A resposta é: visão além do alcance :)

O que uma mãe e pequena empreendedora tem em comum com o CEO da Unilever?

Eu participo de um grupo no facebook para mães empreendedoras. É um dos grupos mais produtivos que participo, diversas mulheres contando histórias, fazendo perguntas e buscando respostas para trazer sucesso aos seus negócios.

Algum tempo atrás uma mãe publicou um dilema sobre seu negócio: ela vende doces e quitutes. O diferencial de seus produtos é não usar açúcar refinado, corantes ou conservantes. Ingredientes muitos industrializados são substituídos por opções naturais, criando assim opções de alimentação muito mais saudáveis.

Mas estas substituições podem ser caras. E com isso, o produto que ela vende acaba sendo viável apenas para um público com melhores condições financeiras. E isso a incomodava. Ela vê a escolha da alimentação saudável como algo que deve ser acessível a todos. Seu questionamento era:

“Por que só filhxs da classe média/alta podem ter uma festinha com mais opções honestas ou uma lancheira mais nutritiva?”

o que me chamou atenção para este post foi que, no mesmo dia, eu recebi um email do “Trend Watching” com o título “Big Brand Redemption”.

“Big Brand Redemption” seria o movimento de grandes marcas em se tornar parte da solução dos grandes problemas do mundo, adotando causas e, de fato, entregando resultados. Isto vai além do (batido) conceito de responsabilidade social. A idéia é que marcas realmente decidam atacar e criar soluções para grandes problemas.

A diferença agora é focar no FAZER e não no DIZER, indo além de discursos vazios de marketing. A premissa é que grandes empresas têm escala, alcance, recursos e capital humano, além de décadas de conhecimento acumulado, e por isso tem a capacidade de realizar grandes mudanças.

Grandes marcas buscariam rendenção fazendo acontecer coisas boas para o mundo com metas claras e mensuráveis. Por exemplo, a Unilever se propôs a alcançar 1 bilhão de crianças na Ásia, Africa e América do Sul com uma campanha para criar o hábito de lavar as mãos 5 vezes por dia, diminuindo assim o número de mortes infantis por diarréia ou outras doenças infecciosas.

O questionamento daquela mãe, não é diferente do questionamento abaixo, do CEO da Unilever — Paul Polman.

“O que eu quero é um capitalismo sustentável e igualitário. Por que não podemos seguir este modelo?”

A diferença entre os dois, obviamente, é a escala. A Unilever tem o capital — financeiro e humano — para atacar uma causa grande como diminuir o número de mortes infantis no mundo. A mãe ainda nem conseguiu fazer seu negócio decolar.

Mas independente da escala, esta mãe tem o potencial de realizar mudanças somente por ter levantado este questionamento no início do seu negócio. No começo, talvez ela traga mudanças para uma ou duas pessoas. Depois mais algumas. E mais algumas… O mais interessante é que ela não enxerga o sucesso de seu negócio como algo a parte do sucesso da sociedade onde vive.

E sabe o que é mais interessante em enxegar o seu negócio desta forma? Você para de tratar seu público como mero consumidor do seu produto e passa a tratá-lo como parte ativa do propósito maior que sua empresa deseja alcançar. Você deixa de ter clientes e passa a ter apoiadores fiéis.

Uma das grandes forças de uma marca pode ser o propósito maior que ela abraça. Mas lembre-se, estamos na era do fazer e não do dizer. Não adianta dizer que sua empresa tem esse ou outro propósito mas não fazer nada sobre o assunto.

No caso dessa mãe, logo vieram sugestões para que ela criasse conteúdo gratuito que ajudassem pessoas com menos renda a trazer alimentação saudável para sua casa, que oferecesse cursos e workshops em ONGs ou organizações de bairro, e que — quando pudesse — revertesse parte de seu lucro para ajudar em campanhas sobre alimentação saudável, etc.

Como seu negócio já nasce com um propósito grande — ajudar famílias a se alimentarem de forma mais saudável — logo ela viu que poderia ir bem além de simplesmente produzir doces e quitutes. Havia uma gama de produtos que ela poderia oferecer — pagos ou gratuitos — que se alinhavam com seus ideais e com seu negócio.

Assim, mesmo começando pequena, ela tem a possibilidade de criar uma marca forte, com um discurso alinhado com suas ações. O propósito de uma marca é uma luz que pode iluminar os melhores caminhos de crescimento para sua empresa. Não é fácil, mas é muito melhor seguir um caminho carregando uma lanterna do que tateando no escuro.

Seja ambicioso — estabeleça para seu negócio, um propósito que vai mudar o mundo. Sim, é improvável que você mude o mundo inteiro, mas você pode começar pelo sua vizinhança, pelo seu bairro… E o mais importante é que este propósito será o guia que vai te ajudar a construir a marca e o negócio que você deseja.

Dani Lima é profissional independente, especialista em marcas e colaboradora na Abacomm. Também é mãe e empreendedora e fã dos Thundercats.

Este texto faz parte das “Cartas Criativas para Otimistas Incuráveis”.
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