, consequentemente, números bem melhores. Rivers além de tudo foi mais preciso, tomou melhores decisões e protegeu bem melhor a bola — foram 10 turnovers o ano todo, sua menor marca desde 2009. Com certeza foi um dos melhores anos dele com a camisa do Chargers, apesar de um início um pouco conturbado, muito pelo fato de o ataque não ter encontrado uma identidade até a quinta rodada. Sua piores performances vieram contra defesas que pressionaram demais o Camisa 17 (Jaguars e Chiefs 2x, especificamente). Há muito tempo não o via jogar assim.” (Guilherme Beltrão, produtor do Esporte Interativo e torcedor do Los Angeles Chargers — @gbeltraoNFL)

Ainda que veterano, Rivers continua produzindo em excelente nível pelo Los Angeles Chargers e, salvo um início muito ruim da equipe como um todo, veríamos o time na pós-temporada pela primeira vez desde 2013.

Philip continua com mecânicas incomuns e seu footwork continua precisando de melhoras. Sua precisão, ainda que em bom nível em grande parte do tempo, continua com uma certa dose de inconsistência. Ainda assim, seu jogo sob pressão é um dos melhores em toda a liga, e Rivers é capaz de completar passes com boa velocidade em toda faixa do campo mesmo aos 36 anos: seu braço não parece estar cansando com o tempo. O Chargers pode esperar um grande ano de seu quarterback em 2018.

Pergunta ao torcedor: considerando a notável evolução da equipe como um todo em 2017, você acha que o Chargers no Draft deveria buscar peças para aproveitar o fim de carreira de Rivers ou deveria já buscar um quarterback e se preparar para o futuro?

Guilherme: Com certeza deveríamos dar peças para Rivers. Ele tem 36 anos, beleza, mas não mostra sinais de que está caindo de produção e é de longe um dos mais sólidos quarterbacks da NFL — ele está com o recorde atual de mais jogos como titular de uma franquia. O time é bem forte e com as peças certas no Draft e na Free Agency podemos ver o Chargers brigando por coisas maiores nessa próxima temporada, e tudo vai depender de como estaremos de quarterback. Além disso, nossa posição no Draft (17ª) não nos permite competir pelos prospectos mais talentosos, e a menos que o general manager Tom Telesco veja em algum jogador com nota de rounds intermediários o potencial para ser um futuro quarterback, não devemos nos preocupar com a posição por pelo menos 3 anos.

13. Deshaun Watson, Houston Texans

Números em 2017: 126/204, 1699 jardas, 19 touchdowns, 8 interceptações, 103.0 passer rating, 7.19 ANY/A

Grade: 8,2

Opinião do torcedor: “Mesmo não começando 2017 como titular em Houston, o calouro Deshaun Watson liderou o ataque em seis partidas nesta temporada, após uma participação empolgante no segundo tempo durante a estreia da equipe contra Jacksonville. Apesar do início prejudicado pelo nervosismo e pela natural adaptação ao jogo no nível profissional, o quarterback se tornou um dos novatos mais empolgantes desta temporada. Antes de se lesionar, Watson anotou 19 touchdowns, sofreu oito interceptações, teve um aproveitamento de 61,8% nos passes completados e ajudou Houson a vencer três jogos (A equipe terminou 2017 com 4 vitórias e 12 derrotas). Além dos números, ele levou outra dimensão ao ataque dos Texans, que em sua breve história nunca teve a disposição um quarterback tão móvel e que sabe lançar em movimento como o camisa 4. Mesmo com a temporada encurtada pela lesão, ele se tornou o quarto jogador com mais touchdowns lançados em Houston em um mesmo ano e mostrou que pode ser o tão sonhado franchise quarterback que a franquia tanto sonhava.” (Marcos Garcia, jornalista e torcedor do Houston Texans — @MarkosVinicius6)

Ainda que a duração tenha sido curtíssima — e nossos corações tenham sido destruídos pelo ocorrido com o mesmo — , a temporada de Deshaun Watson foi impressionante. Depois de começar como reserva de Tom Savage e adentrar o campo logo no segundo tempo de sua primeira partida como profissional, Watson teve um pouco de dificuldade para se adaptar ao estilo de jogo impresso pelo Texans nas duas primeiras semanas. A partir do confronto contra o Patriots na terceira semana, contudo, Bill O’Brien adaptou seu ataque de modo a tirar o melhor de seu quarterback — bootlegs, rollouts e conceitos saídos da spread offense que Deshaun executava com maestria em Clemson. Poucos quarterbacks conseguiram tantas jogadas e lideraram ataques tão produtivos quanto o de Houston enquanto o calouro estava under center.

Pergunta ao torcedor: De que forma o ataque do Texans pode evoluir com Watson tendo uma offseason completa para se preparar em 2018?

Marcos: Após uma primeira temporada como profissional empolgante, Watson é agora o único quarterback que todos estarão de olho quando o Texans retornar aos trabalhos na pré-temporada de 2018. Tendo o playbook a sua disposição desde o primeiro dia de treinos, o quarterback deve melhorar ainda mais a sua conexão com nomes importantes do ataque como o wide receiver DeAndre Hopkins, formando uma das duplas mais explosivas da liga. Com a permanência do técnico Bill O’Brien, a torcida espera encontrar em setembro um quarterback mais maduro, se aproveitando de chamadas mais criativas e evitando os mesmos erros de sua temporada de calouro.

