O que uma Dev recifense e um Designer carioca acharam do TDC SP 2018?

Erika Pessôa
Aug 17, 2018 · 11 min read

Erika: Este ano eu tive o prazer de descobrir, conhecer e participar do The Developers Conference, edição São Paulo, evento que reúne diversas comunidades de desenvolvedores, analistas, testers, gamers, makers, designers, entre outros. A isso eu devo um agradecimento especial ao designer carioca, Daniel “DM” Martins, que me falou do evento e faltando um dia para finalizar as submissões disse: “Vai lá e inscreve uma palestra porque você é incrível!” Entrei no site e fiquei impressionada com a quantidade de trilhas de conhecimentos: eram 61 durante cinco dias de eventos. Essa quantidade enorme de assunto vem acompanhada ainda de mais de 600 palestrantes e cerca de 7.500 pessoas inscritas durante 5 dias!

TDC São Paulo 2018

Enviamos alguma palestras: eu enviei uma palestra para a Trilha TDC4Women. Já eu, Daniel, submeti uma para a trilha Design Thinking, outra para a trilha Games e a última para Arduino, Makers e Impressoras 3D. Duas semanas depois recebemos os e-mails confirmando nossas palestras e numa manhã de quarta, voamos juntos para SP ;) Saímos do aeroporto direto para a Universidade Anhembi Morumbi, na Vila Olímpia, onde aconteceu o evento (vale dizer que o local, super arborizado, de fácil acesso e com o hotel próximo foram um “plus” na experiência). Foram quatro dias muito intensos, de aprendizado, conhecimento e trocas, com direito a almoço e coffee-breaks por conta do evento onde aconteciam os famosos e incessantes reuniões em pé com muito networking. No final de cada dia as pessoas reuniam-se no palco Stadium, para fazer um balanço do dia, parabenizar palestrantes e pessoas responsáveis pela coordenação das trilhas e do evento e concorrer a sorteios de brindes das empresas patrocinadoras — ainda um pinguinho frustrados por não ganhar nem um Chromebook nem um VR Box da Oracle.

Quando uma pessoa é aceita como palestrante, tem direito à assistir todas as demais palestras da sua trilha, mas também tem direito à se inscrever em uma trilha por dia, nos demais dias. Não é uma escolha fácil, são muitas opções interessantes, mas no final, as escolhas foram as seguintes: Erika — Android na quarta, Computação Cognitiva na quinta e Internet das Coisas na sexta, TDC4Women no sábado; Daniel — Inovação na quarta, UX Design na quinta, Design Thining na sexta, Games, Realidade Virtual e Arduino, Makers e Impressoras 3D (praticamente simultâneas!) no sábado. Abaixo vamos contar o que vimos e ouvimos em cada trilha e o que mais nos chamou atenção em cada um dos dias.

Quarta-feira: Trilha Android e Trilha Inovação

Erika: Como chegamos direto do aeroporto para o evento, não conseguimos pegar as palestras desde o começo, mas dei sorte por chegar mais ou menos na metade da palestra de Glauber e vê-lo falando sobre o crescimento da plataforma e dando dicas de quais características ele considera importante para um desenvolvedor moderno.

Palestra de Nelson Glauber — Desenvolvimento moderno de aplicativos Android: um guia [quase] completo

As demais palestras da trilha Android foram bastante técnicas e interessantes e tiveram uma fala em comum que soou quase como um mantra: vamos usar Kotlin! Preciso confessar que como uma pessoa que só se apaixonou por programação quando conheceu Java e que teve um professor que praticamente me catequisou, no bom sentido, a escrever códigos limpos, claros, sem economia de linhas nem abreviações, eu ainda ficava com o pé atrás. Porém, no final deste dia, saí da conferência com vontade de aprender Kotlin!

