Ògún: mais poderoso que a Morte

Ikú (a Morte) tem medo de Ògún

Conta um itan:

Ògún resolveu ir à terra e Ifá falou que teria que dar um cabrito a Exú para que a Morte (Ikú) e a sua esposa Doença (Arun) não o seguissem. Exú comeu o cabrito dado por Ògún, foi ao templo, roubou uma cabeça de um cachorro que havia sido dado a Ògún por seus filhos e colocou a cabeça do cachorro na casa de Ikú para incriminá-lo.

Quando se deu conta do roubo, Ògún se colocou a procurar quem poderia tê-lo roubado e seguindo a pista de sangue encontrou a cabeça do cachorro junto a cama de Ikú. Ògún se enfureceu de tal forma que foi a procura de Ikú para matá-lo quando o encontrasse.

Ògún encontrou Ikú em uma encruzilhada ao lado de um cadáver, trabalhando para matar os seres humanos e comer sua carne.

“Ikú, seu ingrato, você roubou a cabeça de meu cão e por isso vai morrer!”.

Desferiu um tremendo golpe de facão que por pouco não arrancou a cabeça de Ikú que, graças ao seu reflexo, bloqueou o golpe com sua foice.
Então Ògún disse:

“Será que não está satisfeito com a carne humana que trago todos os dias fruto de acidentes com metais que forjo e das guerras que travo?”

Desferindo outro golpe ainda mais feroz em Ikú, quase o divide em dois na altura de seu abdômen. Ikú seguia aterrorizado sem saber o que estava acontecendo, e Ògún não dava chance de Ikú pensar para saber o que estava acontecendo de fato, pois seguia desferindo golpes atrás de golpes. Mesmo Ikú sendo mais alto e de aparência mais bruta, Ògún compensava desferindo golpes cada vez mais fortes e rápidos, sem sequer dar sinal de cansaço.

Ikú cansou rápido e sua foice já estava a ponto de quebrar, pois não fazia frente ao facão de Ògún. Então, vendo que iria morrer nas mãos de Ògún, Ikú usou seu poder de se teletransportar para o Orun (mundo espiritual) escapando momentaneamente. Ògún, por não ter esse poder, demorou a chegar ao Orun, dando tempo para Ikú chamar a seus seguidores aos berros para trazerem todos os cães do Orun. Recolheram 201 cães, e os assaram e prepararam para Ògún. Ikú pegou os cães e desceu novamente à terra.

Ògún, ainda procurando Ikú, destruiu muitas propriedades e matou muitas pessoas levando o horror da guerra ao Orun. 
Foi quando encontrou a esposa de Ikú — Arun (a enfermidade)- e a castigou severamente para que dissesse onde estava Ikú, mas ela não sabia.

Foram tantos os castigos que Arun não conseguia mais ouvir, ficando praticamente surda. (Por isso que até hoje Arun não ouve o pranto das pessoas que adoece e, com isso, não fica comovida com o que faz.)

Por estar tão machucada, Arun não pôde seguir Ògún quando retornou à terra.

Quando encontrou Ikú em seu esconderijo, Ògún ergueu seu facão para desferir o golpe fatal.
Quando viu Ikú se curvar ajoelhando-se, mostrando que se deu por vencido, Ògún parou seu golpe.

Foi então que Ògún viu os cães assados e muitos outros prontos para serem comidos, o que deteve o ataque e se colocou a comer, poupando Ikú de uma morte violenta por suas mãos.

Ògún mostrou que supera Ikú em poder, pois para obter vitória, destrói tudo e todos sem dó nem pena, assim como a guerra faz até hoje.

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