Fusão de estrelas de nêutrons são detectadas pela primeira vez

iniciando uma nova era na pesquisa espacial

Créditos: ESO

O Observatório Europeu do Sul (ESO) fez nesta segunda (16) o anúncio sobre a detecção de efeitos incríveis da fusão de estrelas de nêutrons, as kilonovas. Esta fusão gerou ondas gravitacionais, detectadas através de trabalho em conjunto com vários pesquisadores ao redor do mundo. Houve também a detecção de radiação eletromagnética (luz) em várias faixas e a dispersão de átomos de ouro e platina.

As kilonovas foram previstas há bastante tempo e agora o trabalho colaborativo do ESO com o Laser Interferometer Gravitacional-Wave Observatory (LIGO) e com o Interferômetro Virgo na Itália conseguiram detectar as ondas gravitacionais deste choque sem precedentes. Estas ondas receberam o nome de GW170817 e foram detectadas em 17 de agosto de 2017. Praticamente ao mesmo tempo, pesquisadores do Fermi Gamma-ray Space Telescope da NASA e o Internacional Gamma Ray Astrophysics Laboratory (INTEGRAL) da ESA detectaram uma forte explosão de raios gama. Estudos posteriores mostraram que tudo havia vindo do mesmo local do céu na mesma hora, sendo um produto de um grande choque formador de kilonova.

“Há aquelas ocasiões raras em que um cientista se depara com a oportunidade de testemunhar uma nova era se iniciando”, disse Elena Pian, astrônoma e principal autora de um dos artigos do trabalho publicados na Nature. “Esta é uma das ocasiões!”.

As kilonovas são tanto as fusões entre duas estrelas de nêutrons como a fusão entre uma estrela de nêutron e um buraco negro. Como resultado, causa uma explosão de raios gama de curta duração e ondas gravitacionais. Além disso, é responsável pelo decaimento de íons químicos e fonte predominante de elementos pesados no Universo como átomos de ouro e platina.

A detecção em questão é do choque entre duas estrelas de neutrôns. Após a fusão, houve uma forte erupção de elementos químicos pesados, que moviam-se a cerca de 1/5 da velocidade da luz.

As estimativas iniciais mostram que a GW170817 ocorreu a cerca de 130 milhões de anos-luz de distância da Terra. Esta é a detecção de ondas gravitacionais mais próxima de nós até agora. As kilonovas foram teorizadas há mais de 30 anos e esta é a primeira observação confirmada do fenômeno no espaço.

“Os dados que temos até agora ajustam muitíssimo bem à teoria. Trata-se de um triunfo para os teóricos, uma confirmação de que os eventos LIGO-Virgo são absolutamente reais e de uma conquista para o ESO, por ter conseguido juntar um conjunto tão surpreendente de dados obre kilonovas”, finaliza Stefano Cobino, autor principal de um dos artigos publicados na Nature.