Trapista com sotaque espanhol

Nasce no monastério de San Pedro de Cardeña a primeira cerveja trapista da Espanha, batizada de Cardeña

Monastério de San Pedro de Cardeña (imagem: Junta de Castilla Y León)

São Pedro de Cardeña poderá ser, em breve, o mais novo membro do seleto grupo de monastérios da congregação cisterciense da Estreita Observância que produz cervejas reconhecidas pela International Trappist Association (ITA). A abadia espanhola, localizada no município de Burgos, já comercializa produtos com a famosa certificação, como vinhos e licores, e daqui a pouco, se Deus quiser, cervejas!

A ideia de produzir a “Cerveja Cardeña” foi concebida pelo próprio abade Roberto Iglesias, que, há pouco mais de dois anos, começou a brincar com a possibilidade de fabricar a bebida dentro das dependências do monastério. Uma realidade que foi levada adiante e confiada ao monge José Luis, ao mestre cervejeiro, Bob Maltman, e ao especialista em cervejas, Erick Coene.

Erik Coene serve uma Cardeña, com Maltman ao seu lado e padre José Luis ao fundo (imagem: Patricia)

Os monges de San Pedro de Cardeña abraçaram a ideia de iniciar algo semelhante ao que os seus irmãos já fazem, há séculos, em mosteiros trapistas cervejeiros, como Westmalle, Orval, Chimay e Tre Fontane, entre outros. Iglesias fez questão de inspecionar todo o projeto, que garantirá a subsistência da comunidade e também do patrimônio histórico da região, além da realização de obras de caridade.

A Cerveja Cardeña começou a ser produzida em uma pequena fábrica perto de Madri e já pode ser comprada na loja anexa ao mosteiro e na internet. A ideia é angariar fundos para viabilizar a construção da planta dentro das dependências do mosteiro, para, finalmente, internalizar a produção e obter o reconhecimento da International Trappist Association.

O rótulo da Cardeña faz referência às cervejas belgas do mesmo estilo (imagem: R. Santaolalla)

A Cardeña foi elaborada por Maltman e segue a fórmula das clássicas “Belgian Tripels”, mas como um toque espanhol. Segundo o mestre cervejeiro, espera-se que, a fábrica já esteja a todo vapor em dois anos. Para o padre José Luis, este é apenas o início de muito o que poderá ser feito a partir da construção da fábrica — leia-se: uso de ingredientes locais e novos rótulos vindo por aí. Estamos na torcida e em oração para que esta obra se realize. Ora et labora!



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