Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. — 4ª Temporada | Crítica

AoS mantém a qualidade, sedimentando sua própria mitologia dentro do MCU

Criada por Joss Whedon, Jed Whedon e Maurissa Tancharoen. Com Clark Gregg, Ming-Na Wen, Chloe Bennet, Iain de Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Brett Dalton, John Hannah, Mallory Jensen, Adrian Pasdar, Natalia Cordova-Buckley, Jason O’Mara, Gabriel Luna.

Quando Joss Whedon anunciou que se afastaria da produção de Agents of S.H.I.E.L.D. (AoS), os fãs — já rançosos com o fraco desempenho da obra — praticamente desistiram de apostar na primeira série da Marvel que se passava dentro do MCU. Assim, aproveitando o lançamento de Capitão América: O Soldado Invernal, a primeira temporada passou por uma reestruturação necessária imposta pelas consequências do filme. Tudo mudou.

A série, que até então patinava e perdia audiência, conseguiu se consolidar no novo status quo do universo cinematográfico. A queda da S.H.I.E.L.D. fora um trunfo para alguns plot twists essenciais na sobrevida do trabalho. Com uma boa atuação e bons argumentos nas temporadas seguintes, a série alcançou relativo sucesso a ponto de tomar coragem para ela mesma lançar novos heróis. Na quarta temporada iríamos presenciar o Motorista Fantasma!

Se tem algo que o showrunner Jed Whedon aprendeu com seu irmão (Joss Whedon, diretor de Os Vingadores e criador de Buffy: A Caça-Vampiros) foi como trabalhar um grande equipe. Sabendo dosar as participações do elenco, bem como equilibrar os diversos focos através da temporada, Whedon sabe explorar a história dos protagonistas, dando-os uma verticalidade admirável, além de sedimentar os personagens eventuais e secundários.

Em seu quarto ano a série deixa um pouco de lado Daisy (Bennet), cuja história foi explorada à exaustão nos anos passados, deixando-a somente como suporte para introduzir devidamente o Motorista Fantasma (Luna). Portanto, personagens como Mack (Simmons), Fitz (Caestecker) e Radcliffe (Hannah) acabam tomando os holofotes muitas vezes, cientes de que era o momento explorar seus personagens.

Caestecker, novamente, confirma seu trabalho brilhante como Leopold Fitz. Cada ano que passa, o talentoso ator se supera na reflexão dos traumas e consequências de seus atos. Henstridge, que interpreta Jemma Simmons, acompanha-o com uma dramaturgia excelente. Sem dúvidas o casal engloba os atores mais talentosos, deixando Gregg, Wen e Bennet para trás no que toca à capacidade técnica.

Nessa temporada que terminou, AoS adotou uma postura interessante quanto à sua narrativa. Enquanto no passado as séries com mais de vinte episódios por ano tinha apenas um ou no máximo dois plots (o que as enchiam de episódios insossos, conhecidos como fillers), o seriado da Marvel se construiu em três enredos bem distintos: a introdução do Motorista Fantasma, MVAs (Modelos de Vida Artificiais) e o Framework (uma forma de Matrix do MCU), sempre com pontes muito orgânicas e verossímeis nos episódios de transição.

Claro, existem arcos mais interessantes que outros, sendo o do Motorista Fantasma com certeza o melhor. Luna e Jansen (AIDA) ganharam muito destaque como as novidades do quarto ano, enquanto essa foi uma antagonista convincente, aquele foi o antiherói digno de merecer sua própria série, tal qual o Justiceiro na Netflix.

Terminando com o pior — mas não ruim — entre os três arcos (Framework), um clímax meio decepcionante, e as clássicas pontes para a temporada vindoura, nada pode ser descartado. Caso o Motorista não tenha sua série própria, nada impede que possa atuar como personagem recorrente em AoS, considerando seu sucesso esse ano.

Aliás, os últimos segundos nos induzem a crer que, por mais que seja negado pela ABC, a série da família real dos inumanos vai ter relação com AoS. Os motivos que induzem a esse pensamento são que o cliffhanger praticamente induz a isso e, na primavera, AoS será transmitido no mesmo horário que Inumanos, após seu término, então uma poderá trabalhar com consequências diretas da outra.

Seja por streaming ou por broadcasting a Marvel continua se superando ao expandir o MCU além das telonas. Que venha a quinta temporada! Quanto mais episódios eu vejo, mais eu quero que esses personagens interajam nos cinemas. Será que Kevin Feige atenderá a esse pedido?

Veremos.

Nota: 5/6 (Muito Bom)

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