Daniel: Já em Inovação, perdi as três primeiras palestras, mas caí de paraquedas em uma intitulada “Voicebot — O Futuro do Atendimento” de Felipe Almeida, que foi um relato de experiência de um produto / serviço de chatbot que cancela contas de serviços como telefonia e internet! As três seguintes, bastante similares, falaram do processo de implantar uma cultura de inovação em diferentes contextos. Já a “Nextel Labs — Construindo um roadmap para a inovação guiado pelo design” apresentou um case de uma marca white label que o laboratório de inovação da empresa de telefonia de um potencial novo serviço de telefonia, muito interessante.

A cereja do bolo foi a palestra de Jaqueline Weigel que falou sobre “Futurismo Estratégico para Inovação Acelerada” e trouxe diversas provocações e conceitos sobre forecasting muito sensacionais. Tudo que veio depois foi eclipsado por ela (risos), apesar de muito boas.

Palestra de Jaqueline Weigel — Futurismo Estratégico para Inovação Acelerada

Quinta: Trilha Computação Cognitiva e Trilha UX Design

Erika: Esse foi um dia que me deu muita saudade da faculdade — do sétimo período pra frente, que fique claro ;)- do meu tempo de mestrado e me lembrou do quanto eu gosto de IA, inteligência computacional e afins. Abrindo um parenteses, esses dias todos me lembraram mais fortemente o quanto eu gosto de estudar e como não é trivial conciliar esta vida adulta de trabalho e pagar contas com a disposição e tempo para estudar. Voltando, o grande queridinho de praticamente todas as palestras foram os chatbots: de como melhorar a eficiência do seu chatbot — segundo Fernando Sapata e Renato Barbosa, é 95% matemática pura — as soluções de serviços cognitivos da Microsoft, Google Assistant e Actions e o Watson. Pra mim, entretanto, o ponto alto do dia foi ver a fala de Diego Dorgan da RocketChat. Não foi apenas a apresentação técnica dele, falando da plataforma, que por sinal, achei muito bacana e pretendo usar em breve e do Rasa Stack, que promete ser uma alternativa melhor as soluções atuais de chatbot com o uso do que eles chamam de Stories, criando diversas árvores de decisão que são processadas numa deep learning. Diego se mostrou um cara que é motivado a criar e trabalhar com soluções que possam melhorar a vida das pessoas e compartilhar conhecimento usando plataformas open source. Num mundo tão individualista como a gente vive hoje, pra mim, é sempre alentador conhecer pessoas que querem compartilhar e trabalhar em comunidade.

Palestra de Diego Dorgam — RocketChat com Chatbots open source em múltiplos canais!

Daniel: A trilha de UX Design teve umas gratas surpresas como “ROI de UX: Como UX influência o retorno de investimento de um negócio?” de Guilherme Gonzalez que trouxe uma pegada mais de negócios e monetização com a progressão norteada e impactada diretamente pelo UX. Essa trilha particularmente foi positiva para mim, pois nunca havia parado para estudar UX de fato e já estava no meu radar. Algumas das palestras explicitaram o conceito das 10 Heurísticas de Nielsen e a constatação de que esses conceitos e o UX como área pode ser aplicado em diversos contextos, como em “UX do Fracasso | Como um design ruim influencia na experiência do usuário” de Denis Augusto Piaia, que abordou sobre como o design de componentes automobilísticos e o manual de instruções de carros são pessimamente projetados. Lá eu conheci a Priscila Alcântara, que assim como eu é colaboradora do CESAR e apresentou de forma magistral um case real intitulado “Ajudando quem não sabe programar a criar expressões programáticas através de interface”. Para mim o ponto alto foi a palestra de Caio Calado “As boas experiências das más experiências” que articulou de forma brilhante o conceito de experiência, metodologias de design e UX, além das oportunidades de iteração de experiências ruins.

Palestra de Priscila Alcântara — Ajudando quem não sabe programar a criar expressões programáticas através de interface.

