O microfone está aberto para quem quiser apresentar argumentos, ao invés de dar opiniões.

Apresente argumentos ao invés de dar opiniões.

Eu enxergo design como processo. E adoro falar sobre os processos de design: briefings, pesquisa, as escolhas criativas, seu impacto nos negócios… Talvez alguns achem esta visão burocrática. Mas para mim, estes processos é o que tornam possível a deliciosa produtividade do caos criativo. E depois, novamente com mais processos, transformamos o caos criativo em algo novo, pronto para sair no mundo e…. Gerar mais caos criativo!

É por isso que muitas vezes eu fico frustrada em grupos de design. Muitas das discussões que acontecem por lá são sobre ferramentas ou críticas não-construtivas sobre o trabalho de outros designers. Esta não é uma crítica à estes grupos. Entendo que eles existem para agregar uma gama grande de profissionais, cada um com seus desafios. Mas não consigo evitar em me sentir frustrada ao entrar nestes grupos e não encontrar o tipo de discussão que eu gostaria.

Essa frustração é especialmente grande quando começa alguma discussão sobre a criação ou redesign de alguma grande marca.

Toda vez que alguma grande empresa muda sua marca, eu saio procurando conteúdo sobre o motivo da mudança, o processo do redesign, a empresa que fez o trabalho. Para mim, é lá onde poderei encontrar informações que podem me ajudar a crescer como profissional.

Outros profissionais, designers como eu, suaram a camisa para criar aquele projeto. Acho bem mais interessante tentar entender o que foi feito e porquê foi feito, do que decidir se eu gosto ou não.

A minha opinião sobre o resultado do trabalho, eu costumo guardar para mim mesma ou comentar somente com os mais próximos. No final das contas, ela é irrelevante. Até porque, o redesenho de uma grande marca costuma ser apenas parte de uma estratégia de branding da empresa. E nesta empresa terá gente trabalhando para fazer a coisa funcionar. E se não funcionar, também vai ter gente correndo atrás para consertar o estrago. Se eu não sou uma dessas pessoas, o mais produtivo que posso fazer é estudar cada um destes casos para aprender.

Todos nós temos opiniões. Poucos de nós entendemos o quanto as nossas opiniões não tem importância para além do nosso pequeno círculo social. Quando se trata de questões sociais ou assuntos profissionais, o que importa mesmo são argumentos e dados.

E como profissionais da área de design, acho que precisamos melhorar nossa argumentação sobre a área e deixar de lado as críticas vazias, baseadas em opiniões pessoais.Você tem o direito de achar uma marca feia ou bonita, mas na maioria das vezes isso tem pouca importância.

Portanto, eu proponho o seguinte: toda vez que uma nova marca for apresentada acompanhada dos argumentos que guiaram sua criação, ouça, leia. Design é processo, portanto estes argumentos são essenciais para se entender as escolhas que levaram ao resultado final.

O mais legal dos argumentos é que você não precisa concordar para entendê-los. Diferentes profissionais poderão ter diferentes visões sobre um mesmo projeto. Essa diversidade é rica. Mas ela só existe se escutarmos uns aos outros.

Talvez você concorde com alguns, discorde de outros. Defenda o seu ponto de vista, seja ele qual for, apresentando bons argumentos. Defender um ponto de vista não é querer se provar certo, mas iniciar uma discussão que pode estimular e desafiar nossa inteligência e criatividade.

Claro que todos nós, designers ou clientes, queremos trabalhos que gerem bons resultados. Mas numa argumentação sobre design, o objetivo é aprender mais, entender como é possível melhorar e como o processo influenciou no resultado criativo. Entenda o briefing e os desafios apresentados pelo projeto. Embora o resultado seja importante, podemos deixá-lo de lado por um tempo. Não será neste momento que os resultados do negócio serão avaliados.

O processo já aconteceu, está no passado. E por isso, agora temos a oportunidade de estudá-lo e aprender com ele. O real resultado pertence ao futuro — embora ninguém crie uma marca nova esperando que as vendas caiam, somente o futuro — e a análise dos dados que vierem com ele — poderá dizer qual foi o real resultado da nova marca (e todas as outras estratégias que devem vir junto).

Grandes marcas costumam apresentar grandes desafios — seja pelo tamanho da operação, pela diversidade do público, pela enorme possibilidade de diferentes aplicações… É bem provável que os profissionais envolvidos no trabalho tenham levantados centenas de diferentes soluções para cada um destes desafios. E no final, junto do cliente, escolheram as que mais faziam sentido no contexto do projeto. No final das contas, isto é o melhor que qualquer um de nós pode fazer.

Dani Lima é uma profissional independente, especialista em marcas e colaboradora na Abacomm. E defende que opinião não é argumento.

Para meu portifólio, processo de trabalho, valores e crenças, visite: www.danilima.com.br

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