RESENHA | Meu amigo Dahmer - Derf Backderf
Para contextualizar, quem foi Jeffrey Dahmer?
Entre 1978 e 1991, Dahmer matou 17 homens, quase todos homossexuais. Ele os atraia em bares gays com ofertas atraentes para uma esticada de noite em seu apartamento. O que acontecia depois ia além do que se pode imaginar, ele dopava e violentava os homens, estrangulava-os e desmembrava os corpos, preservando algumas partes e comendo outras, mais tarde descobriu-se que ele trabalhou em experimentos rudimentares para transformar homens em zumbis, injetando ácido e água quente nos crânios que eram abertos com uma furadeira — Com as vítimas ainda vivas.

Toda a verdade sobre Jeff Dahmer foi descoberta em julho de 1991 quando uma de suas vítimas conseguiu escapar e chamar a polícia. Adentrando o apartamento os policiais foram confrontados com evidências que eles nunca mais esqueceriam: cadáveres dissolvidos em ácido; partes de corpos espalhados pelo lugar — na estante, crânios humanos dispostos como troféus, numa panela mãos humanas, num pote, vários pênis. O “canibal de Milwaukee” como ficou conhecido, não negou assassinatos e foi condenado a 15 prisões perpétuas consecutivas. Em novembro de 1994, Dahmer morria da mesma forma como assassinou sua primeira vítima: com um golpe na cabeça por uma barra de metal.
Resenha
Queria começar dizendo que o blog se chama cerveja e quadrinhos, porém nessa história nenhuma cerveja me acompanhou, mas uma IPA cairia bem com a história, com um amargor tão grande quanto o da história. Coloquei as mãos nessa belezura já era tarde da noite, nem fotos dela eu bati, comecei a ler e quem disse que consegui parar.

Qual o real motivo que nos faz ser tão interessados por serial killers? Se parar para pensar, tem até canal de tv (Discovery ID) que sua programação é inteiramente sobre isso, sem falar no seriado do Dexter, devo admitir que em mim existe um misto de fascínio e curiosidade em massacres e assassinatos em série, quero saber os detalhes, o motivo que leva uma pessoa aparentemente normal a fazer tais atrocidades.
Em “Meu Amigo Dahmer” Derf Backderf conta como era seu convívio no ensino médio com um dos mais famosos assassinos da história, Jeffrey Lionel Dahmer, ou Jeff Dahmer para os íntimos. Nesta HQ acompanhamos os passos de Jeff Dahmer, pelo colégio Revere High School, escola de ensino médio do Distrito de Richefield, na cidade de Bath, Ohio, típica escola de filmes de comédia clichês, onde valentões jogam no time de futebol, praticam bullyng com os nerds, e ganham os corações das sempre lindas líderes de torcida.
Dahmer era um garoto tímido, caladão, desajeito que vivia sempre solitário, não tinha amigos, ele passou a ter atenção de um grupo de rapazes, quando do nada, mudou completamente, e começou a imitar uma espécie de ataque epilético, que segundo o próprio, era uma imitação do decorador que sua mãe contratou. Ele se contorce, gagueja, revira os olhos, grita e simula convulsões, enquanto isso um grupo de pessoas ri e ele se sente o centro das atenções, ou foi uma forma que ele arrumou para interagir e se integrar com os demais. Foi criado o Fã Clube do Dahmer como conta o autor da Graphic Novel, eles apoiam esse “ataque epilético” de Dahmer, onde ele acha que está fazendo amigos, mas não passa de ilusão, a ponto de Backderf e seus amigos adotarem o “dahmerismos” como cumprimento. Ninguém o convida pra sair, não frequentam sua casa, ou muito menos conversam com ele sobre algo que não seja esse apoio a essas “brincadeiras”
“Conheci Dahmer na sétima série…ele era um ninguém… Um daqueles garotos que se tornam tímidos inválidos quando entram no primeiro estágio da adolescência. Quando criança Dahmer era uma vítima contante de bullyng. Um nerd magricelo usando óculos era uma presa fácil para os predadores do playground. Isso só piorou com o tempo. Mas toda escola tem crianças que não se encaixam. Não me lembro de ouvir sua voz enquanto estávamos no ensino fundamental, mas quando ele entrou para o ensino médio… No ensino médio ele começou a ter uma fala arrastada, fazendo mímicas e movimentos espasmódicos, imitando pessoas que tinha paralisia cerebral. Soa doente agora, mas nós achávamos aquilo hilário. Eu e alguns amigos instigávamos ele a fazer aquilo… ele chamava toda a atenção. Foi a primeira vez que ele foi notado no colégio. Nós até formamos um fã clube, o Dahmer Fan Club. Eu era o presidente!”
John Backederf

Vale lembrar que a história retrata a parte de Dahmer no colégio, não espere muitas atrocidades, sangue para tudo quanto é lado.
Nem mesmo o autor da HQ foi amigo dele, não passou de um colega que frequentava alguns lugares em comum. O Dahmer era como se fosse o mascote da galera, onde se submeteu a ser apenas o bobo da corte dessa turma, confesso que em algumas partes eu senti pena do Dahmer, pena não, mas uma empatia, pois o próprio Derf percebe que tem algo de errado com o Dahmer, mas não é capaz de estender a mão, segundo ele eram os anos 70, isso era normal, o politicamente correto não existia, por alguns momentos tu tem a impressão de que está graphic novel é um meio que o Derf achou para dizer “olha eu fiz isso com o Dahmer, mas a culpa não é minha não”
Essa bela edição da DarkSide Books, tem todo aquele acabamento de qualidade dos livros, além da história, o material contém vários extras ricos em detalhes com as fontes de pesquisa do artista. Poderia dizer que o traço é algo que me incomoda um pouco, mas a história me chamou tanto a atenção, que isso não passou de um mero detalhe.
A introdução sobre o Dahmer foi retirado do belissimo site: aprendiz verde

