Às vezes
A vida é complicada, e nós tendemos a complica-la ainda mais.
Às vezes estou lendo um livro incrível, um texto maravilhoso, e penso que eu deveria me dedicar a algo, me mover e mudar o mundo, escrever, publicar, aprender a tocar guitarra, levantar e ser revolucionário. Socializar, aprender a cozinhar, aprender um quarto idioma e talvez até viajar. Percebo que não estou guardando dinheiro e já faço planos para explorar o sistema capitalista para enriquecer. Penso que talvez devesse procurar mais um emprego, ou fazer trabalho voluntário, talvez devesse ir para outra cidade fazer uma faculdade doida. Talvez a vida tenha tantas possibilidades que eu deveria começar a explorá-las cada vez mais, tentar coisas diferentes, escrever sobre política, escrever contos, estudar cinema, escrever roteiros, virar crítico de filmes e livros. Talvez mudar de país seja uma boa saída. Talvez eu deva começar um movimento revolucionário para acabar com toda a merda dessa política brasileira. Talvez devesse lutar contra as heresias pregadas por “cristãos” mundo afora, talvez devesse lutar pelo fim da descriminação, por qualquer motivo que seja. Deveria fazer como Martin Luther King Jr. e fazer algo pela população. Deveria me unir ao Greenpeace e invadir barcos pesqueiros para impedir a caça de baleias, deveria ir até a áfrica e auxiliar na luta contra as doenças e a fome, talvez devesse fazer o mesmo aqui na minha própria cidade. Deveria me dedicar ao estudo das tensões existentes no oriente médio e tentar achar uma solução pacífica, ou talvez devesse me dedicar ao estudo das tensões e problemas existentes no meu país e achar uma solução pacífica. Deveria achar um jeito de popularizar a alta literatura e o pensamento crítico entre essa juventude perdida, ou será que deveria eu mesmo estudar o que essa juventude “perdida” tem a me oferecer?
Às vezes penso em mudar, em sair, me mover e revolucionar, mas depois volto a ler meu livro.

