A garota de casaco vermelho

O ano era 2014… Espera, será que foi em 2013!? Droga! Minha memória já não é mais a mesma. Que se dane. Era uma noite bem fria, o inverno em Porto Alegre começava a distribuir o seu cartão de boas-vindas. Recebi um convite para ir ao aniversário de um conhecido–mal sabia eu que tudo mudaria naquela noite–, e como todo bom boêmio: não pude recusar.
Passei no mercado mais próximo e comprei um vinho barato, bem barato mesmo, aqueles que nem vem com os rótulos, mas esquenta que é uma beleza. Esperei alguns amigos chegarem para me acompanharem até o local. Essas grandes amizades que me deixaram esperando por uma hora na frente do armazém–um dos meus grandes defeitos é odiar atrasos.
Até a chegada dos lerdos, eu já tinha tomado metade da garrafa de vinho, feito amizade com um estranho, e sabe-se lá o porquê de ter apostado quem bebia mais com ele. Eu ganhei, mas me arrependo (maldita dor de cabeça no dia seguinte).
Finalmente chegamos ao destino. Tinha cerca de 30 pessoas na festa, ou mais, mas isso não importa. Na verdade, apenas uma pessoa importa. Logo que eu a vi, entendi o significado de voar sem tirar os pés do chão. Ela possuía a pele morena, cabelos cacheados e volumosos, e usava um casaco vermelho lindo–mesmo sendo gremista fanática. Bom… Onde que eu estava? Ah, lembrei. Nós possuímos amigos em comum, então foi bem fácil me aproximar e conseguir o nome da minha Helena de Troia.
O momento que nos falávamos o som da música estava bem alto. Exaltasamba. Ela me convidou para dançar. Droga, eu era um péssimo dançarino de pagode. Tive que recusar o convite inventando alguma desculpa esfarrapada.
Infelizmente eu tive que sair mais cedo naquela festa, desejando que a vida me desse mais uma oportunidade de ver a garota de casaco vermelho. Graças a deus, tive muitas oportunidades, mas essas histórias eu guardo para outra noite fria.