Sexta: Trilha Internet das Coisas e Trilha Design Thinking

Erika: Tenho que dizer que eu estava com uma grande expectativa sobre o que eu iria ver e ouvir na trilha de IoT, afinal, estou há quase um ano e meio fazendo uma especialização, na CESAR School, neste tema. E a primeira palestra começou muito bem, com Carlos e Thiago, que trabalham na Duratex, falando da sua experiência de fazer um chuveiro conectado que se comunica com o Alexa, o que eles aprenderam no caminho e o que ainda precisa ser feito, inclusive em termos burocráticos, para colocar este chuveiro no mercado — por exemplo, precisar de aprovações ligadas a Anatel.

Palestra de Carlos Souza e Thiago Marques — Casas Conectadas — O Chuveiro

Gostei muito da palestra de Vinícius Senger, evangerlizador da Amazon, falando sobre IoT e HealthCare, mostrando os experimentos que ele vem fazendo, utilizando ele mesmo como cobaia e as muitas aplicações que estão sendo desenvolvidas nesta área. O dia terminou com a fala de Neto Marin, da Google, mostrando como o Android Things foi desenvolvido e algumas interessantes possibilidades do seu uso. O que mais gostei foi a pegada maker que deixa um espaço bem aberto pra criatividade e experimentação, ótimo pra usar em contextos de aprendizado.

Daniel: Sexta era o dia de minha trilha, Design Thinking. Já tinha participado ano passado dessa trilha e minha crítica sobre a trilha é que por vezes ela se torna repetitiva. Esse ano essa sensação foi menor; entretanto, muitas das palestras foram mais análises de cases. Novas articulações com áreas afins ou muito distintas deram um frescor necessário para a trilha. “Design Thinking Aplicável no dia a dia” de Samuel Thome trouxe o conceito de Enterprise Design Thinking e outros conceitos interessantes. Caio Barão falou de um case com aplicação prática de ferramentas e a metodologia em “Service Design Inside: um estudo de caso em uma empresa do setor de telecomunicações”. Houveram algumas palestras sobre outras áreas, como a correlação de UX com DT, programação com DT.

Se aproximando a hora da minha palestra “Fun Thinking: A diversão como elemento chave de resolução de problemas”, resolvi dar uma abordagem diferente: ao invés de ferramentas e análises de case, propus uma palestra mais inspiradora, com múltiplas articulações de conhecimento em rede, construindo uma síntese de discurso do que venho estudando sobre educação, cognição, aprendizado, game design, design thinking, gamificação, diversão, psicologia positiva e um pouquinho de neurociência. Apesar a quantidade grande de conhecimentos distintos, acredito que tenha feito sentido pras pessoas, pelo feedback que recebi durante e depois da mesma. Com certeza elas se divertiram! Um ponto positivo percebido pelo público foi o conceito de Paternidade Centrada no Usuário, que é um raciocínio e abordagem que aplico na maneira de me relacionar com meus filhos (isso vira um artigo depois, eu prometo). Para fechar: foi de longe a mais organizada e com propostas diferenciadas para os formatos das trilhas e ainda teve o trabalho incrível da Alessandra Peguim Rosa com visual thinking transformando as palestras em infográficos na hora!

Palestra Daniel — Fun Thinking: A diversão como elemento chave de resolução de problemas

Sábado: Trilha TDC4Women e Trilha Games, Realidade Virtual e Arduino, Makers e Impressoras 3D

