Crítica | Power Rangers (2017)

Power Rangers surpreende com personagens consistentes e atmosfera que equilibra o nostálgico e o contemporâneo

Em busca de espaço no mercado heroico, a série POWER RANGERS morfa de um cenário infanto-juvenil cheio de faíscas para uma franquia cinematográfica com atmosfera mais sombria e que aposta no drama adolescente na busca de uma identificação com seu público alvo.

O longa-metragem tem como principal foco o desenvolvimento dos personagens principais, os quais acompanhamos por grande parte do filme despidos de suas armaduras rangers, com o explorar de suas personalidades, particularidades e relações familiares, em busca de dar fidedignidade para a união do grupo de super-heróis.

O roteiro escrito por John Gatins acerta em cheio em seguir por esse caminho — script que tem suas referências enraizadas em uma mistura de Clube dos Cinco (1985) com Poder Sem Limites (2012), fugindo das repetidas histórias de origens que permeiam os blockbusters hollywoodianos, o espectador realmente conecta com Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott), Zack (Ludi Lin), Trini (Becky G) e Billy (RJ Cyler).

Todavia, o texto não é infalível. Diálogos piegas estão presentes durante toda a duração da película, além de diversas fendas no roteiro — que mais parecem ser opções do roteirista em busca de um conteúdo mais enxuto em tela do que legitimamente furos.

Solução visual para Zordon, que (in)felizmente não é mais uma cabeça holográfica flutuando em um tubo de vidro gigante.

A escalação de Bryan Cranston (o icônico Heisenberg de The Breaking Bad) como Zordon e de Elizabeth Banks (da franquia Jogos Vorazes) como Rita Repulsa também são pontos altos da produção. O primeiro, representando o arquétipo do ancião, cumpre com excelência seu papel de mentor da equipe. A última, mesmo tendo uma atuação caricata e que traz traços fortes da Rita Repulsa apresentada no seriado televisivo da franquia, apresenta um tom de vilania para a personagem que surpreende, dando real noção de perigo aos Rangers.

O renascer de Power Rangers no cinema é bem-vindo. Mesmo com suas falhas de roteiro, o longa é consistente, cativa o público e tem ótimas - porém poucas - cenas de ação. Nos resta agora aguardar pela chegada de Tommy Oliver.

Go go, Power Rangers!

Quem usará o casaco de Tommy Oliver?

Nota: 5/6 (Muito bom)