Como a riqueza do Brasil é mal distribuída

Há várias formas de medir a distribuição de renda de um país. Uma delas, o Coeficiente de Gini, consiste em um número que varia de zero a um, em que quanto mais próximo do zero, maior é a igualdade, enquanto o número um representa a completa desigualdade. Em 2013, o Brasil recebeu o número 0,50, ficando atrás de países como México, Paraguai e Argentina. Ou seja, a má distribuição de renda no país é um fato.

No gráfico do Coeficiente de Gini de 2013, o Brasil aparece com o valor 0,50. Foto: Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira — Ministério da Fazenda

A distribuição de renda refere-se à maneira como a riqueza de um país é dividida entre sua população. No Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira, divulgado pelo Ministério da Fazenda, pesquisadores afirmam que “a desigualdade nos estratos mais altos da sociedade é elevada e vem aumentando. […] No Brasil, nos últimos anos, a maior elevação da renda dos grupos mais pobres em relação aos mais ricos foi determinante para que o Índice de Gini recuasse de 0,545 em 2004 para 0,490 em 2014. Apesar desse avanço, o país possui um nível de desigualdade elevado quando comparado com outros países em mesmo estágio de desenvolvimento”.

A evolução do índice no Brasil citada no relatório, correspondente ao período de 2004 a 2014. Foto: Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira — Ministério da Fazenda

O estudante de Direito Cauê de Almeida Pinto afirma que “a concentração de renda e riqueza entre os mais ricos é fator decisório para a ocorrência da desigualdade. Em média, o 1% mais rico acumula 14% da renda declarada no Imposto de Renda e 15% de toda a riqueza”, explica.

Dentre os principais fatores da má distribuição de renda no Brasil destacam-se ainda o pouco acesso à terra pelos pobres, a exclusão da população negra, a falta de investimentos sociais, a recessão e o baixo crescimento econômico. Porém, a maioria dos especialistas distingue uma causa como fundamental: a desigualdade na educação — o que acarreta, como consequência, em pobreza e miséria.

“Com baixa escolaridade, a população pobre não consegue ascender profissionalmente, nem melhorar seu padrão de vida. Os filhos dos pobres também abandonam a escola e isso perpetua o ciclo vicioso”, Cauê explica.

A imagem ilustra a discrepância entre a favela de Paraisópolis, em São Paulo, e um condomínio de luxo, separado por um muro. Foto: Tuca Vieira

Uma possível solução para esse problema, segundo a estudante de Ciências Contábeis Bruna Brunetti, seria desenvolver o crescimento econômico do país “com projetos de saúde, educação e oportunidade de trabalho e geração de renda para as famílias”. Um exemplo é o Programa Bolsa Família, do Governo Federal, que, conforme ela explicou, “baseou sua expansão no aumento da cobertura e não no aumento do benefício entre os que já o recebiam, fazendo com que houvesse uma inclusão da população carente, tirando pessoas da miséria e criando novas oportunidades.”

Cauê tem uma opinião parecida e conclui afirmando que “somente com a reestruturação econômica e social do País e com novas bases igualitárias será possível corrigir as defasagens sociais e crescer rumo ao desenvolvimento.”