Funcionários da SETI recebem produtos orgânicos fresquinhos e colhidos no dia

Cesta de alimentos orgânicos do projeto Cestas Solidárias [Foto: Henrique Kugler]

Nesta quinta-feira (03/08/2017), o Paraná deu mais um passo rumo à democratização dos alimentos orgânicos. Funcionários da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) passam a receber, a partir de agora, cestas de alimentos livres de agrotóxicos e isentos de insumos químicos prejudiciais à saúde e ao ambiente natural. Folhas, raízes, frutas, legumes, temperos… “São produtos frescos, colhidos e já entregues no mesmo dia ao consumidor”, diz o engenheiro agrônomo Manuel Delafoulhouze.

A iniciativa é parte do projeto Cestas Solidárias, desenvolvido pelo Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA). Além de promover a alimentação saudável, a ideia é construir uma relação justa entre consumidores e agricultores.

O grupo da SETI, que já tem 23 funcionários participantes, é agora atendido por duas famílias de agricultores de Mandirituba (PR), que realizarão entregas na sede da instituição todas as quintas-feiras, às 11h. Essa parceria direta entre consumidores e produtores reduz consideravelmente o preço dos alimentos orgânicos — que muitas vezes levam o estigma de elitizados.

Primeira entrega [Fotos: Henrique Kugler]

Alimentos orgânicos: preço acessível

No caso da SETI, cada cesta custa R$ 25. “Em uma feira orgânica, por exemplo, a mesma quantidade de produtos custaria no mínimo R$ 35”, comenta o engenheiro agrônomo Ivo Melão, do CPRA. Já em um supermercado convencional, o consumidor muitas vezes sequer encontra boa variedade de alimentos isentos de agrotóxicos. E, quando encontra, os preços costumam ser altos demais — devido aos lucros dos inúmeros atravessadores que podem estar nos diversos elos da cadeia produtiva que separa agricultor e consumidor.

José Maia, chefe de gabinete da SETI e um dos participantes do grupo, diz que busca hábitos de vida mais saudáveis — e por isso participa do projeto. “É uma forma mais acessível de adquirir produtos sem defensivos tóxicos”, comentou ele ao receber sua primeira cesta. “Sabemos que os orgânicos são uma tendência mundial e o Brasil precisa abraçar essa bandeira.”

O engenheiro agrônomo Manuel Delafoulhouze explica como funciona o projeto Cestas Solidárias [Foto: Henrique Kugler]

O grande diferencial do modelo proposto no projeto Cestas Solidárias é o pagamento adiantado — como se fosse uma ‘assinatura mensal’ de alimentos orgânicos. “Isso faz com que nós, agricultores, possamos planejar nossa produção com muito mais segurança”, comenta Marcelo Zaleski, um dos agricultores responsáveis pela entrega de alimentos orgânicos na SETI. Ele diz que essa estratégia fortalece a agroecologia e valoriza o trabalho do agricultor que opta por uma produção mais responsável do ponto de vista socioambiental.

Políticas públicas em prol da agroecologia

Essa iniciativa é um dos frutos do Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCPO), desenvolvido pela SETI desde 2009. “Já estamos na terceira fase do programa e uma das ações previstas é promover estratégias de comercialização; o projeto Cestas Solidárias é um importante passo nesse sentido”, comenta o coordenador geral da Unidade Gestora do Fundo Paraná, da SETI, Luiz Cézar Kawano.

Ainda este ano, deverá ser lançado o site oficial do PPCPO, com informações sobre as diversas atividades que o projeto executa em todo o estado. “Um dos objetivos é facilitar o acesso às informações e incentivar a compra direta”, adianta o gestor do Fundo Paraná, Luiz César Kawano

A SETI é a primeira secretaria estadual a apoiar o Cestas Solidárias. Kawano espera que outros órgãos públicos possam também aderir ao projeto.

Esta semana, a equipe do CPRA inicia tratativas com a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) para apresentar a ideia aos funcionários da instituição — e, quem sabe, iniciar um novo grupo de consumidores de alimentos orgânicos. O Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA), de Pinhais (PR), também sinaliza interesse em participar.

No Cestas Solidárias, a criação de um grupo de consumidores de alimentos orgânicos normalmente segue três passos:

1. A instituição interessada convoca, com o auxílio técnico do CPRA, uma reunião inicial para apresentar a ideia a seus funcionários;

2. Um novo encontro é agendado para, então, iniciar o diálogo entre o grupo de funcionários e uma ou mais famílias de agricultores da região. É nessa fase que os consumidores escolhem os tipos de produtos que desejam receber, a periodicidade, as datas e locais de entrega, o preço que querem pagar;

3. É marcada, enfim, a primeira entrega.

Folhas, raízes, frutas, legumes, temperos são colhidos no mesmo dia da entrega [Foto: Henrique Kugler]

Paralelamente ao assessoramento para a criação de grupos de consumidores, o CPRA também acompanha os agricultores envolvidos no processo. “O planejamento de produção, a planificação da comercialização e a valorização da diversidade de hortaliças para a composição das cestas são alguns dos trabalhos nos quais auxiliamos os agricultores” explica Delafoulhouze.

Mais informações sobre o projeto Cestas Solidárias, mantido pelo CPRA, podem ser obtidas pelo telefone (41) 3544 8100.

Henrique Kugler