Nasce uma flor diferente
Infância é aventura e descoberta
Duas crianças passaram por mim hoje, enquanto eu meditava em silêncio, numa trilha. E nas suas conversas de criança, revelaram que
“se fossem amarradas duas plantas, uma sugava a seiva da outra e nascia uma flor diferente”.

A mágica da vida, da geração de um ser, estava ali contada de uma forma tão clara e pelos “olhos do olhar” delas, e de sua compreensão do mundo, independente de ter um raciocínio do tipo “certo-ou-errado”.
As crianças não precisam de cegonhas nem de silêncio constrangido quando formulam questões que os adultos acham difícil responder em vista dos seus impedimentos.
Elas observam, criam e contam histórias, associando e conectando os fenômenos que testemunham e de que participam. Por assim dizer, elas vão costurando retalhos e fragmentos de experiência — como relações, uniões, “amarrações”, trocas de seiva, separações, mortes, nascimentos, semeaduras e floresceres — de forma natural e com linguagem simples.
Ao fazerem perguntas aos adultos, elas não estão pedindo dados adequados, ou ‘corretos’, estão compartilhando suas descobertas, pedindo companhia e acolhimento, sem moralizações ou julgamentos de gente grande. Pedem esclarecimento, muitas vezes, e também validações das suas experiências.
Por isso, adultos, não se preocupem tanto, nem evitem assuntos que considerem “cabeludos”, “difíceis”. Busquem uma linguagem para a escuta e fluidez, respeitando a curiosidade da criança, resgatando a naturalidade da vida.
As crianças tem olhos, ouvidos, tato, e sensações bem mais disponíveis do que nossas cabeças atordoadas e neuróticas podem imaginar. E, nosso papel de “gente grande” é cuidar para que elas continuem numa exploração do mundo, da natureza, do corpo, das relações e da sua inteligência (física, emocional, intelectual, artística etc.) sem medos. É encorajar, sem pressionar. Cuidar, sem sufocar. Permitir, sem perverter. Acolher, sem engolir. Posicionar e colocar limites, sem ameaçar, nem complicar.
Difícil isso?
Talvez. Pois o lado adulto foi quem colocou essas palavras que aqui escrevo. Se eu desse voz a uma menina, mais ou menos na idade daquela criança lá da seiva, quem sabe tudo se resumisse em:
“deixar a planta crescer bem linda, com terra, água, vento, sol e outros bichos e plantas por perto!”
Então, quando houver uma criança vivendo aí, pertinho de você, ou cruzando o seu caminho, antes de querer ensinar a ela alguma lição de vida, pare um pouquinho, respire e antes cuide de você.
Cuide de se sentir íntegro e confiante, ciente dos seus engasgos e afetos e até dos seus medos.
Assim… poderá aquecer, ventilar, nutrir e acolher com alegria o nascimento de uma “flor diferente” e livre para crescer.
Publicado originalmente em abril de 2015 (Jornal Sem Censura).
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