Informação é a alma do negócio

Por Luiz Borba

Nosso relacionamento com os computadores vem se estreitando com o passar dos anos. Ficamos mais dependentes destes dispositivos a cada segundo e decorrentes do seu uso, passamos a produzir uma quantidade considerável de informações, que podem ser processadas e transformadas em oportunidades. Nesta nova era da informação, é preciso preparar seu negócio.

Em 1951, O LEO I (Lyons Eletronic Office I) fez sua estreia como o primeiro computador usado para fins comerciais. Deste ano ao início da década de 80, esses gigantescos computadores funcionaram bem longe dos olhos do grande público, em porões glaciais.

A população em geral não tinha contato direto com os computadores. O contato mais próximo com essas máquinas que a maior parte das pessoas tinha era preencher à mão um formulário para que um digitador ( profissão que hoje pode parecer inacreditável, mas existia na época), digitasse esses dados em um terminal para que alimentassem os velhos mainframes. Naquela época, o volume de dados era muito baixo e o seu processamento realizado em lotes, ou seja, depois de serem inseridos nos computadores, os dados eram processados em bloco e horas depois o resultado era impresso. Essa realidade foi comum até o início da década de 80, quando uma grande inovação revolucionou o cenário de uso dos computadores nas empresas: A criação do microcomputador.

Com a aparição dos microcomputadores, houve uma considerável redução do preço e tamanho destes dispositivos e os computadores começaram a aparecer em cima dos balcões dos estabelecimentos. O que fez com que mesmo ainda não usando os computadores diretamente, os consumidores passassem a interagir de forma direta com as pessoas que os usavam. Assim, ao invés de preencher manualmente os velhos formulários, o consumidor ditava seus dados para que um funcionário os digitasse na hora. As aplicações do computador aumentaram, o volume de dados aumentou e a exigência por respostas rápidas também. O processamento em lote não era mais suficiente para atender às novas demandas e a partir daí, o padrão de processamento passou a ser do tipo request/response, ou seja, um conjunto de dados era digitado e o computador entregava os resultados segundos, depois na própria tela. Este tipo de processamento inicialmente era possível apenas para um subconjunto das aplicações, como por exemplo a compra em uma loja com emissão de nota fiscal. Mas para outros conjuntos de aplicações, como o cálculo de folhas de pagamento por exemplo, o processamento em lote continuava sendo padrão. Porém, em meados dos anos 90, uma outra revolução deu sentido aos microcomputadores para uso pessoal: Surgia a Internet. Com a internet, o uso do microcomputador passou a ser uma necessidade e as pessoas passaram a consumir e produzir informação, de forma conectada. O E-commerce tornou-se extremamente popular e outros setores seguiram a mesma tendência, oferecendo seus produtos de forma self-service na internet. Em meados dos anos 2000, veio a revolução da computação móvel, com os smartphones.

Os smartphones consolidaram essa nova era. Agora, a grande maioria da população está conectada e os consumidores tornaram-se Prosumers, ou seja, consomem e produzem informação simultaneamente, 24 horas por dia. As grandes empresas da internet hoje tem bilhões de usuários e o volume de informação a ser processado tornou-se absurdo. Nem o padrão de request/response e tampouco o de lote, conseguem oferecer resultados em tempo hábil para todos os usuários.É necessária uma forma de processamento de dados em que eles sejam processados à medida em que são produzidos, e se qualifiquem como capazes de oferecer respostas (mesmo que parciais) imediatamente. Este é paradigma do processamento em stream e é a partir deste ponto que surge a expressão Big Data.

Há muito tempo, os dados vem sendo processados utilizando ferramentas que foram criadas na década de 70 para atender um outro tipo de demanda, como vimos anteriormente. Essas ferramentas foram adaptadas e evoluídas para o cenário da microcomputação, mas hoje existem limites que não poderão ser superados sem uma reformulação completa destes meios.

O Big Data não tem a ver apenas com um volume maior de dados, mas com a transformação desses dados em informações e oportunidades para os negócios. Corporações como o Google, o Facebook e o Netflix perceberam isso e são pioneiros no uso de novas técnicas de processamento e na criação de novas ferramentas. Estas empresas estão mais preparadas e com isso descobrem novas fontes de dados, extraindo insights valiosos para a captação e retenção de clientes. Companhias como a Amazon por exemplo, são capazes de processar um altíssimo volume de informações, de várias fontes diferentes, para identificar desejos e tendências, que são convertidos em vendas. Empresas que ainda usam velhos bancos de dados e antigas ferramentas de BI, provavelmente não estarão preparadas para esta nova era.

Porém, as fontes de dados não se limitarão aos computadores, tablets e smartphones; A nova revolução já tem nome e chama-se “Internet of Things”, a Internet das coisas. Neste novo cenário, praticamente todos os objetos que poderão ser conectados através de uma conexão com a internet, o serão. Os atuais bilhões se transformarão em trilhões de dispositivos conectados, gerando um volume cada vez maior de informação. Mas a Internet Of Things também não será a última fronteira das fontes de dados… Esteja preparado, pois informação é a alma do negócio.

Luiz Borba é Bacharel em Ciência da Computação pela UFPE e trabalha desde 1991 com desenvolvimento de softwares . No CESAR, atuou em projetos inovadores para grandes clientes e foi consultor em diversos projetos de consultoria estratégica em TI. Atualmente, é engenheiro de software na Nubank,em São Paulo.