Honestidade precisa fazer parte da sua identidade. Não dá pra fingir — ou se é honesto ou não.

Honestidade como estratégia

Honestidade pode ser uma estratégia. Não estou falando da honestidade de não roubar ou não mentir (embora estas coisas estejam incluídas, mas isso é o mínimo esperado não?) Mas da honestidade de mostrar ao mundo quem se é, medos, defeitos e esquisitices incluídos.

Ser honesto é ser verdadeiro. É sair do âmbito do parecer para o âmbito do ser, do âmbito do dizer para o âmbito do fazer. Muito se fala em autenticidade de marca. E marcas honestas são automaticamente autênticas, já que investem esforço em ser e fazer e não em dizer ou parecer algo.

Mas o que significa honestidade para marcas?
Para começar, significa repelir um monte de gente.
Mas hein? Como assim?

Bom, a questão é que quando se é honesto, você deixa bem claro quem é você, quais as coisas que você acredita e defende, e o que você tem para oferecer (e o que não tem também). E quem não gostar ou não concordar, vai dar as costas para a sua marca. Simples assim.

Mas o mesmo também é verdade para àquelas que gostarem e concordarem com sua marca. Essas, vão prestar atenção no que você tem a dizer e, mais ainda, podem até virar um repetidor da sua mensagem. Essas pessoas vão dividir os mesmos valores da marca e estarão muito mais inclinadas a comprar, caso você ofereça algo que seja útil para elas.

A honestidade sobre os valores e crenças da sua marca e sobre o que seus produtos e serviços podem oferecer vai ajudar a construir confiança. E se tem algo que todos nós apreciamos num relacionamento, é confiança. No caso de negócios, confiança numa marca pode significar boas vendas, mesmo perdendo o dinheiro daquele pessoal que não gosta do que você tem a dizer.

Mas construir confiança é um trabalho contínuo, não existe um momento em que podemos dizer “ok, meu público já confia em mim o suficiente, posso parar”. E é aí que a honestidade como estratégia faz diferença.

Falar abertamente ao seu público sobre o sua marca representa, defende e o que ela tem a oferecer, atrai o público certo. Sendo assim, depois disso não será necessário gastar energia tentando agradar gregos e troianos. O “público certo” não será composto de pessoas iguais, mas de pessoas diferentes que têm algo em comum — entre si e com a sua marca. E isso ajuda a dar foco na sua comunicação.

Ao vender um produto ou serviço, ser honesto sobre o que ele pode oferecer e, também, o que ele não irá oferecer, faz com que as pessoas certas comprem a sua oferta. As pessoas que, mais provavelmente, realmente se sentirão satisfeitas com o que você está oferecendo. É ser aquela vendedora da loja de roupas que tem a coragem de dizer que “esta roupa não caiu bem em você”. Ela pode perder a venda, mas conquista o cliente que passa a confiar que ela realmente irá ajudá-lo a se vestir bem.

Mas não basta vender para o seu público e pronto. Depois da venda, esteja aberto a feedbacks. Mesmo com todo o seu esforço, alguém pode não ficar satisfeito. Nestes casos, vale a pena estabelecer formas honestas e transparentes para lidar com a insatisfação dos seus clientes. Deixe claro quais são a políticas do seu negócio em caso de insatisfação. Ofereça compensações ou, se for o caso, devolva o dinheiro. Essas opções podem significar uma mordida no faturamento, é verdade. Mas um cliente que acreditou na sua marca e agora se sente insatisfeito e prejudicado por ela, pode significar um vetor negativo para o crescimento do negócio, trazendo ainda mais prejuízo no longo prazo.

Seja honesto sobre seus erros e falhas também. Todo mundo erra, o que faz diferença é a forma como lidamos com o erro. Quando errar, retrate-se.

Isso quer dizer que além de ser honesto com seu público, é preciso ser honesto consigo mesmo. Estou realmente oferecendo o melhor a meus clientes? Estou de fato cumprindo minhas promessas? Ouvir com carinho as críticas e sugestões do seu público fazem parte de um aprendizado muito importante. Na verdade, o melhor caminho é buscar ativamente estas críticas e sugestões. Honestidade e diálogo precisam sempre andar juntos.

Agradeça os aplausos mas busque entender o porquê das vaias. Talvez aquela pessoa que está vaiando não faça mesmo parte do público que você deseja. Mas talvez ela ofereça uma outra perspectiva que pode te ajudar a crescer e melhorar. Você só vai saber se perguntar.

E isto irá alimentar um ciclo virtuoso de confiança. Pois se tem algo melhor do que sentir que podemos confiar em alguém, é sentir que este alguém confia em nós também.

Adotando a honestidade como estratégia, muita da energia que você gastaria para parecer algo, passa a sobrar. E então você pode usar esta energia para investir no que realmente interessa. Por exemplo, descobrir como envolver e entreter seu público. Mas isso é assunto para outro artigo.

Dani Lima é profissional independente, especialista em marcas e colaboradora na Abacomm. E, honestamente, está sem paciência hoje para pensar numa frase engraçadinha.

Este texto faz parte das “Cartas Criativas para Otimistas Incuráveis”.
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