O que é o Cartas Para o Futuro?

O que meninas da periferia de São Paulo têm em comum com garotas refugiadas, que vivem de forma precária no Oriente Médio? Sonhos. Diversos tipos de sonhos, dos mais simples e básicos, como ter comida, casa e roupa, até os mais complexos, necessários para a construção de um futuro, não só o delas, como o do mundo. Através dessa rede de sonhos, elas estão conectadas, ainda que não falem a mesma língua, ainda que tenham medo e uma curiosidade avassaladora sobre as “outras”.

Foi pensando nelas e na menina que eu fui na Brasilândia, periferia de São Paulo, que decidi criar o projeto Cartas para o Futuro, que visa ajudar garotas, principalmente em situação de risco, a terem mais confiança em sua capacidade, talento e no poder de transformar a sua própria realidade. Isso tudo por meio de uma rede de mulheres que apoie essas meninas, através de cartas, compartilhando histórias, conselhos e carinho.

Comecei a desenhar esse projeto há dois anos, com a ajuda de amigas e organizações importantes, como o Instituto Gerando Falcões, a Otagai Produtora de Mídias Sociais, o Centro Ruth Cardoso e o Instituto Data Popular. Nessa primeira fase, conseguimos despertar o interesse em mais de 600 mulheres, que se dispuseram a escrever cartas para 40 meninas de uma escola em Poá, cidade na zona leste de São Paulo. Além dessas mensagens, sempre entregues em mãos, nós conseguimos realizar alguns eventos presenciais com as mulheres da rede e na escola parceira, que geraram impactos positivos na vida das pessoas que participaram.

As dificuldades no meio do caminho, os gargalos no processo, a falta de tempo para se dedicar ao trabalho 100% voluntário, entre outros problemas, me fizeram repensar o projeto e a necessidade de torná-lo mais fluído e dinâmico. Isso combinado com o contato da VisionVenture, especificamente com uma das fundadoras dessa aceleradora de projetos sociais, a Fernanda Flandoli, me fez ter certeza que o Cartas precisava ir para a internet e empoderar as meninas usando a tecnologia também.

Em paralelo a essa reestruturação, decidi embarcar para o Oriente Médio, especificamente para a Jordânia, Curdistão Iraquiano e Turquia, na viagem mais transformadora da minha vida. A ideia inicial era conhecer algumas mulheres que estão se levantando contra a opressão e misoginia na região, mas no meio do caminho haviam as meninas… Ah, as meninas refugiadas! Que são as principais vítimas dos conflitos armados na Síria e no Iraque, mas que guardam bravamente dentro de si um interesse pelo mundo e pelos outros. Através delas e de suas mães, tias e vizinhas, enxerguei uma oportunidade de mudar o rumo dessa guerra e, possivelmente, a história do Oriente Médio: trabalhando o empoderamento dessas garotas e mulheres que, em muitos casos, pela primeira vez na vida não contam com uma referência masculina decidindo sobre o seu futuro.

De volta ao Brasil, com o coração meio lá e meio cá, conversei com alguns amigos, que me ajudaram a enxergar uma ponte entre o projeto que eu já estava tocando aqui e meu anseio de fazer algo para transformar a realidade feminina nos países que conheci (obrigada, PJ!). Foi então que o Cartas Para o Futuro começou a ganhar asas, ou melhor, a querer levantar voo, para abraçar outras meninas com palavras cheias de inspiração e esperança.

E é aqui que você entra nessa história.

Nos ajude a escrever novas linhas — de programação ou frases mesmo — , que conectem garotas, através de uma plataforma acessível em São Paulo, na Jordânia, na África ou onde houver sonhadoras. Afinal, mais que uma rede de meninas e mulheres, o Cartas é formado por sonhos para o Futuro. Vamos juntas realizá-los.