Natal, crianças e presentes

A presença é o mais valioso presente

Publicado originalmente em dezembro/2016, no portal Carinho é bom: www.carinhoebom.com.br

Ilustração: Ingrid Osternack — parte da obra Carinho é bom

Os olhos das crianças brilham ao verem aquele presente, num embrulho colorido, em geral, com tons de vermelho, nas mãos de alguma alma boa que se entrega à fantasia do Papai Noel.

Nós adultos, que já fomos crianças há algum tempinho, esquecemos algumas das coisas que mais importam, e às vezes nos vemos em dilemas nessa época de fim de ano, como:

– “só vai ganhar presente se for bem na escola” (Natal = castigo e recompensa)
– “como vou comprar um presente, se não tenho nem como pagar as contas do mês?” (Natal = sofrimento e sacrifício na família)
– “quero presentear as crianças, pois elas ficam contentes, mas os brinquedos, além de caros, logo perdem a graça e ainda incentivam o consumismo e a degradação do planeta!” (Natal = conflito de valores pessoais e coletivos)
– “só posso dar um presente mais simples ou com preço mais acessível, mas ele/ela quer algo bem mais caro, como fazer para não deixá-lo/a triste?” (Natal = culpa e frustração)
– “gostaria de ajudar outras crianças, que não têm quem lhes dê um presente, mas como fazer se nem posso presentear meus filhos, por limitações financeiras?” (Natal = limitação e escassez)

Essas e tantas outras questões podem incomodar aqueles que ainda pensam um pouco em como estamos vivendo essas celebrações em função de uma troca mercantil de coisas.

Esta semana me deparei com uma questão um pouco estranha quando fui à procura de brinquedos para crianças que “adotamos” nos natais e outras celebrações onde tradicionalmente presenteamos as crianças.

Fui a algumas lojas onde há variedade grande de brinquedos e me deparei com coisas muito padronizadas, todas feitas em um país onde crianças são escravizadas para produzir em larga escala, e, além de muitos brinquedos serem caros apenas pelo fato de terem uma marca “tal”, outros brinquedos, especialmente para meninas, caíam naquela mesma velha ideologia de replicar objetos do lar (louças e outros eletrodomésticos), e ainda com uma qualidade muito ruim (afinal, se é pra comprar uma chaleira de plástico, deixa a criança brincar com a chaleira de sua cozinha, se for do interesse dela, independentemente do sexo da criança, oras!)

Nessa busca, recordei de crianças próximas com quem convivi ultimamente, e de situações onde elas ganhavam brinquedos desse tipo que via nas prateleiras, e de como era sua reação: o contentamento e interesse pelo brinquedo durava cerca de 5 minutos (no máximo) após abrirem as embalagens. Depois de perderem a graça da novidade por serem apenas plásticos, os brinquedos só ganhavam vida novamente quando outras pessoas (adultos ou crianças) eram “convocadas” a brincar junto, criando um mundo de fantasia, interação e imaginação que apenas era possível quando se dispunha de um outro tipo de presente de valor inestimável: a presença!

Faço esse relato pra partilhar uma mensagem já batida e repetida, mas, muitas vezes esquecida no calor das compras, propagandas, apelos e demandas de fim de ano: o melhor presente é a presença. (outra hora vamos postar um vídeo muito tocante, que mostra isso, aguarde!)

Nossa obra, a cartilha musical “Carinho é bom!”, mesmo não sendo plástico, mesmo tendo sido gestada com carinho, atenção, cuidado, amor coletivo, trabalho de várias mãos e vozes, e uma intenção muito especial, também não tem valor algum se reduzida a um “objeto”, a um presente sem presença, sem companhia, sem atenção, e, obviamente, sem carinho!

Se você gostar de presentear suas crianças com a cartilha “Carinho é bom!”, ficaremos muito felizes, claro, e faremos o possível para que você abra seu coração junto com nossas músicas, estórias, ilustrações, atividades de carinho. (Veja em nosso site onde encontrar ou encomendar sua cartilha: http://www.carinhoebom.com.br/comprar-cartilha)

Agora, se você passa por qualquer dos dilemas que falamos no início desse texto, busque acordar sua criança adormecida e crie formas de brincar, cantar, dançar, estar junto, inventando seu jeito único de dar e receber carinho! Esses são valiosos presentes!

Um grande abraço! E um Natal muito pleno de presença!