A chave para o funcionamento das metodologias ágeis

Amanda Campos Amado
Nov 5 · 4 min read

Dentro do contexto de desenvolvimento de software e visando ganhar maior agilidade nos processos, surgiram as metodologias ágeis. O Manifesto Ágil, publicado em 2001, trouxe como base:

  • A rapidez nas respostas e flexibilidade frente aos diferentes cenários
  • O uso de planos de ação adaptáveis
  • O desenvolvimento contínuo das soluções por meio de feedbacks
  • O trabalho colaborativo e racional entre as equipes
  • Auto organização do time

Com a constante evolução tecnológica e necessidade contínua de aumento de produtividade, as empresas adotaram as metodologias ágeis como a solução de seus problemas e um atestado de modernização. O uso dos termos estrangeiros, no entanto, não é o suficiente para garantir o bom funcionamento de tais métodos, como veremos a seguir.

Os 17 líderes da comunidade de extreme programming, XP, responsáveis pelo “grito de guerra” da desburocratização, buscaram não apenas apresentar as suas ideias, mas também produzir um guia para alcançá-las. O caminho, portanto, seria a valorização dos seguintes pontos:

  • Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;
  • Software em funcionamento mais que documentação abrangente;
  • Colaboração do cliente mais que negociação de contratos;
  • Responder a mudanças mais que seguir um plano.

É possível perceber que, além de questões de cunho estratégico, a autonomia e importância da equipe é reforçada tanto na base quanto nos valores apresentados, trazendo o seguinte questionamento: é possível adotar metodologias ágeis de forma eficaz sem que haja engajamento e autonomia da equipe?

Entre as metodologias ágeis, temos alguns métodos bastante populares, como o lean, kanban e scrum. O último, também publicado em 2001, através do livro Agile Software Development with Scrum, vem se tornando cada vez mais utilizado, pela sua aplicabilidade em diversas áreas e promoção da agilidade nas entregas.

Entre os desafios de sua implementação, Aguinaldo Fernandes e Vladimir Abreu destacam os seguintes pontos: “é fundamental ter uma equipe que funcione bem trabalhando em grupo, uma vez que o sucesso do trabalho depende de um esforço intensivo nas habilidades que cada um tem como diferencial” e “é importante que cada membro do Times Scrum tenha um forte senso de autogestão”.

No livro Implantando a governança de TI, os autores ainda afirmam como benefícios da utilização do modelo o maior senso de cooperação e responsabilidade compartilhada, equipes mais motivadas e com autoestima constantemente renovada, plano de comunicação mais efetivo, além dos fatores relacionados ao projeto e qualidade no desenvolvimento.

Tais pontos deixam claro que o engajamento e autonomia da equipe são fatores prioritários dentro da utilização de metodologias ágeis. É necessário que os colaboradores e colaboradoras sejam não apenas auto gerenciáveis, mas que também seja construído um clima de confiança e colaboração dentro dos projetos. Para que haja trabalho sem supervisão, o time precisa estar alinhado com a cultura, com a estratégia e com os valores da empresa.

Além disso, podemos observar as seguintes consequências quando não há a valorização da autonomia do time:

  • Excesso de cobrança para o cumprimento das metas;
  • Sobrecarga da equipe;
  • Enfraquecimento da cultura e clima organizacional ruim;
  • Falta de transparência e comunicação.

O Scrum possui como característica o planejamento de novas metas a cada pedaço de tempo — normalmente duas semanas — também chamado de sprint. Porém, quando esse modelo não é aplicado e desenvolvido de forma colaborativa, tende a sobrecarregar o time com o excesso de metas, além da falta de clareza em relação às mesmas. Um exemplo disso pode ser o não entendimento do processo de inspeção da última sprint e, portanto, a falta de alinhamento na construção dos novos objetivos.

As metas propostas podem também não se adequar a realidade da equipe, dado que as decisões se mantêm no formato top-down, sem a autonomia do time para tomada de decisões ou mesmo pela dificuldade de comunicação. Por fim, o scrum tende a se tornar uma metodologia rasa, com um punhado de palavras difíceis e uma com uma carga desproporcional para o time.

Antes de se pensar na aplicação de metodologias ágeis, portanto, deveria ser feita a reflexão: o quão dispostos estamos a soltar as rédeas das tomadas de decisão e dar autonomia aos nossos colaboradores? Além dos termos bonitos e aparentes resultados imediatos, tal incremento exige mentalidade colaborativa e uma equipe verdadeiramente autônoma e responsável pelos processos que estão sendo realizados.

Logo, para obter resultados satisfatórios é necessário entender esse processo como uma via de mão dupla: o colaborador necessita de participação nas decisões para se sentir engajado, enquanto o seu engajamento é a força motriz do funcionamento dos métodos ágeis.

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