
Convergir — um primeiro passo importante para uma estratégia de marca
Eu ganho a vida dizendo a empreendedores que eles devem dar significado à sua marca, que uma marca forte tem uma estória por trás e que é preciso transformar isso numa imagem única e relevante (imagem como percepção e não um desenho).
E então eu preciso fazer o mesmo para a minha marca — afinal eu também sou uma empreendedora. E então é a hora de colocar o que eu digo em prática. E todos sabemos que é bem mais fácil falar do que fazer.
Pode parecer contraditório, mas ser criativo para si mesmo é uma tarefa muito difícil. E nem se trata do ditado “casa de ferreiro, espeto de pau”. Já há algum tempo eu separo algumas horas da minha semana para “trabalhar para mim”.
Imagino que este desafio não seja só meu. Já criei diversas marcas para pequenos negócios, ajudando-os em parte da sua jornada para criar uma marca forte e relevante, conquistar audiência e vender seus produtos e serviços. Mas estes empreendedores precisam investir seu próprio tempo e sua própria criatividade em sua marca.
Convergir
O primeiro esforço que fiz, foi o de descrever a estratégia para a minha marca. Compreender o que é importante para mim e meu trabalho. Descobrir o que é único no meu serviço. Pode parecer banal mas não é fácil resumir com clareza o turbilhão de idéias que temos para nossos negócios. Mas é necessário.
É preciso haver um ponto de convergência em tudo o que você faz. Pare de criar ações desconexas e comunicações inconsistentes. A convergência ajudará a definir a estratégia da sua marca. Irá fortalecer sua imagem. Ajudará a merdir resultados. Determinará que ações servem para você e quais não servem. E você conseguirá usar melhor seu tempo e verba. A estratégia da sua marca deve ser a bússola em todas as suas decisões de negócio.
Não acho que exista um formato ideal para você descrever a estratégia da sua marca. Mas as diretrizes abaixo podem ajudar.
Com que eu quero falar? Quem é meu público?
Já que o negócio é meu, eu posso (ou melhor, devo) decidir com quem eu quero trabalhar. A definição do seu público é fundamental. Mas esqueça as definições genéricas de classe A/B, idade X… Pelo menos por enquanto. Você poderá definir tudo isto mais claramente depois. Neste momento, pense especificamente no seu cliente ideal (ou clientes, mas não exagere, 3 perfis diferentes já é bastante). Descreva seu hábitos, sua personalidade, o que ele faz com o tempo livre, como são seus relacionamentos… Tudo isso te ajudará a perceber o tipo de público que você deve buscar e também como você poderá alcançá-lo. Depois resuma tudo isto numa frase curta para você se lembrar facilmente.
Do que este público precisa?
Você está criando um negócio então precisa oferecer algo que seja útil ou desejável para o seu público. Ninguém compra produtos ou serviços. Compramos a experiência que desejamos obter com aquele produto ou serviço. Você não comprou um celular, comprou a capacidade de se comunicar de forma fácil com sua família ou amigos ou comprou o status associado à última versão de um smartphone. É preciso entender qual experiência o seu público busca. Faça isso observando, perguntando, testando.
No meu caso defini isto como “conhecimento, orientação e parceria para construir uma marca que os ajude a concretizar seu negócio”. É muito mais que “criação de logotipo”. Posso oferecer conhecimento através de artigos, orientação através de material didático (freebies ou cursos) e parceria através de serviços profissionais de design. Tudo isto sempre pensando em como vou ajudar este empreendedor a colocar a mão na massa na criação e gestão da sua marca.
Qual o seu negócio? O que é único nele?
A idéia aqui é conseguir definir de forma clara o que o seu negócio irá representar para seu público. Que imagem você quer construir na lembrança dele?
Eu quero projetar a imagem de alguém que está sempre estudando, evoluindo e buscando perguntas e respostas na área de criação e gestão de marcas. Não alguém que tem as respostas para tudo, mas sim uma estudiosa. E depois compartilhar isso ao meu público. E quero fazê-lo de uma forma otimista. Afinal de contas, se vamos encarar a pedreira de construir nosso próprio negócio, que seja leve e divertido né?
O que sua marca oferece?
Qual a oferta que sua marca vai fazer ao público? Lá em cima, você já identificou a necessidade que você quer suprir. Se as pessoas compram uma experiência, qual experiência você vai oferecer?
Descreva de forma tangível e simples o que você vai oferecer à seu público.
Designer criando logotipos tem muitos por aí. Eu decidi incluir minha experiência no pacote, oferecendo conteúdos — que hoje são artigos e newsletters. Mas no futuro podem virar cursos, livros… O foco do meu serviço também vai além da criação, meu objetivo é ser parte de uma rede que ajuda o empreendedor. Esta é a experiência que quero oferecer à cada um dos meus clientes. Descrever isto me deu uma visão melhor do tipo de atendimento que devo fazer, o tipo de ferramentas que devo usar e até mesmo a faixa de preço em que devo operar.
Qual será a experiência do seu cliente?
Depois que consumir a sua oferta, o que seu cliente vai ganhar? Que aspectos da vida dele vão ser influenciados? No meu caso, quero que tudo o que eu ofereço sirva para empoderar o empreendedor, que o ajude a ter novas perspectivas sobre seu negócio. E que também ele se sinta empolgado em planejar e executar a visão para a sua marca.
Qual a sua causa?
Por último, mas não menos importante, descreva o “porquê” de tudo isso. Por que todo esse esforço em criar um negócio, planejar, investir, ler centenas de artigos, estudar… Que impacto seu negócio quer deixar no mundo? Bom, sendo pequeno talvez seja difícil criar impacto no mundo inteiro, mas é possível deixar sua marca no seu nicho, na sua comunidade, no seu bairro. Mas para isso você precisa entender o seu “porque”, a sua causa maior, seu propósito.
Eu quero ajudar pequenos empreendedores a terem uma jornada bacana. Eu não posso garantir o sucesso de ninguém. Sucesso é uma medida individual e depende de muitos fatores. Mas eu posso ser um apoio na jornada e posso ajudar a transformá-la em uma experiência enriquecedora. Talvez o negócio não vire um mega sucesso, mas se no caminho o empreendedor aprender e crescer, ele já ganha vantagens para a próxima tentativa. E se o negócio virar um mega sucesso, são mais experiências para compartilharmos juntos.
Não se cobre demais, você está escrevendo isso como um exercício interno do seu negócio. E não está escrito em pedra. Se algo mudar, você pode mudar sua estratégia.
Eu mesma já editei a minha algumas vezes. O foco principal nunca mudou, mas fui ganhando mais clareza em alguns detalhes.
Escrever a estratégia da sua marca é uma parte importante do primeiro passo para convergir todos os seus esforços para a criação de uma imagem única e relevante.
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Dani Lima é profissional independente, especialista em marcas e colaboradora na Abacomm. E pode te ajudar a criar sua marca.
Este texto faz parte das “Cartas Criativas para Otimistas Incuráveis”.
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