Aumentando Vazios

Sentia-se cheio, atolado de inúmeros sentimentos, carregado de emoções. Parecia que estava sendo atingido uma única vez, mas de uma vez por todas. Seu peito apertado, esvaziava a cada vez que gritavam seu nome. Perdeu a conta de quantas vezes leu o mesmo parágrafo, em vão tentando terminar seu livro. Os ruídos da casa passavam pelos seus ouvidos, entrando por debaixo da pele, criando raízes nos seus músculos, vasos sanguíneos. Não conseguia terminar uma linha de raciocínio sem que o interrompessem. O limite estava tão próximo, mais alguns metro para atingir o extremo. Como uma bexiga, sopraram todos os obstáculos dentro dele, preenchendo seu interior com um ar quente e problemático.

Caminhava na linha fina e tênue, na fronteira do fim, um passo em falso e tudo iria pelos ares. Arriscando andar de olhos fechados, balançou bem na beira do abismo, o fundo do penhasco ecoando em seus mais profundos pensamentos. Pensou em como seria abraçar o frenesi de entrar em erupção, seria bom, ruim, prazeroso, constrangedor? Um berro de desespero brotava do seu âmago, crescendo a cada momento de hesitação, dilatando suas angústias. Mas no limiar da emoção, em breve tudo seria término.