Da Estação Espacial Internacional em 25 de agosto de 2017, 400 km acima da Terra, um astronauta da NASA capturou fotos do furacão Harvey. Crédito: NASA.

Porque entender a escala é vital, não apenas para a Ciência, mas para todos

Podemos usar superlativos o tempo todo, mas isso não é um substituto para quantificar o quão ruim, grande ou importante algo é.


Texto originalmente publicado por Ethan Siegel. Leia o original (em inglês) aqui


“Eu vou ao Museu de História Natural e olho para a gaiola cheia de estorninhos [uma espécie de pássaro]. Mas minha coisa favorita é a grande baleia azul. A escala dela é inacreditável, e faz você sentir o quanto você é insignificante como um ser humano.” — Arthur Darvill

Esta semana, o furacão Harvey aparentemente esgotou todos os superlativos que podem ser associados a uma tempestade. Palavras como “catastrófico”, “histórico” e “desastroso” são apenas algumas das que estão sendo utilizadas para tentar explicar o que está acontecendo no Texas e Louisiana. Na sociedade de hoje, podemos virtualmente assistir tais eventos se desenrolarem através do portal das redes sociais. Muitas vezes não podemos realmente conhecer os horrores ou o sofrimento que experimentam aqueles que estão vivendo algo como o Harvey. Só podemos tentar compreender e oferecer ajuda, geralmente remota e indiretamente, para aqueles que vivem longe, sempre que possível.

Pessoas procurando ajudar com barcos pela rua depois que a área foi inundada como consequência do furacão Harvey em 29 de agosto de 2017, em Friendswood, no Texas. Crédito: Joe Raedle/Getty Images.

Mas precisamos entender o que está acontecendo e a escala do evento com a melhor das nossas habilidades. Isto aplica-se não apenas às tempestades como a Harvey, que pode estar crescendo em frequência e poder devido às mudanças climáticas, mas para muitos, muitos tópicos desafiantes em nosso mundo que são lançados no dilúvio diário de notícias. Vivemos em uma sociedade onde grandes números e grandes conceitos são lançados em volta de muitos tópicos críticos. Da economia ao meio ambiente, da medicina à fabricação, e da política aos polímeros, somos bombardeados com fatos e figuras que podem parecer sem sentido [quando] sem contexto.

Filme Powers of Ten, ou Potências de Dez

Eames Demetrios, o neto de Charles e Ray Eames, que criaram o livro e o filme “Powers of Ten”, argumenta “não entender a escala hoje em dia é uma forma de analfabetismo”. Seu ponto de vista é que você não pode navegar neste mundo sem ter uma estrutura para basear suas escolhas. Nós concordamos.

Demetrios acredita que a escala seja a “nova geografia”, e diz:

“Assim como saber que o mapa do mundo oferece um lugar na sua mente para pendurar novas informações sobre novos lugares de que você ouve falar, de forma semelhante, ter um senso de escala oferece ferramentas para um novo tipo de compreensão”.

Assim como muitos de nós lutam para entender o impacto de algo tão grande como o furacão Harvey — onde as inundações são tão severas que o Serviço Meteorológico Nacional teve que adicionar mais cores à sua escala de mapeamento para descrever as inundações além de 10 pés de água —, podemos nos voltar as diferentes ferramentas para ampliar nosso entendimento e tomar decisões mais informadas.

“#Harvey em perspectiva. Tanta chuva caiu, tivemos que atualizar os gráficos de cores em nossos gráficos, a fim de efetivamente mapeá-lo.”

Usar comparações, por exemplo, pode ser uma maneira poderosa de tomar algo que parece esotérico e torná-lo digerível com base em nossas experiências de tamanhos mais humanos. A área superficial que o furacão Harvey inundou, especialmente em estados tão grandes como o Texas e Louisiana, pode ser difícil de imaginar. Imagine uma área de aproximadamente 100.000 vezes o tamanho do National Mall [conhecido também como Passeio Nacional] em Washington, DC. Ou cerca de 30 vezes o tamanho dos dez menores países do mundo — combinados. (Para referência, os 10 países mais pequenos incluem Granada, Malta, República das Maldivas, São Cristóvão e Névis, Liechtenstein, República de San Marino, Tuvalu, República de Nauru, Mônaco e Cidade do Vaticano). Mesmo se você nunca esteve em nenhum desses países, saber que cada um estaria submerso e então 30 vezes mais espaço em cima disso, pode ser uma coisa impactante para se imaginar.

O National Mall, em Washington D.C., em si, uma área substancialmente grande, precisaria ser multiplicado por um fator de 100.000 para se igualar a área de inundações na maior área de Houston, TX. Crédito: Peter Fitzgerald/Wikimedia Commons.

O Washington Post também usou a escala para ajudar a compreender a quantidade total de chuva em sua cobertura do furacão Harvey. Eles descreveram o que 9 trilhões de galões de chuva podem parecer. Essa incrível quantidade de água pode ser muito difícil de imaginar, ainda que sua visualização de um cubo de três quilômetros de lado foi surpreendente e impressionante.

Essas comparações não são destinadas a banalizar ou diminuir situações muito reais e devastadoras, mas sim a fornecer uma perspectiva e nos ajudar a compreender melhor a situação em questão, quer nos ajude a imaginar o tamanho de um iceberg recém-criado, um cometa local onde pousamos, ou simplesmente uma comparação do tamanho de um telescópio. Em circunstâncias mais felizes, as comparações de escala e magnitude podem ser um meio para expandir nossas mentes e aprendermos sobre todas as possibilidades que a ingenuidade da humanidade e as maravilhas da natureza podem fornecer.

Comparando o tamanho de objetos não relacionados, como um “familiar” com um “desconhecido”, pode ajudar as pessoas a ter uma sensação de escala de uma maneira excepcionalmente poderosa. Crédito: Laboratório de Imagem Conceitual da NASA Goddard Space Flight Center.

Não importa qual seja o tópico, todos fazemos o nosso melhor tentando entender o que está acontecendo ao nosso redor — tanto na rua como no mundo todo. Compreender o tamanho, a escala e a magnitude é uma ferramenta importante para cada um de nós navegar em nosso mundo sempre em mudança e crescente.


Veja todas as traduções neste link!