Camundongos irão flutuar no espaço!

conheça a missão Rodent Research-9

Yara Laiz Souza
Aug 25, 2017 · 3 min read
A astronauta Peggy Whitson coleta imagens de seu globo ocular durante atividade rotineira na ISS (Créditos: NASA)

Para ajudar a ganhar o espaço profundo com exploração humana, incluindo locais como Marte, precisamos elucidar ainda mais algumas questões relacionadas com a resistência do corpo e outros fatores biológicos e médicos que podem se mostrar como grandes problemas para os astronautas. Além disso, haverá muitos imprevistos em uma viagem como essa estar preparado é a palavra de ordem .

Para isso, a NASA conduz algumas pesquisas interessantes e jamais vistas antes como a presença de camundongos no espaço — isso mesmo: roedores vão flutuar na ISS.

A missão Rodent Research-9 será enviado para a Estação Espacial Internacional (ISS) da NASA juntamente com roedores. O objetivo é estudar o comportamento de vasos sanguíneos, olhos e articulações durante as mudanças de gravidade. Foi desenvolvido uma tecnologia para transporta-los e um habitat especial para que eles flutuem sem problemas a bordo da 12º missão de reabastecimento da SpaceX.

“Os cientistas da biologia espacial observaram mudanças aceleradas na fisiologia de ratos no ambiente espacial e essas mudanças são características de algumas doenças humanas como a osteoporose e o envelhecimento precoce”, explica Kevin Sato, cientista do estudo. “Mudanças semelhantes foram observadas em astronautas então o ambiente espacial permite aos cientistas estudar mudanças fisiológicas nos astronautas usando os camundongos como modelo”.

Naturalmente no mundo da Ciência, camundongos são utilizados como organismos modelo em diversos experimentos. Isso porque eles possuem um comportamento muito semelhante ao comportamento do corpo humano como a sua atividade cerebral.

Os camundongos ficarão pela ISS durante cerca de um mês, tempo suficiente para que o ambiente espacial possa afetar o corpo pequenino deles. O Rodent Research-9 conta com três trabalhos de três cientistas de instituições diferentes. Dois desses trabalhos estudam como a microgravidade afeta os vasos sanguíneos cerebrais e dos olhos. Alguns astronautas relatam cegueira temporária, visão turva, fortes dores e pressão na cabeça durante as viagens; pode ser o prelúdio de problemas permanentes na visão e até mesmo acidentes vasculares cerebrais (os derrames).

O terceiro experimento será sobre a degeneração tecidual nas articulações de parte do corpo como quadris e joelho. Assim, a microgravidade será analisada no sentido da perda de cartilagem nessas articulações e como isso pode afetar a movimentação futura dos astronautas em Terra.

Esta será mais uma missão de mão dupla: irá ajudar os astronautas e a medicina que cuida de civis como eu e você. A missão irá gerar dados interessantes para o estudo futuro de problemas como deficiências visuais e artrite e ajudar a criar novos tratamentos e remédios mais eficientes.

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Yara Laiz Souza

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Comunicadora Científica, bióloga em formação, pesquisadora da Educação e do Ensino de Biologia.

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