O jogo da velha

Aquele era um terreiro de Umbanda com normas muito rígidas. O dirigente e o guia-chefe, por exemplo, poderiam questionar qualquer médium que supostamente não estivesse incorporado; se ficasse provado que realmente não era o guia quem estava se manifestando naquele momento, o trabalhador encarnado era expulso e suas coisas colocadas na rua.

E não havia quem pudesse questionar a norma. Querendo ou não, gostando ou não, era assim que a casa funcionava.

Durante uma gira de Preto Velho, o dirigente incorporou seu guia-chefe e procedeu com a chamada dos demais trabalhadores desencarnados. Pouco antes de iniciar as consultas, o guia-chefe alertou seu “cavalo”:

“Fulana não está incorporada”.

Foram então até a médium Fulana/Preta Velha:

“Boa noite, minha velha. A senhora poderia por favor riscar seu ponto?”.

Ordenaram que o cambono trouxesse uma tábua e uma pemba e procedeu-se com a riscagem do ponto, que ficou assim:

O guia-chefe/dirigente, incrédulo, perguntou:

“O que é isso?”

“Ora, é o jogo da veia!”, respondeu a médium/preta velha.

O dirigente/guia-chefe não teve dúvidas: imediatamente mandou colocar Fulana para fora do terreiro com banquinho e tudo.

Todas as semanas publicamos no blog histórias reais ou baseadas em fatos reais que ocorreram nos terreiros. Mande seu “causo” para causosdeumbanda1@gmail.com.

Leia mais histórias: https://medium.com/causos-de-umbanda