Cientistas que você deveria conhecer — Marie Curie

Hoje é dia de apresentar a primeira cientista mulher nesta série, que dedicou sua vida (literalmente) à Ciência. Estou falando de Marie Curie (07/11/1867–04/07/1934). Nascida na Polônia com o nome de Maria Salomea Slodowska e naturalizada francesa, esta é talvez a cientista mulher mais importante de todos os tempos.

Em resumo, foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, aliás, ganhou dois, em duas categorias diferentes. Foi uma das pioneiras no campo da radioatividade, descobrindo elementos e propriedades que até hoje são essenciais na medicina moderna. Por aquelas ironias do destino, acabou morrendo devido ao seu trabalho, que salva muita gente nos dias de hoje.

Maria Slodowska nasceu em Varsóvia em 1867. Seu pai, Wladyslaw, um professor de física e matemática foi quem a educou quando as autoridades russas impediram o ensino de física nas escolas.

Impedida de cursar o Ensino Superior na Polônia por ser mulher, Maria foi para a Universidade de Volante, uma instituição de ensino clandestina que aceitava mulheres. Sem dinheiro, tornou-se governanta e começou a estudar por conta própria.

Władysław Skłodowski e suas filhas (da esquerda para a direita): Maria, Bronislawa e Helena (fonte: wikipedia)

Continuou desta forma até 1891, quando iniciou seu treinamento em um laboratório de Química em Varsóvia.

No fim do ano de 1981 mudou-se para Paris, onde estava sua irmã e o cunhado. Naturalizou-se francesa e passou a atender por Marie. Continuou seus estudos de Física, Química e Matemática na Universidade de Paris, sobrevivendo com ajuda da irmã. Em 1893 terminou a graduação em Física e começou a trabalhar no laboratório de Gabriel Lippmann. Ao mesmo tempo que trabalhava, terminou sua graduação em Matemática em 1984. No mesmo ano ela conheceu Pierre Curie. Eles se casaram em 1895.

A famosa Sorbonne, em Paris

Por sugestão de Henry Becquerel, Marie iniciou sua pesquisa com Urânio em 1896, investigando as tais radiações e procurando novos elementos.

Ela descobriu que o Tório possuía características parecidas com o Urânio. Interessada em minerais, Curie começou a estudar a pechblenda, uma variedade impura de uranita. A atividade da pechblenda era até então um mistério, que poderia ser explicada com a presença de algum material extremamente ativo no seu núcleo.

Em 1897 nasceu a primeira filha do casal Curie, Irene.

Pierre Curie se juntou ao trabalho e eles isolaram dois novos elementos, Polônio e Rádio. Enquanto Pierre Curie se dedicava ao estudo físico da então descoberta radioatividade, Marie Currie tentava obter o novo elemento Rádio puro, em estado metálico. Quando alcançou seu objetivo ela recebeu o título de Doutorado em Física, em 1903, o mesmo ano em que recebeu seu primeiro Nobel, dividido com Pierre Curie e Henri Becquerel.

Marie foi Professora de Física na École Normale Supérieure para meninas em 1904 e introduziu um novo método de ensino, baseado em demonstrações de experiências. Neste mesmo ano foi contratada como chefe-assistente de laboratório, comandado por Pierre Curie.

Além disso em 1904 nasceu sua segunda filha, Eve.

Eve, Marie e Irene.

A morte de Pierre em 1906 em um acidente rodoviário foi um momento de virada na carreira de Marie. Ela dedicou todas as suas forças para completar o trabalho que eles haviam iniciado.

Com a morte de Pierre, uma das cadeiras de professores da Sorbonne foi deixada vaga. Ela assumiu a vaga do falecido marido tornando-se a primeira mulher a ser Professora em uma das mais importantes Universidades do mundo.

Em 1908 ela se tornou professora titular, tendo seus estudos em radioatividade publicados em 1910.

ma das primeiras fotos do Instituto do Rádio, em Paris

Oito anos após a morte de Pierre, Marie recebeu seu segundo prêmio Nobel, desta vez em Química pelo isolamento do Rádio. Ela decidiu não patentear a descoberta, permitindo que o Rádio fosse pesquisado por toda a comunidade científica.

Ela ainda supervisionou a construção e se tornou a diretora do Instituto do Rádio, na Universidade de Paris, em 1914.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Marie Currie dedicou-se ao desenvolvimento do uso do Raio-X e da radiografia móvel. Em 1918 sua filha mais velha, Irene, se juntou ao trabalho no Instituto do Rádio, que se tornaria o centro mundial de estudo em física e química nuclear.

Já famosa, Marie dedicou-se ao estudo da química das substâncias radioativas e as aplicações destas substâncias na medicina.

Em 1921, acompanhada das suas duas filhas, Marie visitou os Estados Unidos da América, Bélgica, Brasil e Espanha.

No Brasil seu interesse estava nas famosas águas radioativas de Lindóia, hoje na cidade de Águas de Lindóia.

Ela se tornou membro da academia de medicina em 1922, viu o surgimento da fundação Curie em Paris e ainda acompanhou a construção de um novo Instituto do Rádio, em Varsóvia.

Uma dos maiores descobertas de Marie Curie foi entender a necessidade de acumular fonte radioativas intensas, não apenas para tratar doenças mas também para manter um estoque no local de estudo. O estoque de Marie era inigualável até o surgimento dos aceleradores de partículas em 1930.

Marie participou das 8 primeiras edições da Conferência de Solvay, entre 1911 e 1933, que reuniram os mais importantes cientistas da época. Ela sempre foi a única mulher entre todos os participantes nestes anos. Dê uma olhada na foto abaixo, da quinta conferência em 1927. Só gente fraca…

Na foto tem só 17 vencedores de prêmios Nobel, entre eles, Eistein, Bohr, Heisenberg, Pauli, Schrodinger, Planck e, é claro, Marie Curie.

Marie Curie morreu vítima de leucemia em 1934 devido à sua constante e prolongada exposição à radioatividade.

Não teve tempo de ver sua filha mais velha, Irene, receber o prêmio Nobel de Química em 1935 pela descoberta da Radioatividade artificial. Os 3 prêmios juntos fazem da família Curie a família que mais recebeu prêmios Nobel.

Em homenagem, o elemento da Tabela Periódica número 96 foi denominado Cúrio (Cm).

Em 1995 seu corpo foi transladado para o Panteão em Paris, sendo a primeira mulher a ser sepultada lá. Este que vos escreve visitou o túmulo dela e de Pierre no Panteão em 2013. Só estando lá mesmo para descrever.

Túmulo de Marie e Piere no Panteão (arquivo pessoal)

A contribuição de Marie ao campo da Física foi imensa, não apenas com seu trabalho, mas também pelo seu legado e influência nas futuras gerações de físicos e químicos nucleares. Além disso, devemos muito a ela no campo da Medicina também.


Confira todos os cientistas que você deveria conhecer neste link!

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