streaming sem papo furado

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#chupamangazine
Published in
3 min readMay 19, 2020

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Talvez você ainda não saiba, mas o Bandcamp é uma das plataformas de streaming mais justas com quem produz música. Diferente do onipresente Spotify, por exemplo, ele permite controle total sobre os lançamentos — do áudio à arte da capa, sem qualquer tipo de restrição além da resolução dos arquivos — e, o mais importante: transparência. Parece óbvio, mas na maioria dos serviços é notoriamente obscura a divisão de valores pagos pelos royalties de centésimos de centavos. Algumas listas circulam por aí comparando quantos plays um artista precisa obter nas maiores plataformas para atingir um salário mínimo do Reino Unido, e basta dizer que nada abaixo das centenas de milhares chega perto disso. Mas também, que absurdo querer ganhar dinheiro com música!

Ilustração de Emma Shore para o Bandcamp Daily

O Bandcamp funciona de outra forma. Embora esteja aos poucos ganhando algumas funcionalidades de rede social (como a nova seção “community”, uma espécie de blog dentro da página de artistas), o foco por ali é realmente a audição: você não pode sair navegando a esmo enquanto ouve alguma coisa, a não ser que abra outra aba. Ele não é focado em playlists, mas em tags e no espaço de cada lançamento, mesmo que tenha alguns posts temáticos com curadoria na página inicial. É verdade que tanto a sua versão web quanto o aplicativo são primariamente voltados para música atual, de artistas vivos, e não clássicos dos catálogos de grandes gravadoras — e é justamente aí que queremos chegar. A questão financeira também opera por outra lógica, deixando na mão dos artistas a opção de fazer pré-vendas, disponibilizar apenas algumas das faixas do álbum ou incluir faixas bônus e material extra no download, por exemplo. Não há pagamento por plays, mas os ouvintes podem comprar o material — tanto digital quanto físico (embora essa opção talvez seja menos utilizada no Brasil) — diretamente de cada artista. A cada compra, o Bandcamp fica com 15%, o Paypal com aproximadamente 5%, e todo o resto vai direto para os autores. É realmente simples, e faz parte da política de “Fair Trade” do site, que desde 2008 já repassou milhões de dólares para a comunidade artística.

Na atual situação de calamidade mundial por conta da covid-19, enquanto o Spotify se propõe a cobrir doações para organizações de assistência a músicos (os de carreiras razoavelmente estabelecidas, diga-se), o Bandcamp resolveu abrir mão da sua porcentagem de forma integral, na primeira sexta-feira de cada mês, para ajudar os criadores de conteúdo. É um estímulo para os fãs apoiarem diretamente as suas bandas favoritas, e que nas duas primeiras ocasiões distribuiu mais de dez milhões sem taxas. As próximas datas desta ação são 5 de junho e 3 de julho de 2020, de 4 às 4 da manhã no horário de Brasília.

Para nós, é uma ótima oportunidade de lançar material novo, e também acabamos disponibilizando a opção de compra da nossa discografia completa com 50% de desconto. Aproveite para seguir a Chupa Manga Records por lá!

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