Animais Fantásticos e Onde Habitam — Crítica

Por Lucas Kalikowski

Antes de começar a discorrer, há de ser dito o óbvio ululante: a franquia de Harry Potter cresceu, nos cinemas, junto de sua audiência. Assim, o que começou como um eloquente filme fantástico sobre descobertas, termina a saga de forma densa e reflexiva.

Animais Fantásticos surge cinco anos após o final da aventura de Harry Potter para reacender a chama dos fãs órfãos do mundo mágico. Anunciado como um filme de tom despretensioso e lúdico, revelou nos últimos trailers que tomou as rédeas da atmosfera que o menino-que-sobreviveu nos deixou.

A trama é inédita. Roteirizado pela própria J. K. Rowling (o que deixa o filme completamente fiel ao cânone), o filme se passa durante a ascensão de Grindewald, bruxo das trevas que aterrorizou o mundo antes de Voldemort. Nesse contexto, somos apresentados a Newt Scamander, estudioso dos animais que vivem no mundo dos bruxos, que infortunadamente deixa alguns animais escapar de sua maleta, entrando em uma aventura maior que o esperado.

Eddie Redmayne é um dos grandes atores de nosso tempo; apesar de uma atuação catastrófica em O Destino de Júpiter, o ator vem se destacando por seus trabalhos, trazendo a vida um Scamander tímido e de bom coração. Katherine Waterson (Tina, a aurora), Alison Sudol (Queenie, irmã de Tina e vidente) e Dan Fogler (Kowalski, o trouxa ou no-maj) fecham os protagonistas de apoio de forma eficiente. Waterson seria o elo que deixou a desejar, mas sua deficiência é suprida pelo resto do elenco.

O resto do elenco é completado por Ezra Miller (absolutamente subaproveitado), Colin Farrel (esforçado, apenas), Ron Perlman e Jon Voight (fazendo apenas algumas pontas).

O roteiro, assinado por Rowling, é excelente ao se conectar com a saga anterior. Antes de iniciar as cenas do filme, centenas de recortes de jornal estabelecem de forma concreta o panorama do filme, de forma que até mesmo quem não tem intimidade com o mundo dos bruxos pode se situar. Além disso, o filme estabelece menções pontuais que firmam a convicção de estarmos no universo mágico.

David Yates, diretor dos últimos quatro filmes da franquia do Harry Potter, já sabe como manter a atmosfera. A identificação visual é muito óbvia. Entretanto, o diretor peca ao não se decidir em como retratar seu filme; há dois tons muito claros, um tom otimista e fantástico ao mostrar o mundo mágico de Newt, mas há outro sombrio e apavorante ao retratar Nova Salem e todo o fanatismo. Esse troca de tons funciona como um pêndulo que cansa o espectador; oras temos uma cena cheia de luz, quando troca bruscamente para takes pesados e cheios de sombras.

Como a fotografia do filme nos faz perceber, Animais Fantásticos e Onde Habitam é um novo alvorecer para a franquia, sem exaurir tudo o que foi construído até então. As cenas amplas na MACUSA, com os bilhetes voando magicamente e os duendes operando os elevadores são homenagens claras ao que Chris Columbus fez nos dois primeiros filmes (Pedra Filosofal e a Câmara Secreta).

Cheio de magia, aventura e um elenco carismático, AfeOH é o filme mais Walt Disney da Warner. Há pouco, foi anunciado que haverá cinco filmes dessa franquia (antes eram três); essa tática foi usada já em O Hobbit e gerou um desgaste desnecessário no mundo de Tolkien.

Claro, infelizmente Tolkien não estava presente na construção do roteiro dO Hobbit. Torçamos que Rowling continue mostrando seu domínio total do mundo mágico e nos encante ainda mais com o que está por vir.

Nota: 5/6 (Muito Bom)