Santos Cervejeiros: Santo Amando

Gravura de Santo Amando do século XIV

Amando (584–675), também chamado de Amândio, foi um bispo católico das cidades de Tongeren e Maastricht, hoje localizadas na Bélgica e Holanda, respectivamente. Reconhecido como um dos grandes missionários da região belga de Flandres, Amando é padroeiro dos cervejeiros, donos de pousadas e barmen, além dos viticultores, vinicultores, comerciantes e escoteiros. Sua data litúrgica é comemorada no dia seis de fevereiro, porém, não existem registros de milagres relacionados à cerveja.

De acordo com a biografia “Vita Sancti Amandi”, um texto do século VIII atribuído a um de seus discípulos, Beaudemond, Amando nasceu na região de Poitou-Charentes, na França. Ele era de origem nobre, mas aos 20 anos tornou-se monge em Île d’Yeu, contra os desejos de sua família. De lá, foi para Bourges, tornou-se aluno do bispo Austregésilo e viveu sozinho, por 15 anos, em uma cela, alimentando-se apenas de pão e água.

Depois de uma peregrinação a Roma, em 628, foi nomeado bispo missionário na França, sem uma diocese fixa. A pedido do rei Clotário II, evangelizou na cidade belga de Gante e, mais tarde, estendeu o seu campo de atuação por toda Flandres. Inicialmente, ele teve pouco sucesso, sofrendo perseguições e passando por grandes dificuldades. No entanto, após a realização de um milagre (trazer de volta à vida um criminoso enforcado), a notícia de alastrou e os habitantes o procuraram rogando para que fossem convertidos, destruindo templos e ídolos, e ajudando-o na construção de igrejas e mosteiros na região.

Retornando à França em 630, ele teve uma desavença com o rei Dagoberto, filho de Clotário II, e foi expulso do reino. Posteriormente, o santo foi convidado pelo próprio monarca a voltar para batizar seu filho, herdeiro do trono. Amando, a princípio, recusou, mas logo cedeu à insistência do rei, por intermédio de Dadon e Elói, dois senhores da corte que explicaram ao santo que aquela afinidade espiritual com o rei lhe proporcionaria mais liberdade para pregar por todo o reino e converter um maior número de fiéis.

Em 633, fundou dois mosteiros em Gante, um deles chamado Saint Bavo, em homenagem ao santo de mesmo nome, seu amigo pessoal, que doou a propriedade para o nascente monastério. O santo liderou também uma missão para converter os povos eslavos do vale do Danúbio, atual Eslováquia, mas não obteve sucesso. No caminho de volta à França, acredita-se que ele tenha realizado um milagre ao acalmar o mar que estava agitado durante uma tempestade.

Em 639, Amando fundou mais uma abadia, perto de Tournai e, entre 647 e 650, serviu como bispo de Maastricht, mas logo voltou às missões, dessa vez no País Basco. De volta à atual Bélgica, fundou novos mosteiros com a ajuda do rei Dagoberto e morreu aos 90 anos na abadia de Elnon (atual Saint-Amand-les-Eaux), perto de Tournai.