Ògún, Ònà e Òlònà

As diferenças entre os Senhores dos Caminhos

Ògún caminhava só, literalmente, e percebeu que tudo era muito difícil, vencia as guerras com muitas dificuldades, desbravava os caminhos de forma acirrada e sem qualquer ajuda …

Até que um dia resolveu consultar Orunmilá e indagar-lhe o ‘Por quê’ desta solidão, reclamou ainda a qualidade com que eram feitas as suas armas, e que necessitava de algo que fosse rígido e resistente!

Orunmilá prescreveu um ebó, o qual Ògún prontificou-se a fazer: ele deveria confeccionar uma Seteira, extrair 7 ikíns e preencher a seteira com os mesmos e incandescê-los. Após este passo deveria procurar a êsmo pelas estradas algo que lhe parecesse com uma cabeça grande, e na caminhada deveria pronunciar o seguinte Ofó “ònà ibá Òlònà, agbá l’ajá fun mí Ònà l’awò!” ( “Meus Respeitos Onã, filho do Dono dos Caminhos Ancestral de Ajá, me mostre os segredos do meu caminho!”)

No que Ògún de pronto pôs-se a executar, e andando longos dias pelas estradas sentiu fome, rezou a Orunmila que em sonho alimentava Ògún com ‘Charque’ e ‘Grãos torrados’ e o mesmo acordava saciado da fome, sentiu sede, dormia e Orunmilá saciava a sua sede quebrando uma garrafa contra uma pedra, era Otí, até que um dia cansado de andar Ògún depara-se com uma pedra linda abaloada e que exercia grande magnetismo sobre ele.

Ògún então entendeu que ali se encontrava o que procurava há meses …
Então usando de sua força física tenta extraí-la da terra, pois apontava-se apenas a parte de cima, muito bonita e lustrada, porém a força física não fôra suficiente para removê-la. Ele então pôs o pé direito sobre a Pedra e pôs-se a lamentar de ter sido em vão tanta busca.

Neste momento surge Orunmilá e diz a Ògún “- Sem alimentar o Dono do Caminho você jamais conseguirá remover o Caminho”

Ògún irritado diz “- Mas como assim, você não havia dito isto a mim! Como agora terei que alimentar algo que não conheço, e mesmo que quisesse não tenho alimentos nem para mim, tenho me alimentado de sonhos, somente.”
Orunmilá retrucou “- Se não sonhares, jamais realizarás, se não sonhares com convicção de que tudo naquele sonho é verdadeiro jamais materializarás seus anseios e desejos.”

E naquele momento Ògún fechou os olhos e permitiu-se ao sono. Então avistou o charque, o otí, os grãos e pegou os mesmos com tanta convicção de que era real, que acordou e percebeu que tudo estava diante dele, e pôs-se a procurar pelo dono do caminho ‘Òlònà’, e deparou-se com ele numa beira de estrada. Tratava-se de uma pedra alquebrada, partida, como se tivesse se dividido em outras mais …

Ali mesmo quebrou-lhe a garrafa de otí sobre ela, ofereceu-lhe o charque e os grãos e acendeu-lhe a seteira, e Òlònà respondeu-lhe como faria para extrair o Ònà da terra:
“- Ògún, você já sabe meio caminho de como fazê-lo. Basta que troque a palavra ‘Lawo’ por ‘L’ayó’ e então Ònà seguirá contigo para casa, mas lembre-se: ninguém mais poderá alimentar a Ònà, a não ser o próprio dono que a encontra, ele é intransferível e quando você morrer ninguém a herdará, porque cada ser humano tem seu próprio caminho, e nenhum caminho e destino é igual ao outro.”

Ògún então seguiu a risca todas as orientações de Òlonà, e levou consigo Ònà para casa. Dali em diante a vida de Ògún mudou totalmente.

Tudo que é feito em reverência a Ònà é participado a Ògún. Se o sacrifício é feito para Ònà, quem recebe os ‘axés’ é Ògún.

Orunmilá então disse a Ògún: “-Sempre que fizeres sacrifício ao filho, não se esqueça do Pai. O filho mora sobre a terra, o Pai mora sob a terra.”

Entre tantas vitórias, Ògún descobre o minério de ferro e confecciona novas armas, novas peças e presenteia Ònà com: Bigorna, Ferradura, Lança, Aro, Corrente…


Èsú Ònà Èsú Ònà
Omo sírè l’òdé Elegbara
legbara n’iré
Èsú Òná k’ewá òò

Texto gentilmente cedido por Bàbá Mauro T’Osun

Like what you read? Give Eduardo Drakonis a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.