A Morte do Deus

Pensava-o como meu pilar de Djed: estável, mágico, protetor. Adorava-o, quase como um Deus, Osíris. E como os deuses, ele seria eterno para mim. Mas acontece que o homem quase deus era de carne e osso, sentimentos de amor e revolta. Era homem, era humano. Porém eu o fiz um deus, e como um deus, ele me amava, protegia, acalmava.

Os deuses também sentem ódio e fúria. Onde estava o erro? Agora eu sentia abandono, descaso e tristeza. O deus se revoltou contra mim, não havia mais amor, nada.

Persistia na conquista da benevolência do meu senhor. Chorava, suplicava, me rastejava em seus pés. Qualquer migalha de afeto era recompensa. Fui uma boa menina e o deus me abençoou. Eu sorria.

Sentia-me grata e devota por qualquer demonstração vaga de afeto. Deus agora me olhava com asco. Ele tinha poder sobre mim e eu obediência. Abria a boca de joelhos para receber seus restos, me contentava com um sorriso insosso. Eu era serva e ele senhor.

Era.

Um dia meu coração deixou de bater tão forte, tão ansioso e contido.

Proclamei a morte do deus.

“Deus Está Morto” Eu repetia com destreza.

Matei deus com minha própria alma.

Deus estava morto. Eu era então dona de mim. Dona da minha própria divindade.

Consagrei-me bruxa.

Bruxa de mim.

Não há deus.

Será que os deuses são reflexos de nós? Eu havia me ajoelhado durante muito tempo para aquele deus e antes que ele me condessa ao inferno, eu o matei.

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