Erika: Este foi, pra mim, um sábado de grandes emoções. Não por ser o dia da minha palestra, mas por tudo que vi e ouvi nas demais. Poucos dizeres se encaixam também para resumir o que aconteceu, quanto o que diz: mulheres são como água, crescem quando se juntam. E por isso fica difícil contar esse dia como contei os outros. Então deixo esse link aqui para quem quiser saber com mais detalhes como foi a Trilha TDC4Women. De maneira mais resumida (risos) a trilha começou com as duas primeiras palestras no Stadium sobre treinamento de liderança e Agile Coach. Ambas excelentes, trazendo muitos dados, reflexões e exemplos do que não fazer se você quer contribuir para tornar as empresas de TI um ambiente seguro e acolhedor para as mulheres. Em seguida, Maíra e Carolina falaram sobre como os chatbots podem se tornar preconceituosos quando eles apenas aprendem com o que está inserido na Internet. O dia também contou com a participação de Nágilla Regina, que não é desenvolvedora, mas falou muito bem da representação do gênero feminino nos jogos digitais. Andreza Rocha deixou todo mundo com gostinho de quero mais quando falou da sua relação com o Ativismo e de como isso modificou sua atuação como Tech Recruiter — no final tem um pouquinho mais de informação sobre espaço TDC +Diversidade. Um momento que deixou a todas muito emocionadas foi a fala de Inaray Sales ao contar sua trajetória, de garota da periferia e de como a tecnologia mudou sua vida e abriu caminho pra melhores oportunidades. Já a minha palestra foi sobre minhas experiências de inspirar meninas a seguirem na área de Ciência da Computação. O que eu realmente tentei fazer neste dia foi inspirar aquelas mulheres, cada uma do seu jeito e dentro das suas possibilidades, a fazerem o mesmo. Sem dúvida, o local estava cheio de excelentes exemplos e se cada uma conseguir fazer um pouquinho, eu tenho esperança que não vai demorar 216 anos para mudarmos o cenário atual.

Palestra Erika — Elas por Elas: a experiência de inspirar meninas a seguir na área de Computação.

Daniel: Sábado chegou, e tive a surpresa logo pela manhã: minha palestra para a trilha Arduino, Makers e Impressoras 3D que estava como backup iria acontecer ainda pela manhã. Acabei me dividindo entre as três trilhas. Na de Arduino, Makers e Impressoras 3D vi algumas palestras falando sobre iniciativas utilizando essas ferramentas enquanto outras possuíam uma abordagem bem ferramental. Recebi bons feedbacks sobre a minha palestra “Math Blaster: Um artefato educacional lúdico baseado em hardware livre”, que era essencialmente um relato de experiência de um artefato lúdico para um learning game narrativo que desenvolvi em parceria com os alunos do NAVE e a UFRJ. Com a alternância entre trilhas, acabei não terminando algumas palestras, mas senti que Games e VR poderiam estar unidas em apenas uma trilha e com palestras menores. Fim de tarde corri para o aeroporto, de volta pra meu novo lar, com a sensação de dever cumprido.

Palestra Daniel — “Math Blaster: Um artefato educacional lúdico baseado em hardware livre”

TDC +Diversidade

Lembra da Andreza que falamos logo acima? Ela estava comandando, junto com uma galera do AfroPython, o espaço TDC +Diversidade. Eles ficavam todos os dias, das 15h às 16h, num espaço na área comum, conversando com quem aparecesse por lá, sobre a questão da diversidade dentro da área de Tecnologia, mais especialmente sobre racismo. Eu, Erika, não conhecia a Andreza, mas Daniel sim e já tinha me falado dela desde o dia que chegamos. Ele conseguiu nos apresentar no sábado! Precisamos deixar registrado aqui que iniciativas como essa são fundamentais. Esperamos que não só se espalhem por outros espaços e eventos como avancem como propostas cada vez maiores e mais significativas.

TDC +Diversidade

Na sigla TDC, a letra “C” deveria representar COMUNIDADE ou COMPARTILHAR. Esse talvez é o maior valor do evento, em que pessoas de diferentes contextos regionais, se unem pela paixão em determinada área e compartilham sua visão de forma harmônica, uníssona e complementar. O que podemos dizer mais? Foi uma experiência incrível, super recomendamos a quem ainda não foi e com certeza pretendemos participar das próximas edições. Para saber mais vale dar uma olhada na página do TDC no Facebook e no próprio site onde ainda é possível assistir online as palestras que foram transmitidas no Stadium. Dá uma olhada nessa daqui e nos vemos no próximo TDC ;)

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Erika Pessôa

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Educadora de vocação e desejo, cientista de curiosidade e formação, fotógrafa e costureira de "enxerimento" e alegria.

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