O boné do ibeji

Era sexta-feira e o médium iniciante (que alguns chamam de endá) se preparava para as compras do dia seguinte. Tinha começado a incorporar algumas entidades e achava que eram necessários alguns adereços, ainda que bastante simples, conforme a orientação do terreiro em que trabalhava.

Num determinado momento da noite, organizando mentalmente a lista do que precisava, começou a pensar em seu ibeji (ou criança, ou erê, o nome é o que menos importa) e a se perguntar qual seria a cor do boné dele.

Rápida como um raio, surgiu uma voz em sua cabeça:

“Azul, tiozinho. Azul da cor do mar. Amanhã eu vou te mostrar e você vai saber qual é!”.

“Minha cabeça está viajando?”, se perguntou o rapaz, incrédulo. “Será possível?”.

Dia seguinte e o médium entrou numa loja para comprar um uniforme. Na hora de pagar, observou no balcão um monte de bonés de cores variadas.

E seu olho foi bater justamente em qual? Num azul. Na mesma hora ouviu uma voz muito familiar em sua cabeça:

“É aquele ali. Eu não disse, tiozinho?”.