12. Jimmy Garoppolo, San Francisco 49ers

Números em 2017: 120/178, 1560 jardas, 7 touchdowns, 5 interceptações, 96.2 passer rating, 7.62 ANY/A

Grade: 8,3

Opinião do torcedor: “O ano começou instável na posição de quarterback para os 49ers. A adição de Bryan Hoyer na free agency e a escolha de CJ Beathard na 3ª rodada já mostravam que 2017 seria apenas um ano de adaptação para Kyle Shanahan e, mais ainda, indicava que a reunião entre Kirk Cousins e Shanahan aconteceria novamente. No entanto, no dia 31 de outubro, o Halloween virou natal em Santa Clara: por uma escolha de segunda rodada, o 49ers trocou por Jimmy Garoppolo, o até então reserva de Tom Brady, e aí tudo mudou: o time vinha de um 1–10 na temporada e, logo no primeiro jogo, Garoppolo demostrou um potencial imenso, mesmo com uma linha ofensiva fraca e sem guards decentes. Parece que Jimmy nasceu para liderar o playbook montado por Kyle Shanahan que, convenhamos, você não sabe o que virá na próxima jogada. O resultado final em 2017 foi terminar a temporada com cinco triunfos consecutivos, incluindo 44 pontos numa defesa de Jacksonville completa.” (Gabriel Parejo, estudante de engenharia mecânica e torcedor do San Francisco 49ers-@gprjo)

Garoppolo e Shanahan é o tipo de match feito no paraíso. Com uma das piores linhas ofensivas da liga em sua frente e com um pedestre grupo de recebedores, o novo brinquedinho de San Francisco foi extremamente eficiente nas cinco partidas que disputou como titular depois da troca. Seu rápido release conseguiu mascarar o quão fácil era para os adversários pressionarem-no, assim como seu rating em passes curtos foi o melhor da liga segundo o Pro Football Focus — 116.8

Não há um atributo no jogo de Garoppolo que possa ser considerado uma deficiência completa — suas menores notas dentre os cinco atributos avaliados foram 1,6 em precisão e decision making. A tendência para o futuro é extremamente positiva: uma offseason inteira para estudar o playbook de Shanahan somadas as altas escolhas e um grande espaço para ser utilizado na free agency. Se ficamos impressionados com o 2017 de Jimmy, o ano seguinte deve ser ainda melhor.

Pergunta ao torcedor: Na sua opinião, qual o limite para Garoppolo em 2018 depois de uma offseason inteira trabalhando com Kyle Shanahan?

Gabriel: Se com pouquíssimo tempo de titular, Kyle Shanahan conseguiu projetar um playbook e moldar no perfil de Garoppolo, imaginem o que eles serão capazes de fazer com uma offseason inteira trabalhando juntos? Vale comentar também como Shanahan distribui as chamadas, fazendo com que até mesmo o fullback Kyle Juszczyk tenha importantes participações no jogo aéreo do time. Se Jimmy receber mais proteção via free agency ou Draft e Pierre Garçon voltar em bom rítmo (Garçon se machucou e rumou à injury reserve antes da troca por Garoppolo), Shanahan poderá continuar com sua genialidade ofensiva e sim, junto com o ataque, levar o time a pós-temporada novamente.

11. Jared Goff, Los Angeles Rams

Números em 2017: 296/477, 3804 jardas, 28 touchdowns, 7 interceptações, 100.5 passer rating, 7.72 ANY/A

Grade: 8,4

Opinião do torcedor: “Utilizando-se do antigo slogan político ‘pior que tá não fica’, o 2016 de Jared Goff não poderia ter sido pior. Só que quando Sean McVay tomou às rédeas na California, Goff mudou da água para o vinho, com um ataque impressionante e que facilitava muito o trabalho do jogador. Ele foi mal quando o caldo apertou nos playoffs, mas o futuro é promissor.” (Rafael Ferreira, estudante e torcedor do Los Angeles Rams)

Eu sei, eu sei. Goff teve o melhor ANY/A entre todos os quarterbacks da liga e eu venho dizendo há um bom tempo que essa é a única estatística real para se medir o nível recente de um passador. Ainda que Jared tenha tido um excelente ano e que Los Angeles não tenha mais dúvidas quanto ao futuro da organização, é também verdade que muito de seu bom desempenho é fruto do sistema de Sean McVay que facilita demais para o quarterback e não fruto de uma evolução notável do jogador em si.

Isso não é necessariamente algo ruim ou com o objetivo de diminuir Goff. Poucos quarterbacks foram tão precisos ao longo do ano ou tiveram um footwork tão eficiente e bem trabalhado como o segundo anista. Um atributo aonde ele tem de melhorar é quando sob pressão: sua média ao longo do ano não foi ruim, mas alguns turnovers ocorreram por falta de pocket presence. Ele pode melhorar ainda mais.

Pergunta ao torcedor: Você considera que a evolução de Goff se deve majoritariamente à maturação do jogador em si ou acredita que o sistema de Sean McVay foi o maior responsável pelos bons números de 2017?

Rafael: Sem dúvida o sistema de McVay. O treinador chamava audibles na sideline, seu sistema facilitava muito as leituras para o quarterback e sempre tinha um recebedor livre. É claro que Goff melhorou muito, mas o bom desempenho tem mais mérito do treinador do que do jogador.

To be continued…

Like what you read? Give Henrique Bulio a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.