A trajetória até a Nuvem

Ao longo do ano de 2018 eu tive a oportunidade de falar em alguns eventos e este foi meu tema: Computação em Nuvem não é para humanos. A motivação para este título se deu quando eu estava apresentando uma das soluções da Valcann (valcann.com.br) para um cliente do ramo de varejo e o diretor da empresa me veio com essa: “Meu filho, esse negócio de computação em nuvem não é para humanos.”

Na oportunidade, fui atrás para entender o porquê disso. E a conclusão não foi muito boa: computação em nuvem ainda é um conceito distante para grande parte das empresas brasileiras, cujo a tecnologia não é o core do negócio. Isso porque, segundo o SEBRAE:

  • O Brasil possui cerca 6,4 milhões de estabelecimentos;
  • 99% são micro e pequenas empresas;
  • MPEs respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado (16,1 milhões);
  • São consideradas pequenas empresas, às que faturam até R$4.800.000,00.

Mas então, como fazer para convencer estas empresas de que a Nuvem é a alternativa ideal para executarem suas cargas de trabalho de tecnologia?

Em “Cloud Computing: A study of Infrastructure as a Service (IAAS)”, Bhardwaj et al. (2010), identificaram que existem três principais motivadores para migração para a nuvem:

  • Otimização e racionalização: quando este é o caso, geralmente o foco está na otimização da infraestrutura, promover melhorias na manutenabilidade e elasticidade; e quando esta é a motivação, estes projetos geralmente são capitaneados pela própria área de TI;
  • Reduzir o Custo Total de Propriedade (TCO): nestes cenários, a prioridade é a redução de custos com tecnologia e geralmente é demandado pela área de Finanças;
  • Respostas a desastres e crises: a motivação aí é alguma ocorrência de sinistro, o qual por consequência gera uma alta demanda por investimentos, fazendo com que a adoção de infraestrutura como serviço seja mais factível para diluir o custo e mudar o modelo financeiro (o velho CAPEX x OPEX); implementações nestes cenários geralmente são urgentes e pouco formais.

Quais os princiais gargalos atuais nas infraestruturas de tecnologia que motivam a adoção da Computação em Nuvem?

Principais gargalos e motivadores para adoção da Computação em Nuvem.

Temos hábitos no mínimo engraçados quando pensamos sobre os modelos gestão de infraestrutura de tecnologia das empresas brasileiras. Ou pelo menos, dos gestores de tecnologia das empresas brasileiras. Isto porque existe o estranho sentimento de que “manter dentro de casa é mais seguro do que na nuvem”. Já imaginou se a mesma lógica fosse adotada quanto a gestão do seu dinheiro? Certamente o mercado financeiro não seria tão forte, ao contrário do mercado de colchões, que seria o mais rentável do mundo (afinal, em algum lugar precisaríamos guardar nosso dinheiro).

O fato é que por mais que haja essa falsa sensação de segurança do on premises quando falamos na gestão da infraestrutura de tecnologia, já é muito claro para os gestores os motivos que os levam a adotar a computação em nuvem:

  • Baixos índices de disponibilidade dos serviços de tecnologia;
  • Complexidade na manutenabilidade da infraestrutura de tecnologia;
  • Gerenciamento de múltiplos fornecedores para entrega dos serviços de tecnologia.

E por onde começam?

Distribuição dos tipos de projetos de migração para a Nuvem.

Cerca de 75% dos projetos de Computação em Nuvem iniciam com operações de segurança e continuidade (backup, disaster recovery, balanceamento de carga, operações em stand by). Isso se dá pelo fato de que por se tratarem de operações secundárias e de redundância, não serão colocadas a prova tão cedo (pelo menos, assim esperam os gestores de TI).

15% dos projetos iniciam com alguma operação secundária, leia-se: aplicações web, verticiais de suporte (como folha de pagamento, CRM e correlatos). Ou seja, tratam-se de serviços que, se falharem, não comprometem integralmente o negócio e sim partes dele.

Apenas 10% dos projetos de fato iniciam com operações de missão crítica, tais cmo ERPs, verticais de negócio e afins.

Fatores críticos de sucesso

Fatores críticos de sucesso em projetos de migração para a Nuvem.

Mesmo que os projetos sejam totalmente totalmentes um do outro, principalmente quando falamos de computação em nuvem, há um senso comum quanto aos principais fatores críticos de sucesso para estes projetos:

  • Dimensionamento adequado da infraestrutura (considerando a variação das cargas de trabalho);
  • Uma camada de serviços que agreguem a infraestrutura na nuvem;
  • Orquestração e automação de operações de manutenção da infraestrutura de nuvem (ou seja, o bom DevOps).

A trajetória até a nuvem ainda é árdua e temos muita estrada pela frente. Mas, certamente, a considerar a dinamicidade do mercado atual, os negócios não tem tempo para esperar.

escovando bits, destrinchando problemas

desvendando os mistérios da computação em nuvem, devops e engenharia de software.

Carlos Diego Cavalcanti

Written by

MSc, Computer Scientist | CTO @ Valcann, www.valcann.com.br | Profile: linkedin.com/in/cdiegocom | E-mail: cdiego@cdiego.com

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