De ponto em ponto surgem relíquias

Seu Souza é alfaiate há 60 anos. Foto: Jackeline Previatti

“Amar a si próprio, ter gosto pela vida, sentir que a vida tem um sentido é fazendo o que gosta e o que eu gosto é ser alfaiate”.

Essas palavras são do alfaiate Atauril Scheffmacher de Souza, esse senhor de sobrenome alemão quase impronunciável, prefere ser chamado apenas de Souza.

Seu Souza nasceu em uma família em que seu pai era descendente de alemães e sua mãe descendente de portuguesa com indígena, sua família vinda da Alemanha, construíu vida em Santa Catarina.

O alfaiate aprendeu o ofício em Santa Catarina aos 14 anos e conta que foi por escolha própria que insistiu aos seus pais a começar a profissão. “Fui aprendiz de alfaiate de um homem muito rígido, eu era chamado de marreteiro se a costura não estivesse retinha, eu tinha que fazer tudo novamente”. Souza diz que marreteiro é uma palavra muito usada pelos alfaiates, pois, representa aquele que engana que faz trabalho mau feito.

Atualmente ninguém chama mais Seu Souza de marreteiro, pois, há 60 anos na profissão ele aprendeu a fazer trajes com todo cuidado e dedicação. O alfaiate trabalha sozinho, e faz toda a peça a mão, cortando, tirando as medidas exatas, juntando, colocando espuma e por aí vai… Um terno completo da “Alfaiataria Souza” custa 750 reais e demora quatro dias para ficar pronto. No entanto, ele garante que quem compra suas peças é uma roupa que durará mais de 20 anos.

E, por mais que o preço seja “salgado” como diz o alfaiate, trabalho é o que não falta. Por mês, ele faz 8 trajes completos. E, seus ternos são procurados até por pessoas de fora do Paraná.

O orgulho do Seu Souza a tesoura de 100 anos de idade. Foto: Jackeline Previatti

Faz 47 anos que o alfaiate está na cidade de Cascavel e em todos esses anos de profissão ele não se adaptou á modernidades, sua maquina de costura é de pedal toda revestida em ferro e uma de suas tesouras tem mais de 100 anos de idade.

O alfaiate crítica os ternos feitos por grandes indústrias e diz que vê seu trabalho como uma relíquia. “Meu trabalho é como quem faz um prédio, se fizer um trabalho sob medida ficará perfeito” retrata o alfaiate.

Atauril Scheffmacher de Souza mostra a magia de pontos calculadamente feitos à mão se transformarem em um terno de caimento perfeito. E faz lembrarmos que a moda é muito mais do que tendências e passarelas. As linhas e agulhas mostram o verdadeiro sentido da moda.

Imagem: Jackeline Previatti
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