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O salário e o design, quase um conto

Na Roma antiga os soldados recebiam como pagamento uma porção de sal. O sal ajudava na cicatrização, além de conservar algumas comidas e dar sabor, os romanos consideravam o sal como um presente divino, dádiva de Salus, deusa da saúde. E daí vem o termo salário para os dias de hoje, fato citado apenas para dar um clima de quebra gelo para o assunto abaixo.

Só que esse tema hoje, sobre salários, ainda mais no contexto da área de design, é sempre um assunto que puxa para o desespero que envolve ansiedade, revolta, tristeza e uma série de outros sentimentos, adjetivos e substantivos infinitos, longe da merecida porção de sal ou será, que mesmo na Roma antiga, os soldados também lutavam por uma porção mais justa de sal?

Segundo resultados da pesquisa realizada pela Consultoria de UX Saiba Mais, através de um levantamento com 472 pessoas para entender o cenário de mercado de UX design no Brasil (em 2016), a faixa salarial mais comum é a que fica de R$ 4.000 a R$ 7.000. Já o site LoveMondays, os dados relacionados sobre a posição de UX designer Senior, a média atual (em 2017) fica na mesma casa dos R$ 7.000, variando em uma pequeníssima minoria que alcança mais de R$ 11.000 e uma grandiosa e esmagadora maioria de seniors que também fica na casa dos R$ 4.000. Se continuar a procura em outras fontes de pesquisa, como o site NEUVOO, o cenário atual se confirma mais uma vez.

Nesse mesmo ano, o Felipe Melo aqui do ChocoLaDesign, fez um ótimo artigo também sobre quanto um designer pode ganhar. Um dos pontos interessantes do seu artigo, é que revelam que a concentração dos melhores salários, que se alinham as mesmas médias citadas acima, estão concentradas em São Paulo e decrescem conforme se afastam desse núcleo, alcançando todo o brazil. Isso nos mostra o quanto o Brasil ainda não é maduro em enxergar a importância da valorização do profissional de design e traz o cenário difícil para um profissional conseguir melhores salários ou mesmo, boas propostas para novas oportunidades.

Esse exercício, de conquistar melhores remunerações se torna uma luta constante, onde designers precisam fazer uma avaliação de suas capacidades, do quanto conseguem entregar e apresentar esses números afim de conquistar aquele tão almejado aumento. Muitas vezes, profissionais de design só conseguem melhores salários, trocando de empresas. O valor que ganham em seus atuais empregos, em muitos casos está estagnado e com aumentos insignificantes que apenas seguem tributos ou indices. Nesse contexto, muitos se veem forçados em buscar algum lugar que os valorize mais, então esses designers fazem uma escalada de troca de empregos constantes. Segundo dados, o tempo médio de profissionais de design em empresas é de no máximo 3 anos e um dos motivos é a estagnação salarial. Solução para esse cenário, creio que a curto e médio prazo não exista do lado mercadológico. O que então força profissionais se mexerem e não esperarem que o mercado mude.

Muitas empresas tentam suprir essa baixa salarial com ambientes agradáveis, bonitos e legais, flexibilidade de horário, opções de trabalho remoto, jogos e momentos de relaxamento, comidas e tudo mais que possa brilhar os olhos e diminuir a dor de ganhar pouco. Mas aí faço outra pergunta, isso é o suficiente? Bem, tudo depende do que o profissional deseja. Creio que muitos conseguem e trocam bons salários por estruturas joviais e desafiadoras, mas tudo é uma questão de contexto de vida. Obviamente em algum momento, precisam de salários que possam sustentar famílias e benefícios tangíveis que realmente deem suporte necessário.

E você, quer ganhar quanto de sal?

Nessa semana, lanço mais um vídeo do meu canal DesignTeam justamente com foco no tema sobre salários.

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