Almir Henrique Dantas
Apr 22 · 4 min read

Dividi este artigo em 3 partes porque ficou grande demais, então desculpe a leitura longa, mas espero que no final tenha valido a pena ter gasto um pouco do seu tempo nessa leitura ;)


Primeiramente acho que devo me apresentar, afinal de contas este é o meu primeiro post aqui no Medium. Sou Almir Henrique, natural de Recife, PE, sou designer e adoro viajar, seja nas ideias ou nas estradas mesmo. Decidi começar a escrever aqui porque este é um hobby que tenho desde a minha pré-adolescência e gostaria de compartilhar com pessoas que se interessam pelos mesmos temas, como design, filosofia e tecnologia.

Bom, minhas primeiras experiências com filosofia não foram muito agradáveis. Eu estava no ensino médio e lembro que era algo monótono e sem graça. Mas hoje eu vejo que o problema não era com a disciplina, nem com a professora ou a metodologia de ensino, e sim comigo. Talvez eu não tivesse maturidade para entender do que se tratava.

Pois bem, já na faculdade de design e no início da minha vida profissional comecei a me questionar sobre várias coisas (futuro, vida, crenças, universo, sentimentos, matéria, pensamentos etc..) e a achar várias conexões entre um assunto e outro, coisas que pra mim antes não faziam sentido. Foi então que descobri a beleza da filosofia.

Para completar, no mestrado em design cursei uma disciplina que chamava-se Filosofia do Design com um professor extraordinário que abriu minha mente e minha visão. Primeiramente, aquilo deu um nó na minha cabeça mas ao mesmo tempo foi um gatilho que aguçou a minha curiosidade, pois sempre pensei que design e filosofia não tinham uma conexão. Pra mim, filosofia tratava-se apenas de questões existenciais, transcendentais, metafísicas etc, enquanto design tratava-se apenas de solucionar problemas através da criatividade. Foi aí então que descobri mais uma vez a beleza da filosofia. A filosofia não é específica! A filosofia é para todos e para tudo. Embora este post seja direcionado para designers, pode servir como inspiração e fonte de informações para qualquer pessoa, de qualquer área. Dá para filosofar sobre qualquer assunto. Filosofar é o ato de racionalizar com o intuito de encontrar conceitos para explicar fenômenos do homem e da sua natureza (externa e interna).

Etimologicamente (algo que aprendi estudando filosofia — para encontrar o conceito de algo hoje ou algo que pode acontecer, sempre busque seu ontem, sua história, seu passado, sua origem, e, a etimologia de uma palavra é sempre o primeiro passo), a palavra Filosofia, do latim "philos” significa amor e “sophia”, conhecimento. Então, seu significado etimológico seria algo como amor ao conhecimento, à sabedoria, ao saber, à ciência.

Para o platonismo, o conceito de filosofia se resume a uma "investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a opinião irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis."


Então, você com certeza já ouviu falar na Pedra Filosofal, não é mesmo?

Cena do filme: Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001).

Este objeto ou substância lendária e mitológica muitas vezes visto em histórias e filmes de aventura, games e RPG, era algo estudado verdadeiramente por alquimistas do final do século XVII.
Acreditava-se que quem possuísse este objeto teria poderes incríveis, como a juventude eterna e a capacidade de transformar qualquer metal em ouro, obtendo assim riqueza infinita. Segundo as lendas, a pedra filosofal poderia ser utilizada para criar o Elixir da vida.

Aí eu me perguntei: por que "filosofal"? O que tem a ver filosofia com isso? Qual a conexão de algo "filosofal" com poderes ou elixir da vida?

Daí percebi que lendas são sempre metáforas para exemplificar conceitos. Portanto o elixir da vida que se fala nesse mito, nada mais é do que o conhecimento. Este, sendo então, privilégio e riqueza apenas para aqueles que beberem da fonte chamada filosofia, pois esta seria a fonte da juventude eterna, pois o homem sempre vai ser um questionador, é da sua natureza isso, assim como de uma criança ou um jovem curioso que busca respostas, um eterno aprendiz do mundo.


Tá, já falei demais e até agora nada de design não é?

Vamos lá, e onde o design entra nessa viagem toda de filosofia?


A filosofia é dividida em áreas de estudo como a Lógica, a Antropologia, a Gnoseologia, a Axiologia e a Ontologia (metafísica). Pois bem, o design é um dos campos estudados, principalmente, na Axiologia, área na qual o centro dos estudos é o conceito de Valor. Qual o valor das coisas? Por que algumas coisas são mais valiosas que outras? E quanto a transvaloração, por que as coisas mudam de valor? Enfim, esses e muitos outros questionamentos são discutidos na Axiologia.
É nesta área também que se estuda o conceito de Estética. Estética podendo ser vista como um meio e não um fim. O que é ser belo? Por que algo é mais belo que outro? Há beleza em tudo? E Arte é estética? Design e Arte seguem o mesmo propósito?

E o design(er), onde entra? Qual é o papel do design(er) nesse contexto? Qual a responsabilidade do designer em atribuir e agregar valores aos resultados dos seus trabalhos?

Vamos ver esses e outros questionamentos mais na frente, tendo a minha visão do design e da responsabilidade em ser designer, além de conceitos como estética, valor, informações, códigos, culturas, material e imaterial, mundo digital, entre outros, como base para responder essas perguntas.

As maiores referências deste post (partes 2 e 3) são dos livros O Mundo Codificado de Villém Flusser e Design Para Um Mundo Complexo de Rafael Cardoso.

Então, tá no flow?

Parte 2 >>

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